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Atividades de Cidades e campos: oposições e ambivalências para a 3ª série do Ensino Médio com gabarito

Reúna questões comentadas para trabalhar cidade e campo, mobilidade, nomadismo e sedentarismo na 3ª série do Ensino Médio. O material ajuda a discutir classificações sociais sem transformar diferenças em hierarquias fixas.

Atividades de Cidades e campos: oposições e ambivalências para a 3ª série do Ensino Médio com gabarito

Quando trabalho oposições entre cidade e campo com a 3ª série, procuro partir de situações concretas e mostrar que essas categorias ajudam a organizar a análise, mas nem sempre descrevem trajetórias inteiras. Uma prática pode combinar circulação, trabalho, moradia e vínculos que atravessam os dois espaços.

Também gosto de aproximar a discussão de outras classificações, como nômade e sedentário, e de perguntar o que os critérios deixam de fora. Assim, a turma pode observar como oportunidades, práticas de aprendizagem e formas de ocupação do território influenciam as experiências sociais, sem tratar uma forma de vida como naturalmente superior à outra.

O que o aluno de 3ª série precisa saber sobre Cidades e campos: oposições e ambivalências

Na 3ª série, o aluno precisa compreender que cidade e campo são categorias úteis para interpretar formas de ocupação, trabalho e convivência, mas não devem ser tratadas como mundos isolados, homogêneos ou necessariamente opostos. As situações podem combinar práticas associadas aos dois espaços: uma horta em praça urbana, por exemplo, reúne cultivo e apropriação do espaço público; grupos que circulam entre áreas de coleta e a cidade articulam trabalho, vínculos comunitários e acesso a serviços. A mesma cautela vale para as tipologias nômade/sedentário e para os tipos ideais de Weber: são instrumentos de análise, não rótulos rígidos que definem pessoas ou determinam uma escala de progresso. A turma deve reconhecer indícios de mobilidade, como deslocamentos sazonais, e de permanência, como moradias e armazenamento em um território, relacionando-os ao contexto. Também é importante perceber que oportunidades desiguais de aprendizagem podem ser confundidas com talento natural quando se ignoram práticas e condições sociais.

O que ele precisa saber antes

Antes das questões, vale verificar se a turma compreende os conceitos básicos de cidade e campo, mobilidade social e do trabalho, comunidade e assentamento fixo. Para interpretar as comparações entre nomadismo e sedentarismo, os estudantes precisam distinguir deslocamento de permanência sem concluir, só por isso, que um modo de vida é superior ao outro.

Na parte histórica, é útil retomar noções básicas sobre sociedades pré-históricas e reconhecer vestígios como acampamentos provisórios, ferramentas portáteis, estruturas fixas e silos de armazenamento. A leitura desses indícios deve ser feita com atenção ao que o texto realmente informa: um silo pode apoiar a interpretação de permanência e armazenamento, mas não autoriza inventar outras características sociais que não aparecem no enunciado.

Para a questão sobre dança, é necessário conhecer a ideia de socialização e desigualdade de oportunidades, além dos tipos ideais em Weber. O tipo ideal funciona como ferramenta para comparar e analisar a realidade; não é uma categoria fixa que encaixa cada pessoa sem considerar sua trajetória. Você pode retomar esses pré-requisitos em uma conversa breve antes de aplicar a atividade.

Onde os alunos mais erram

Um erro recorrente nas questões é confundir uma tipologia analítica com uma descrição absoluta. Isso pode levar a aceitar que a falta de curso formal comprova talento inato, ou a classificar automaticamente como rural ou urbana uma experiência marcada pela circulação entre territórios. Na questão sobre os cursos de dança, o distrator mais provável transforma a habilidade em dom natural e desconsidera outras formas de aprendizagem registradas no texto. Vale perguntar quais práticas e oportunidades aparecem no enunciado antes de escolher uma explicação.

Outro ponto de atenção é a leitura apressada de oposições. Diante da horta móvel, por exemplo, aparecem cultura e natureza, tradição e inovação e público e privado. O foco, porém, está na separação entre cidade e campo. Nas questões sobre nomadismo e sedentarismo, o estudante pode se distrair com atividades econômicas ou estruturas isoladas e deixar de observar o traço central: mobilidade periódica ou permanência territorial. Para reduzir esse equívoco, peça que localizem no texto as evidências que sustentam a alternativa escolhida.

Há ainda distratores que propõem uma hierarquia evolucionista, como considerar a fixação urbana uma forma mais avançada de organização. Essa leitura não decorre dos casos apresentados: mobilidade e permanência são características para análise, não notas de valor. Nas questões históricas, também convém distinguir o que os vestígios permitem inferir do que não foi informado, evitando atribuir aos grupos estruturas políticas ou práticas que o texto não descreve.

Como trabalhar em sala

  • Faça um mapa de conceitos no quadro. Organize cidade, campo, mobilidade, permanência, nomadismo e sedentarismo. Convide a turma a associar cada termo a evidências concretas, deixando claro que são ferramentas de análise e não rótulos definitivos.
  • Compare situações sem hierarquizá-las. Use os casos das hortas móveis, da associação que circula entre áreas de coleta e cidade e da cooperativa rural. Peça que os estudantes identifiquem o que combina elementos de diferentes espaços e quais informações o texto oferece.
  • Leia os distratores como raciocínios. Depois da resposta individual, analise uma alternativa incorreta por vez. Pergunte que parte do enunciado ela ignora ou que conclusão acrescenta sem evidência. Isso transforma o gabarito em atividade de leitura crítica.
  • Trabalhe com uma tabela de evidências. Em duplas, os alunos podem registrar “mobilidade”, “permanência”, “aprendizagem” e “classificação” em colunas, citando a passagem que apoia cada interpretação. Papel e quadro bastam.
  • Feche com uma síntese curta. Peça que cada estudante escreva uma frase explicando por que categorias como urbano/rural ou nômade/sedentário ajudam a analisar, mas podem simplificar experiências diversas. Retome a diferença entre ferramenta conceitual e classificação rígida.

Questões prontas de Cidades e campos: oposições e ambivalências para a 3ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)

As oito questões abaixo percorrem conceitos, situações cotidianas e leitura de vestígios. Você pode aplicá-las em sequência ou selecionar blocos para diagnóstico e revisão. Em todas, vale pedir que a turma justifique a resposta com elementos do enunciado.

1. Formação cultural e habilidade na dança

Coreógrafos do programa fictício Palco Aberto analisam 32 inscrições para bolsas de formação em dança. Catorze candidatos frequentaram cursos regulares, enquanto dezoito não tiveram essa possibilidade. Entre estes últimos, onze ensaiavam semanalmente em festas religiosas, coletivos de bairro ou com vídeos compartilhados por colegas. A ficha de seleção, porém, registra apenas os cursos regulares como “formação cultural” e classifica os demais casos como “aptidão natural”. Essa classificação concede pontuação adicional aos candidatos considerados naturalmente talentosos, embora os registros também indiquem diferentes formas de aprendizagem, acesso desigual a espaços de ensino e práticas coletivas de treinamento. Analise o critério de seleção e, considerando os tipos ideais de Weber como instrumentos analíticos, identifique a revisão sociológica mais consistente para essa classificação.

  • ❌ A) Trata a frequência a cursos regulares como prova de uma cultura superior à aprendizagem informal. O texto mostra diferentes formas de aprendizagem, mas não permite concluir que uma represente cultura superior.
  • ✅ B) Trata a habilidade corporal como resultado de disposições socialmente formadas, sem opor rigidamente natureza e cultura. As práticas coletivas e o acesso desigual a espaços de ensino indicam que a habilidade se forma em trajetórias sociais diversas.
  • ❌ C) Trata os grupos registrados na ficha como identidades fixas, aplicáveis do mesmo modo a todos os participantes. A ficha estabelece uma classificação, mas isso não torna os grupos identidades fixas nem autoriza aplicá-los indistintamente.
  • ❌ D) Trata a ausência de curso regular como evidência de talento inato e de menor influência social. A ausência de curso não prova talento inato; o enunciado registra outras formas de aprendizagem.
  • ❌ E) Trata a habilidade corporal como dom natural, independentemente das oportunidades de aprendizagem disponíveis. Essa alternativa ignora as práticas e as desigualdades de acesso descritas no caso.

Gabarito comentado: B. A análise sociológica considera as disposições socialmente formadas e usa tipos ideais como instrumentos, não como rótulos rígidos. A alternativa E é especialmente tentadora porque repete a classificação da ficha, mas desconsidera evidências do próprio enunciado.

2. Classificações urbano/rural e mobilidade

Uma associação de catadoras e coletores vive na borda de uma capital amazônica. Usa um galpão perto do porto para separar sementes, resinas e frutas que chegam de áreas de coleta e quintais agroflorestais. Em alguns meses, integrantes passam semanas nas áreas de coleta; em outros, ficam mais tempo no entorno urbano para vender em feiras, acessar serviços de saúde e resolver documentos. Um cadastro exige que escolham entre “rural” e “urbana” segundo critérios de endereço fixo. Um técnico afirma que o desenvolvimento pede fixação e urbanização, mas a associação explica que circula por necessidades de trabalho e vínculos comunitários. Qual crítica sociológica às classificações é mais adequada, considerando tipologias como nômade/sedentário?

  • ❌ A) Explicar o conflito como anomia, resultante da falta de normas, sem relação com classificações dicotômicas. Anomia não esclarece a centralidade do enquadramento urbano/rural no cadastro.
  • ❌ B) Reduzir o impasse a disputa de classes pelo controle do comércio, dispensando a crítica às tipologias do cadastro. A dimensão econômica não elimina a questão classificatória e simbólica apresentada.
  • ✅ C) Compreender urbano e rural como tipos ideais, sem tratá-los como etapas superiores e inferiores de vida social. A situação mostra práticas híbridas; as categorias não devem ser convertidas em uma escala de evolução.
  • ❌ D) Afirmar que a mobilidade sazonal revela atraso e que a fixação urbana é a forma mais evoluída de organização. Essa leitura cria uma hierarquia que o caso não sustenta e ignora a inserção urbana descrita.
  • ❌ E) Defender que o modo de vida rural deve permanecer separado da cidade para preservar uma cultura pura. A circulação relatada contraria a ideia de culturas isoladas e imutáveis.

Gabarito comentado: C. Tipos ideais ajudam a interpretar, mas não devem ser reificados nem transformados em etapas de progresso. O cadastro reduz uma trajetória móvel a duas opções fixas.

3. Prática que exemplifica vida sedentária

Profissionais que trabalham remotamente viajam por diferentes cidades e ficam em cada local por algumas semanas. Em contraste, uma cooperativa rural formada por ex-nômades digitais constrói casas de alvenaria em terreno comum, dedica-se à agricultura orgânica e mantém uma horta coletiva permanente. Qual prática exemplifica a forma de vida sedentária segundo a tipologia apresentada?

  • ❌ A) Deslocamento mensal entre capitais brasileiras para trabalho remoto. Indica mobilidade periódica, não assentamento sedentário.
  • ❌ B) Acomodação em diferentes hostels a cada quinzena. Estadias curtas e mudança frequente apontam para mobilidade.
  • ❌ C) Uso itinerante de vans adaptadas como moradia temporária. A moradia móvel e temporária não caracteriza fixação permanente.
  • ❌ D) Rotação constante em espaços de coworking urbanos. A mudança frequente de local de trabalho não demonstra permanência territorial.
  • ✅ E) Residência fixa em casas construídas pela cooperativa rural. As casas permanentes e o uso coletivo do terreno indicam assentamento fixo.

Gabarito comentado: E. O elemento decisivo é a residência fixa vinculada a um território. As outras alternativas descrevem circulação ou mudança frequente, traços associados à mobilidade.

4. Característica da tipologia nômade

Um texto descreve profissionais que mudam de cidade a cada três meses, usam coworkings e alugam moradias de curta duração. Em contraste, trabalhadores de cooperativas agrícolas permanecem por décadas em uma comunidade rural, com trabalho e moradia vinculados ao território. Qual característica evidencia a tipologia nômade no primeiro caso?

  • ✅ A) Deslocamento periódico entre diferentes cidades sem residência permanente. A mobilidade territorial e a ausência de assentamento fixo são os traços destacados.
  • ❌ B) Organização de atividades laborais em espaços coletivos de longa duração. A permanência prolongada em um espaço não é o que define o caso descrito.
  • ❌ C) Estabelecimento de moradia em comunidade rural cooperativa. Essa situação corresponde ao exemplo de vínculo territorial prolongado.
  • ❌ D) Cultivo de plantações que dependem de solo específico para produção contínua. Trata-se de atividade vinculada a um território, não de deslocamento entre cidades.
  • ❌ E) Manutenção de vínculos econômicos e sociais fixos em um mesmo território. Essa característica descreve permanência e contrasta com a mobilidade narrada.

Gabarito comentado: A. A resposta se apoia no deslocamento periódico sem residência permanente. É importante distinguir a tipologia do caso específico de qualquer juízo sobre o valor desse estilo de vida.

5. Hortas móveis e oposição entre cidade e campo

Em metrópoles, grupos organizam hortas móveis em carrinhos instalados em praças, que ficam por semanas em um bairro antes de seguir para outro. Os participantes cultivam alimentos em recipientes, usam sementes tradicionais e aprendem coletivamente compostagem e irrigação. A iniciativa também promove a apropriação do espaço público e aproxima as pessoas da terra. Qual oposição dicotômica é questionada por essa prática?

  • ❌ A) A distinção entre cultura e natureza. Embora relacionada ao cultivo, não é a oposição espacial destacada no enunciado.
  • ❌ B) O confronto entre centro e periferia. O texto menciona diferentes bairros, mas não apresenta essa oposição como tema central.
  • ❌ C) A divisão entre tradição e inovação. A convivência de práticas não faz dessa a dicotomia principal da questão.
  • ✅ D) A separação entre cidade e campo. A produção de alimentos em praças urbanas reúne práticas associadas ao campo dentro da cidade.
  • ❌ E) A polarização entre público e privado. A apropriação do espaço público aparece, mas o foco da pergunta é a relação cidade/campo.

Gabarito comentado: D. A horta urbana aproxima cultivo e espaço citadino, questionando a separação rígida entre campo e cidade. As outras alternativas partem de elementos presentes, mas secundários.

6. Mobilidade sazonal e nomadismo

À beira de um lago sazonal no Pantanal, famílias desmontam tendas quando o nível da água muda e montam novo abrigo onde o curso avançou. Quando a cheia recua, seguem para outra palafita alugada. Em outra área, um assentamento agroextrativista mantém casas e roças permanentes, com cooperação comunitária fixa. Qual traço caracteriza a população nômade descrita?

  • ❌ A) Estabelecimento de feiras semanais em praça central. A realização de feiras não demonstra mudança de abrigo ou mobilidade sazonal.
  • ❌ B) Formação de cooperativa local de artesãos para gestão coletiva. A associação coletiva, por si só, não caracteriza deslocamento nômade.
  • ✅ C) Mobilidade sazonal de acampamentos conforme o curso do lago. A mudança de abrigo conforme as águas é a evidência direta de mobilidade.
  • ❌ D) Permanência de moradias fixas dedicadas ao cultivo rotativo de roças. A moradia fixa e a permanência apontam para sedentarismo.
  • ❌ E) Realização de rituais religiosos em sítio sagrado ancestral. O ritual localizado não informa que a população mude de abrigo.

Gabarito comentado: C. O texto associa a mudança sazonal das águas à desmontagem e à transferência dos abrigos. A atividade econômica ou cultural, isoladamente, não define nomadismo.

7. Vestígios de uma sociedade sedentária

Arqueólogos estudam dois sítios vizinhos. Em um, encontram tendas leves e ferramentas de caça portáteis; no outro, silos de pedra para estocar cevada e alicerces de construções reutilizados por várias gerações. Qual elemento caracteriza a sociedade sedentária descrita?

  • ❌ A) Deslocamentos sazonais acompanhando rotas de pastagem. O deslocamento sazonal indica mobilidade, não ocupação contínua de um local.
  • ❌ B) Acampamentos temporários em áreas de passagem. A ocupação provisória não corresponde à permanência por gerações.
  • ❌ C) Ferramentas de caça portáteis empregadas em expedições. Esses objetos são compatíveis com deslocamentos e não demonstram fixação.
  • ❌ D) Montagem de tendas leves sustentadas por estacas de madeira. Estruturas transportáveis indicam ocupação temporária no contexto apresentado.
  • ✅ E) Uso de silos para guardar a produção agrícola. O armazenamento de cevada, junto à ocupação contínua indicada pelas construções, aponta para permanência territorial.

Gabarito comentado: E. Os silos evidenciam armazenamento de produção no local e se relacionam aos vestígios de ocupação continuada. A alternativa D descreve o outro padrão encontrado no texto.

8. Diferença entre populações nômades e sedentárias

Em escavações no planalto central, um sítio apresenta acampamentos provisórios, restos de fogueiras e ferramentas portáteis, sem estruturas fixas. Em outro, há fundações de cabanas, silos de armazenamento e vestígios de hortas domésticas. Qual característica distingue populações nômades de sedentárias nesse contexto?

  • ✅ A) Mobilidade periódica em busca de recursos alimentares. Os acampamentos provisórios e as ferramentas portáteis são associados no texto à mobilidade.
  • ❌ B) Cultivo intensivo de plantas em terraços agrícolas. Essa prática não é mencionada e não corresponde ao indício apresentado para o grupo nômade.
  • ❌ C) Construção de monumentos cerimoniais duradouros. O enunciado não registra monumentos nem permite usá-los como evidência.
  • ❌ D) Estrutura política centralizada em vilas fortificadas. Não há referência a fortificações ou centralização política.
  • ❌ E) Uso de rotas comerciais de longa distância. O texto não menciona comércio ou rotas comerciais.

Gabarito comentado: A. A resposta relaciona acampamentos provisórios e ferramentas portáteis à mobilidade descrita. A questão também reforça que não devemos atribuir aos vestígios informações que não aparecem no texto.

Para fechar e seguir

Depois da correção, retome com a turma as evidências usadas para identificar mobilidade, permanência e classificações sociais. Para ampliar a sequência, consulte as questões da habilidade EM13CHS105. Você também pode adaptar esta seleção no gerador de provas do GeraProva e começar pelo cadastro grátis.

Use as questões como ponto de partida e ajuste a aplicação ao percurso da sua turma. No GeraProva, você pode organizar provas e atividades com apoio de IA, mantendo a revisão pedagógica nas suas mãos.

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