Exercícios sobre polissemia: exemplos e questões comentadas
Entenda como trabalhar a polissemia com exemplos do cotidiano e questões comentadas. Veja estratégias para avaliar o papel do contexto e preparar atividades com mais rapidez.
Quando comecei a trabalhar polissemia, percebi que definir o conceito não bastava: meus alunos precisavam enxergar como uma mesma palavra muda de sentido conforme a frase. Usei exemplos como “banco” e “manga” e pedi que justificassem a resposta pelo contexto. A conversa ficou mais interessante quando alguém lembrou que um banco pode ser assento ou instituição financeira.
Desde então, organizo a prática em etapas: comparar sentidos, observar as pistas do texto e explicar por que uma alternativa está certa ou errada. A seguir, reuni estratégias e seis questões comentadas para você adaptar à sua turma. A seleção também traz habilidades da BNCC e níveis de Bloom, dados que ajudam a planejar uma avaliação coerente.
O que é polissemia e como explicá-la aos alunos?
Polissemia é a propriedade de uma mesma palavra apresentar mais de um significado, reconhecido pelo contexto em que aparece. Para explicar, eu começo com exemplos familiares: “banco” pode ser um assento ou uma instituição financeira; “manga” pode ser uma fruta ou parte de uma camisa. Depois, mostro as palavras dentro de frases, porque é a combinação com outras palavras que ajuda o leitor a identificar o sentido pretendido. Também comparo usos diferentes, perguntando se a palavra mudou de forma ou se foi o significado que variou. Essa distinção evita que a turma confunda polissemia com simples repetição. Em geral, os sentidos polissêmicos mantêm alguma relação entre si, ainda que ela nem sempre seja evidente. A habilidade EF05LP02 da BNCC trata justamente de identificar esse caráter polissêmico conforme o contexto de uso.
Eu evito começar com uma lista longa de definições. Primeiro, escrevo duas frases no quadro e peço que os estudantes expliquem o que “banco” significa em cada uma. Depois, pergunto qual pista ajudou a decidir: “sentou-se”, “praça”, “depositar” ou “salário”. Assim, a turma percebe que interpretar não é adivinhar: é relacionar a palavra ao restante do enunciado.
Como ensinar polissemia na prática?
Para ensinar polissemia na prática, eu proponho uma sequência curta de comparação, justificativa e produção. Apresento uma palavra em duas frases, peço que os alunos indiquem o sentido em cada ocorrência e solicito uma pista contextual que sustente a resposta. Em seguida, eles criam uma nova frase para um dos sentidos ou encontram outro exemplo no cotidiano. Por exemplo, “A cabeça doeu” e “Ela é a cabeça da equipe” permitem comparar sentido literal e figurado. Essa rotina trabalha leitura e vocabulário sem transformar o conteúdo em mera memorização. Na minha experiência, o passo mais importante é pedir explicações: dizer apenas “é banco” não mostra se o estudante entendeu. Para variar, uso tirinhas, manchetes e pequenos textos; também posso gerar uma lista de itens no GeraProva e revisar as questões antes de levar para a turma.
- Apresente duas ocorrências da mesma palavra.
- Peça que a turma explique o sentido de cada uma.
- Solicite a pista do contexto que confirma a interpretação.
- Finalize com uma frase criada pelo estudante.
Como avaliar se os alunos compreenderam a polissemia?
Eu avalio a compreensão da polissemia observando se o aluno identifica os sentidos diferentes e consegue justificá-los com elementos do contexto. Uma questão de múltipla escolha pode verificar o reconhecimento, mas uma justificativa curta revela melhor o raciocínio: “banco é a resposta porque, em uma frase, designa o assento e, na outra, a instituição”. Também incluo itens em que a palavra se repete sem mudar de sentido, pois isso mostra se o estudante está distinguindo polissemia de mera repetição. A dificuldade pode avançar de exemplos isolados para pequenos textos com alternativas plausíveis. Ao revisar os resultados, separo erros de vocabulário dos erros de leitura contextual e retomo o conceito adequado. As questões abaixo apresentam referências à BNCC e níveis de Bloom; posso usar esse conjunto como diagnóstico, prática ou revisão, ajustando a linguagem à etapa da turma.
Uma orientação útil é não tratar todo uso figurado como um caso automaticamente resolvido. Peço que os alunos apontem quais sentidos estão sendo comparados e expliquem a relação entre eles. Se a turma ainda confunde polissemia e homonímia, vale reservar um momento para revisar a diferença com exemplos apropriados ao conteúdo já estudado.
Questões prontas com gabarito comentado
As seis questões a seguir trabalham reconhecimento de palavras polissêmicas e leitura do contexto, com graus diferentes de exigência. Eu recomendaria aplicá-las primeiro sem mostrar os comentários e, depois, discutir cada alternativa: analisar por que uma resposta está errada é parte importante da aprendizagem. As questões mobilizam habilidades como EF05LP02, EF06LP12 e EM13LP06 e incluem níveis de Bloom e dicas de resolução. Há itens diretos, como os de “manga”, e outros com pequenos textos para que o estudante observe as pistas antes de responder. Para usar em aula, você pode selecionar algumas como atividade rápida, transformar outras em avaliação formativa ou pedir que a turma escreva justificativas próprias. A coleção do GeraProva ajuda a economizar tempo na montagem; ainda assim, eu sempre confiro a adequação das alternativas e do nível de leitura ao perfil dos meus alunos.
1. Qual das palavras abaixo é um exemplo de polissemia?
Dica de resolução: Pense em palavras que têm mais de um significado. Conceito central: polissemia. Para revisão: conceito e exemplos. BNCC: EM13LP06. Bloom: Compreender.
- ❌ A) Cachorro (animal). A alternativa indica o animal, sem apresentar outro sentido no item.
- ❌ B) Banco (instituição financeira). Embora “banco” tenha outros sentidos, aqui a alternativa apresenta somente o sentido de instituição.
- ❌ C) Luz (iluminação). A alternativa traz apenas o sentido de iluminação, sem contrastá-lo com outro.
- ✅ D) Manga (fruta e parte da camisa). A mesma palavra tem dois significados, caracterizando polissemia.
- ❌ E) Caderno (material escolar). Apresenta apenas o sentido indicado entre parênteses.
2. Por que alguém senta no banco do parque e, depois, recorre ao banco para guardar dinheiro?
No parque central, Ana escolheu um banco de madeira para ler um livro ao ar livre. No fim do dia, ela entrou no banco próximo à praça para depositar seu salário. Em ambos os casos, a palavra banco aparece, mas adquire sentido distinto: no primeiro, trata-se de um assento; no segundo, refere-se a uma instituição financeira. Essa multiplicidade de sentidos mostra como a semântica varia conforme o contexto de uso das palavras. Analise o texto-base e identifique a palavra cuja polissemia é exemplificada pelos dois sentidos apresentados.
Dica: Observe o contexto. Conceito central: polissemia e contexto. Para revisão: como o contexto altera o significado. BNCC: EF05LP02. Bloom: Lembrar.
- ❌ A) dia. Indica tempo cronológico, sem variação de sentido no texto.
- ✅ B) banco. Significa assento e instituição financeira nas duas ocorrências.
- ❌ C) parque. Designa a área de lazer mencionada, sem mudança de sentido.
- ❌ D) livro. Refere-se ao objeto de leitura, sem outro sentido no trecho.
- ❌ E) salário. Indica remuneração e não varia de sentido no contexto.
3. Em uma reportagem sobre a revitalização de uma praça, lê-se: “A prefeitura instalou um banco de madeira perto das árvores. No mesmo dia, um banco anunciou uma linha de crédito para comerciantes do bairro. Também foram colocadas uma janela de atendimento, uma bicicleta para uso dos agentes, um caderno de sugestões e novas lixeiras na praça.” Considerando os sentidos atribuídos às palavras no texto, qual delas exemplifica a polissemia, isto é, apresenta significados diferentes em usos distintos?
Dica: Compare os sentidos nas ocorrências. Conceito central: polissemia em contexto. Para revisão: sentidos conforme o contexto. BNCC: EM13LP06. Bloom: Lembrar.
- ✅ A) banco. Primeiro é assento de madeira; depois, instituição financeira. A mesma palavra assume sentidos diferentes.
- ❌ B) praça. Retoma o mesmo espaço público; repetição do referente não é mudança de sentido.
- ❌ C) bicicleta. Designa o veículo; funções ou usos distintos não criam outro sentido lexical.
- ❌ D) janela. Aparece uma vez. Outros usos fora do texto não comprovam mudança de sentido neste trecho.
- ❌ E) caderno. Nomeia o suporte para registrar sugestões, sem outro sentido no texto.
4. Em uma reportagem sobre a organização de uma campanha comunitária, aparecem os seguintes trechos: “A cabeça do estudante doía após a corrida.” “A pesquisadora foi escolhida como cabeça da equipe responsável pelo projeto.” “A janela da sala foi aberta para a circulação do ar.” “A janela do laboratório permaneceu aberta durante a manhã.” “A mochila do aluno ficou sobre a cadeira.” “A mochila foi guardada no armário ao fim da aula.” “O relógio marcou oito horas.” “O relógio continuou marcando as horas durante a reunião.” “A bicicleta foi revisada antes do passeio.” “A bicicleta foi usada no trajeto até a escola.” Considerando os sentidos que cada palavra assume nos trechos, qual delas apresenta polissemia, isto é, ocorre com sentidos diferentes e relacionados entre si?
Dica: Compare os sentidos e verifique a relação entre eles. Conceito central: polissemia e sentidos relacionados. Para revisão: polissemia, homonímia e uso literal. BNCC: EM13LP06. Bloom: Lembrar.
- ❌ A) Mochila. Designa o objeto usado para transportar materiais; locais diferentes não criam outro sentido.
- ✅ B) Cabeça. É parte do corpo e também pessoa que lidera; os sentidos relacionados mostram ampliação de significado.
- ❌ C) Janela. Mantém o sentido de abertura ou estrutura para passagem de ar e luz.
- ❌ D) Bicicleta. Nas duas frases, é o mesmo tipo de veículo; muda o uso, não o significado.
- ❌ E) Relógio. Continua sendo instrumento que indica ou mede o tempo.
5. Leia os pares de frases a seguir. Em cada par, uma mesma palavra aparece duas vezes: (1) O estudante sentou-se no banco da praça. O banco autorizou o pagamento pelo aplicativo. (2) Luísa encapou o caderno de Ciências. Ela colocou o caderno na mochila. (3) O funcionário abriu a janela da sala. Depois, limpou a janela com um pano. (4) A garrafa estava cheia de água. Pedro guardou a garrafa na geladeira. (5) A bicicleta de Ana é vermelha. Ela deixou a bicicleta no bicicletário. Com base nos pares de frases, qual palavra apresenta polissemia, isto é, assume significados diferentes em seus usos, embora mantenha a mesma forma?
Dica: Compare os significados em cada par. Conceito central: polissemia e mudança de significado. Para revisão: sentidos da palavra conforme o contexto. BNCC: EF06LP12. Bloom: Lembrar.
- ❌ A) bicicleta. É um veículo de duas rodas nos dois usos; cor e localização não mudam o sentido.
- ❌ B) caderno. Designa o mesmo objeto para escrever ou guardar anotações.
- ❌ C) garrafa. Continua sendo recipiente, esteja cheia ou na geladeira.
- ❌ D) janela. Refere-se à abertura ou estrutura da sala nas duas frases; abrir e limpar não alteram o sentido.
- ✅ E) banco. É assento no primeiro uso e instituição financeira no segundo.
6. Qual das palavras abaixo possui mais de um significado, dependendo do contexto em que é utilizada?
Dica: Pense em dois sentidos para a mesma palavra. Conceito central: polissemia de palavras. Para revisão: palavras polissêmicas e contexto. BNCC: EF05LP02. Bloom: Compreender.
- ✅ A) Manga. Pode ser fruta ou parte de uma roupa que cobre o braço.
- ❌ B) Tapete. Nomeia uma peça usada para cobrir o chão; não traz os dois sentidos pedidos.
- ❌ C) Mesa. Nomeia um móvel, sem os dois sentidos comuns que a questão solicita.
- ❌ D) Cachorro. Nomeia o animal, não os dois sentidos pedidos.
- ❌ E) Telhado. Nomeia a cobertura de uma construção, sem os dois sentidos apresentados pela resposta correta.
Como transformar as questões em uma atividade eficiente?
Para transformar essas questões em uma atividade eficiente, eu escolheria primeiro o objetivo: diagnóstico, prática ou revisão. Em diagnóstico, aplicaria poucos itens sem consulta e observaria quais estudantes justificam as respostas pelo contexto. Em prática, resolveria um exemplo coletivamente e deixaria a turma discutir os distratores em duplas. Em revisão, pediria que cada aluno criasse uma frase para uma palavra polissêmica e explicasse os sentidos. Depois, retomaria os erros mais frequentes sem expor respostas individuais. As referências à BNCC ajudam a relacionar o exercício à habilidade trabalhada, mas não substituem a avaliação da turma. Se você precisar variar o formato ou montar outras listas, o GeraProva pode acelerar a preparação; revise sempre os itens gerados para garantir clareza e adequação. Para experimentar, acesse o cadastro grátis e adapte os materiais ao seu planejamento.
Eu também costumo registrar se a dificuldade veio da palavra, da leitura do enunciado ou da justificativa. Esse cuidado torna a retomada mais objetiva: às vezes, o aluno conhece os sentidos, mas não percebe as pistas textuais; em outras, precisa rever o próprio conceito.
Este material é um ponto de partida e pode ser ajustado à etapa e às necessidades da sua turma. Se quiser economizar tempo na preparação, experimente o GeraProva e confira se a plataforma combina com seu jeito de planejar.
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