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Atividades sobre intertextualidade com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, MACKENZIE, UEL, UNESP (EM13LP04)

Atividades sobre intertextualidade, citações e paráfrases para trabalhar a habilidade EM13LP04 no Ensino Médio. Veja práticas de sala, critérios de avaliação e seis questões com gabarito comentado.

Atividades sobre intertextualidade com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, MACKENZIE, UEL, UNESP (EM13LP04)

Quando recebo a EM13LP04 no planejamento, eu sei que não basta separar uma lista de “figuras de linguagem” ou pedir uma pesquisa sobre citação. O desafio é transformar uma habilidade ampla em situações concretas de leitura e escrita, nas quais a turma perceba que texto conversa com texto o tempo todo.

Na prática, eu preciso ajudar os estudantes a reconhecer essa conversa, explicar seus efeitos e usar citações ou paráfrases sem copiar nem soltar uma referência decorativa no meio do parágrafo. É uma habilidade muito presente no ENEM, nos vestibulares e, principalmente, na produção de textos argumentativos que a gente corrige semanalmente.

O que a habilidade EM13LP04 pede, de verdade?

A EM13LP04 pede que o estudante leia além do texto isolado: ele precisa identificar quando uma reportagem retoma um poema, quando uma campanha altera um verso conhecido, quando dois textos discordam sobre o mesmo tema e quando uma citação fortalece — ou enfraquece — um posicionamento. Também precisa fazer isso na própria escrita, marcando claramente a voz de outra pessoa com aspas, autoria, conectivos ou paráfrase. Em termos de sala, eu traduzo assim: o aluno deve saber colocar textos em diálogo e explicar por que esse diálogo existe. Não é decorar o nome “intertextualidade”; é perceber se há homenagem, crítica, ironia, contraponto, explicação ou argumento de autoridade. Na redação, isso significa mobilizar repertório de modo produtivo, relacionando-o de fato à tese, em vez de apenas mencionar um autor famoso. A habilidade vale para 1ª, 2ª e 3ª séries e aparece com força no ENEM, FUVEST, MACKENZIE, UEL e UNESP.

“Estabelecer relações de interdiscursividade e intertextualidade para explicitar, sustentar e conferir consistência a posicionamentos e para construir e corroborar explicações e relatos, fazendo uso de citações e paráfrases devidamente marcadas.”

Interdiscursividade, aqui, é o encontro entre discursos sociais: científico, jornalístico, publicitário, literário, político. Intertextualidade é a presença mais reconhecível de um texto em outro. As duas ideias se cruzam e rendem boas conversas de leitura.

Como trabalhar EM13LP04 em sala?

1. Caça às referências no cotidiano. Eu levo manchetes, memes, anúncios e campanhas locais. A turma marca o texto de origem, a alteração feita e o efeito produzido. Um cartaz que muda um verso de poema, por exemplo, abre espaço para discutir humor, crítica e persuasão.

2. Duelo de textos sobre um mesmo tema. Escolho dois textos curtos que apresentem perspectivas diferentes — uma notícia e um artigo de opinião, ou dois trechos sobre água, mobilidade ou redes sociais. Em duplas, os alunos completam: “Texto I defende…; Texto II problematiza…; eles divergem porque…”.

3. Oficina de citação e paráfrase. No quadro, escrevo um trecho de fonte confiável. Primeiro, a turma produz uma citação direta curta com aspas e autoria. Depois, reescreve a ideia em paráfrase, sem distorcê-la e indicando a fonte. Comparar as versões evita tanto o plágio quanto a paráfrase que muda o sentido original.

4. Repertório com função. Em vez de pedir uma redação inteira, proponho um parágrafo: tese, repertório e explicação da relação entre os dois. Na correção coletiva, pergunto: “Se eu retirasse essa referência, o argumento perderia força?” Se a resposta for não, o repertório está enfeitando, não sustentando.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão de EM13LP04 precisa cobrar relação, e não apenas identificação. Em vez de perguntar se o estudante conhece um autor, vale perguntar o que muda quando um verso é retomado em uma campanha, qual é a divergência entre dois textos ou como uma analogia constrói determinado efeito. Em produção escrita, eu observo se a fonte foi marcada, se a paráfrase é fiel e se a referência ajuda a desenvolver a ideia.

Um erro comum é avaliar apenas a nomenclatura: “isto é intertextualidade?” Outro é aceitar qualquer citação como repertório válido, mesmo sem conexão com a tese. Também evito descontar como se fosse erro de conteúdo quando o aluno reconhece a fonte, mas ainda precisa explicar o efeito: essa diferença mostra exatamente onde intervir. Para ampliar o banco de itens, há consulta completa do código EM13LP04, com todas as questões disponíveis.

Questões prontas de EM13LP04 (com gabarito comentado)

1. Intertextualidade em campanha de redução de descartáveis

“No meio do caminho tinha um copo” aparece em cartazes de uma biblioteca após uma feira literária. O folheto apresenta o verso de Drummond: “No meio do caminho tinha uma pedra”. A campanha convida visitantes a levarem garrafas reutilizáveis. Interprete a relação entre as formulações.

  • ❌ A) Emprega uma referência literária para narrar uma lembrança pessoal dos frequentadores. Não é relato individual, mas campanha pública.
  • ✅ B) Reelabora um verso conhecido para apresentar o copo descartável como obstáculo coletivo. A troca de “pedra” por “copo” desloca a ideia de obstáculo para o descarte e reforça o apelo ambiental.
  • ❌ C) Reproduz um verso conhecido para homenagear o poeta, preservando seu sentido original. O verso foi alterado e ganhou novo sentido.
  • ❌ D) Substitui informações sobre resíduos por uma explicação científica sobre a reciclagem. Não há explicação científica, mas persuasão por referência literária.
  • ❌ E) Utiliza uma referência literária para defender que os obstáculos urbanos são inevitáveis. A campanha propõe mudança de hábito, não resignação.

2. Ironia em Quarto de despejo

No trecho de Carolina Maria de Jesus, após a intimação recebida pelo filho, a narradora questiona por que o tenente não envia suas observações sobre a favela aos políticos e afirma que “a fome também é professora”. Transparece uma:

  • ❌ A) Lição de vida comunicada pelo tenente. O foco está na reação crítica da narradora.
  • ❌ B) Predisposição materna para se emocionar. A reflexão não se organiza pela emoção, mas pela crítica social.
  • ❌ C) Atividade política marcante da comunidade. O texto critica a inação das autoridades.
  • ✅ D) Resposta irônica ante o discurso da autoridade. A narradora expõe a distância entre o diagnóstico do tenente e a falta de ação pública.
  • ❌ E) Necessidade de revelar seus anseios mais íntimos. Seus anseios não são o centro da reflexão.

3. Divergência entre textos sobre reservatórios de água doce

O Texto I afirma que o ciclo hidrológico repõe indefinidamente os estoques de água doce; o Texto II explica que a sedimentação pode impedir a alimentação dos aquíferos. A divergência está na ideia de ser possível:

  • ✅ A) Manter os estoques de água doce. O primeiro texto sustenta a reposição contínua; o segundo apresenta limites concretos desse processo nos reservatórios.
  • ❌ B) Utilizar a água superficial para o consumo. Essa não é a oposição central entre os textos.
  • ❌ C) Repor os estoques de água doce em regiões áridas. Regiões áridas não organizam a divergência apresentada.
  • ❌ D) Reduzir as taxas de precipitação e evaporação da água. Os textos não defendem controlar esses fenômenos naturais.
  • ❌ E) Equalizar a distribuição de água doce nas diferentes regiões. A distribuição desigual é mencionada, mas não é o ponto de discordância.

4. Variação entre “tu” e “você”

O texto informa que “tu” predomina em Porto Alegre, convive com “você” no Rio de Janeiro e em Recife, enquanto “você” predomina em outras capitais. Esse processo revela que:

  • ❌ A) A escolha depende da idade de quem usa o pronome. A idade aparece no exemplo, mas não explica a variação.
  • ✅ B) A possibilidade de se usar tanto “tu” quanto “você” caracteriza a diversidade da língua. Os usos regionais mostram a heterogeneidade linguística brasileira.
  • ❌ C) O pronome “tu” é informal por todo o país. O texto não generaliza esse emprego.
  • ❌ D) A ocorrência simultânea elimina níveis de formalidade. A coexistência não apaga os contextos de uso.
  • ❌ E) O uso de “você” em documentos prova que a língua não muda. O texto evidencia justamente mudança e diversidade.

5. Analogia literária em Borges

Em Borges, o homem velho foi “reduzido e polido como las aguas a una piedra”. A analogia tem a função de:

  • ✅ A) Enfatizar a ação do tempo sobre a personagem. Como a água desgasta e molda a pedra, os anos transformaram o homem.
  • ❌ B) Descrever a objetificação do ambiente. A comparação focaliza a personagem, não o espaço.
  • ❌ C) Expor a anacronia da personagem. Não se trata de desajuste temporal na narrativa.
  • ❌ D) Caracterizar o espaço do conto. O cenário não é o alvo da imagem.
  • ❌ E) Narrar a perenidade da velhice. A imagem enfatiza transformação pelo tempo, não permanência.

6. Representação social do feminino no século XIX

Um texto critica os costumes femininos e outro compara janelas e portas gradeadas a gaiolas que guardavam filhas e esposas. A representação social comum aos dois textos é:

  • ✅ A) Submissão de gênero, apoiada pela concepção patriarcal de família. Ambos revelam controle masculino sobre a vida e a circulação das mulheres.
  • ❌ B) Acesso aos produtos de beleza, decorrência da abertura dos portos. Esse detalhe não sintetiza os dois textos.
  • ❌ C) Ampliação do espaço de entretenimento para classes distintas. O segundo texto enfatiza restrição, não ampliação.
  • ❌ D) Proteção da honra mediada por disputa masculina. A ideia de honra não explica integralmente a submissão retratada.
  • ❌ E) Valorização do casamento cristão ligada à herança. Esse tema não é desenvolvido nos excertos.

Próximos passos

Eu começaria com uma das questões acima como diagnóstico e, depois, pediria um parágrafo curto com citação ou paráfrase marcada. Assim, leitura e escrita caminham juntas. Para variar nível, tema e formato sem perder tempo de planejamento, experimente o gerador de provas do GeraProva e faça seu cadastro grátis.

Use estas questões como ponto de partida, adapte ao perfil da sua turma e transforme cada resposta em conversa de leitura. A habilidade fica muito mais clara quando o estudante percebe que todo texto responde a outros textos.

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