Atividades sobre Fontes e Narrativas Históricas e Filosóficas com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, ETEC, FUVEST, UECE, UEL, UERJ, UFPR, UNESP (EM13CHS101)
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Alexandre Lombardi dos Santos 09 de setembro de 2026 9 min de leitura 56
Atividades e questões com gabarito comentado para desenvolver a análise de fontes e narrativas em Ciências Humanas. Trabalhe a habilidade EM13CHS101 da BNCC em Filosofia, História, Geografia e Sociologia.
Quando recebo um código da BNCC no planejamento, a primeira sensação é de que ele é abstrato demais para a sala de aula. Foi assim com a EM13CHS101. Eu precisava transformar aquele texto longo em algo que meus alunos conseguissem ler, discutir e responder numa prova.
Neste post, conto como eu traduzi essa habilidade para a minha rotina, quais atividades funcionam e quais questões reais uso para avaliar.
O que a habilidade EM13CHS101 pede, de verdade?
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Na prática, a habilidade pede que o aluno não aceite uma informação só porque está escrita num livro. Ele precisa perguntar quem produziu aquele texto, imagem ou música, para qual público, com qual intenção, e o que ficou de fora. Ao comparar duas fontes sobre o mesmo evento, ele começa a perceber que a história é construída por narrativas, e que entender essas narrativas é parte essencial do pensamento histórico e filosófico.
Como trabalhar EM13CHS101 em sala?
Algumas ideias que testei e que funcionam sem material caro:
Comparação de duas manchetes: pegue dois jornais de épocas ou orientações diferentes sobre o mesmo fato e peça que os alunos apontem diferenças de linguagem e de ênfase.
Leitura de imagens históricas: mostre uma pintura ou fotografia de um evento e pergunte o que ela quer transmitir, não só o que mostra.
Fonte primária em sala: um trecho de carta, decreto ou relato de época, lido em voz alta, com perguntas guiadas sobre autoria e contexto.
Debate filosófico com textos curtos: dois autores que discordam sobre um mesmo tema, como ciência ou ética, comparados lado a lado.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão desse código precisa cobrar que o aluno relacione a fonte ao contexto e à intenção de quem a produziu. Questão que só pede a data do evento ou o nome do autor não avalia a habilidade. Outro erro comum é colocar alternativas que parecem todas verdadeiras, sem que uma delas seja a mais adequada ao texto-base.
Questões prontas de EM13CHS101 (com gabarito comentado)
Questão 1: comparação entre Popper e Kuhn
Compare a visão de Popper sobre a ciência com a de Kuhn, destacando suas implicações para a pesquisa científica.
❌ A) Popper ignora a história da ciência. — Popper considera a história, mas foca na falsificação.
❌ B) Kuhn não admite mudanças históricas. — Kuhn baseia sua teoria na história da ciência.
❌ C) Popper via a ciência como um processo cumulativo. — Popper via a ciência como um processo de eliminação.
✅ D) Kuhn fala de revoluções em paradigmas. — Kuhn argumenta que a ciência avança por mudanças de paradigmas.
❌ E) Ambos concordam sobre a linearidade da ciência. — Popper e Kuhn discordam sobre a linearidade do avanço científico.
Questão 2: representações de D. Pedro I e D. Pedro II
ENEM - 2013 MOREAUX, F.R. Proclamação da Independência. Disponível em: www.tvbrasil.org.br. Acesso em 14 jun. 2010. (Foto: Enem) FERREZ, M. D. Pedro II. SCHWARCZ, L.M. As barbas do Imperador. D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Cia das Letras, 1998. As imagens, que retratam D. Pedro I e D. Pedro II, procuram transmitir determinadas representações políticas acerca dos dois monarcas e seus contextos de atuação. A ideia que cada imagem evoca é, respectivamente:
❌ A) Habilidade militar – riqueza pessoal. — A imagem de D. Pedro I não enfatiza apenas a habilidade militar, e D. Pedro II não é retratado com foco em riqueza pessoal.
✅ B) Liderança popular – estabilidade política. — D. Pedro I é visto como um líder popular na independência, enquanto D. Pedro II representa a estabilidade política do Império.
❌ C) Instabilidade econômica – herança europeia. — As imagens não abordam instabilidade econômica nem herança europeia de forma clara.
❌ D) Isolamento político – centralização do poder. — As imagens não refletem isolamento político, mas sim a centralização do poder de forma implícita.
❌ E) Nacionalismo exacerbado – inovação administrativa. — O nacionalismo exacerbado não é uma ideia central nas representações, e a inovação administrativa não é o foco visual.
Questão 3: O Teatro Mágico e a ópera europeia
ENEM - 2018 Fotografia: LUCAS HALLEL. Disponível em: www.fiickr.com. Acesso em: 16 abr. 2018 (adaptado) O grupo O Teatro Mágico apresenta composições autorais que têm referências estéticas do rock, do pop e da música folclórica brasileira. A originalidade dos seus shows tem relação com a ópera europeia do século XIX a partir da
❌ A) Disposição cênica dos artistas no espaço teatral. — A disposição cênica é importante, mas não é a principal relação com a ópera europeia.
✅ B) Integração de diversas linguagens artísticas. — A integração de diversas linguagens artísticas é uma característica central da ópera, refletindo a originalidade do grupo.
❌ C) Sobreposição entre música e texto literário. — A sobreposição entre música e texto literário é uma característica, mas não é a principal relação com a ópera.
❌ D) Manutenção de um diálogo com o público. — O diálogo com o público é importante, mas não é uma característica exclusiva da ópera europeia.
❌ E) Adoção de um enredo como fio condutor. — Adoção de enredo é comum, mas a questão pede a relação mais ampla com a ópera, que envolve várias linguagens.
Questão 4: urbanização e transportes no Brasil
ENEM - 2014 A urbanização brasileira, no início da segunda metade do século XX, promoveu uma radical alteração nas cidades. Ruas foram alargadas, túneis e viadutos foram construídos. O bonde foi a primeira vítima fatal. O destino do sistema ferroviário não foi muito diferente. O transporte coletivo saiu definitivamente dos trilhos. JANOT, L. F. A caminho de Guaratiba. Disponível em: www.iab.org.br. Acesso em: 9 jan. 2014 (adaptado). A relação entre transportes e urbanização é explicada, no texto, pela
❌ A) Retirada dos investimentos estatais aplicados em transporte de massa. — A retirada de investimentos estatais não é o foco do texto, que menciona a mudança no transporte coletivo.
❌ B) Demanda por transporte individual ocasionada pela expansão da mancha urbana. — Embora a demanda por transporte individual tenha aumentado, o texto destaca a transição do transporte coletivo para o rodoviário.
❌ C) Presença hegemônica do transporte alternativo localizado nas periferias das cidades. — O texto não menciona transporte alternativo nas periferias, mas sim a mudança do transporte coletivo.
❌ D) Aglomeração do espaço urbano metropolitano impedindo a construção do transporte metroviário. — Aglomeração urbana é um fator, mas o texto foca na predominância do transporte rodoviário e não na construção de metrôs.
✅ E) Predominância do transporte rodoviário associado à penetração das multinacionais automobilísticas. — Correta, pois o texto destaca a transição para o transporte rodoviário, associado à influência das multinacionais automobilísticas.
Questão 5: conflitos raciais na independência do Brasil
ENEM - 2009 No tempo da independência do Brasil, circulavam nas classes populares do Recife trovas que faziam alusão à revolta escrava do Haiti: Marinheiros e caiados / Todos devem se acabar, / Porque só pardos e pretos / O país hão de habitar. AMARAL, F. P. do. Apud CARVALHO, A. Estudos pernambucanos. Recife: Cultura Acadêmica, 1907. O período da independência do Brasil registra conflitos raciais, como se depreende
✅ A) Dos rumores acerca da revolta escrava do Haiti, que circulavam entre a população escrava e entre os mestiços pobres, alimentando seu desejo por mudanças. — Certa. Refere-se ao impacto da revolta do Haiti nas classes populares, que alimentou o desejo por mudanças sociais e políticas.
❌ B) Da rejeição aos portugueses, brancos, que significava a rejeição à opressão da Metrópole, como ocorreu na Noite das Garrafadas. — Embora a rejeição aos portugueses tenha ocorrido, não aborda diretamente os conflitos raciais entre escravos e a elite.
❌ C) Do apoio que escravos e negros forros deram à monarquia, com a perspectiva de receber sua proteção contra as injustiças do sistema escravista. — Não há evidências históricas de que escravos e negros forros apoiaram a monarquia em troca de proteção.
❌ D) Do repúdio que os escravos trabalhadores dos portos demonstravam contra os marinheiros, porque estes representavam a elite branca opressora. — Não há registro significativo de repúdio dos escravos trabalhadores dos portos contra marinheiros por questões raciais.
❌ E) Da expulsão de vários líderes negros independentistas, que defendiam a implantação de uma república negra, a exemplo do Haiti. — A expulsão de líderes negros independentistas não é um fato reconhecido na história da independência do Brasil.
Questão 6: resistência à escravidão no período colonial
Em documentos do período colonial, proprietários registraram fugas de pessoas escravizadas, a formação de grupos em locais afastados e a conservação de práticas culturais africanas. Esses registros revelam ações realizadas apesar da vigilância e das punições impostas pelo sistema escravista. A interpretação dos registros apresentada no texto permite reconhecer que a resistência à escravidão ocorria por meio de
✅ A) iniciativas de busca por autonomia e de preservação de vínculos coletivos. — As fugas, a formação de grupos e a conservação de práticas culturais mostram ações de enfrentamento ao controle senhorial, não uma postura passiva.
❌ B) fim imediato da escravidão sempre que uma pessoa conseguia fugir. — Extrapola o que o texto sustenta: fugas expressavam resistência, mas não encerravam necessariamente e de modo imediato todo o sistema escravista.
❌ C) aceitação da ordem senhorial, sem ações contrárias ao sistema escravista. — Ignora as fugas, a formação de grupos e a conservação cultural, que são ações contrárias ao controle dos proprietários.
❌ D) manutenção de costumes africanos como demonstração de submissão aos proprietários. — Confunde preservação cultural com submissão. No contexto de repressão escravista, conservar práticas e vínculos podia afirmar identidades e resistir ao domínio senhorial.
❌ E) dependência exclusiva de confrontos armados para enfrentar a escravidão. — Aplica uma visão limitada de resistência, pois o texto apresenta fugas, organização em grupos e práticas culturais, sem mencionar combate armado.
As questões aqui são de referência para estudo e planejamento. Revise sempre o conteúdo conforme o seu material e o projeto da sua escola. Bom trabalho em sala!
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