Em uma floricultura, a responsável anota falas ouvidas durante o atendimento e identifica a situação em que…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Reconhecer as variedades da língua falada, o conceito de norma-padrão e o de preconceito linguístico.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma floricultura, a responsável anota falas ouvidas durante o atendimento e identifica a situação em que ocorreram. | Falante e situação | Trecho registrado | |---|---| | Cliente conversando com um familiar | “As muda chegou hoje.” | | Funcionária explicando um pedido por telefone | “As mudas chegaram hoje.” | | Cliente conversando com um amigo | “A gente vai levar essas flores.” | Considerando a tabela, como você relaciona as formas de falar registradas, a norma-padrão e o respeito aos falantes?
- A) O registro “as muda chegou” parece indicar que a responsável anotou a fala de maneira incompleta, sem reproduzir com precisão o que a cliente disse. A forma pretendida seria “as mudas chegaram hoje”, de acordo com a concordância apresentada no atendimento por telefone. Assim, a diferença entre os trechos se explica pelo modo de registrar as falas, e não por variedades linguísticas dos falantes.
- B) As falas mostram variedades da língua adequadas a diferentes situações de comunicação. A forma “as muda chegou” não segue a concordância esperada pela norma-padrão, mas isso não torna inferior a maneira de falar de quem a usa. A norma-padrão é importante em contextos formais, enquanto a fala cotidiana pode apresentar outras formas; por isso, não se deve julgar a inteligência ou o valor de uma pessoa por sua variedade linguística.
- C) A tabela permite concluir que cada falante mantém uma forma habitual de expressão ligada à sua origem familiar. A cliente usa “as muda chegou” tanto por seu modo próprio de falar quanto na conversa com o amigo, enquanto a funcionária escolhe a forma padrão por sua função. As diferenças, portanto, descrevem características permanentes de cada pessoa, e não escolhas que podem variar conforme o contexto.
- D) As falas indicam que a situação define qual forma é correta: na conversa entre conhecidos, “as muda chegou” funciona como padrão adequado, enquanto no atendimento por telefone se espera “as mudas chegaram”. A norma-padrão serve sobretudo para situações profissionais, e a maneira usada em casa ou entre amigos não precisa ser considerada ao avaliar a língua. Assim, a adequação depende do lugar social em que a fala ocorre, não de diferentes variedades linguísticas.
- E) A norma-padrão é o modelo que deve orientar a avaliação de todas as falas da tabela. “As mudas chegaram hoje” está de acordo com a concordância, enquanto “as muda chegou” e “a gente vai levar essas flores” mostram construções que precisam ser corrigidas. As diferenças entre conversa familiar e atendimento não mudam esse critério, e o uso de formas fora do padrão indica pouco domínio da língua.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- A expressão “as mudas chegaram” segue a concordância esperada pela norma-padrão: o artigo e o substantivo estão no plural, assim como o verbo.
- Em “as muda chegou”, há uma forma que não segue essa concordância, mas isso não permite concluir que a falante seja menos inteligente ou que sua maneira de falar tenha menor valor. A língua apresenta variedades, e a norma-padrão é especialmente relevante em determinados contextos formais.
- “A gente vai levar essas flores” também é uma construção corrente: “a gente” combina com verbo na terceira pessoa do singular. A alternativa B reconhece a variação linguística sem desvalorizar os falantes.
- A está errada porque presume falha de registro; C atribui hábitos permanentes e origem familiar sem base na tabela; D reduz a adequação a uma oposição rígida entre contextos; E trata a norma-padrão como única forma legítima e interpreta a variação como falta de domínio.
💡 Dica: Compare as formas de concordância sem tratar a variedade não padrão como inferior.
Alternativa por alternativa
A alternativa supõe, sem evidência, que a responsável registrou a fala da cliente de modo incompleto ou impreciso. A diferença pode representar uma variedade linguística, e não um erro de anotação.
A tabela registra escolhas linguísticas diferentes conforme os falantes e as situações. Reconhecer a norma-padrão não significa considerar erradas ou inferiores todas as formas usadas na fala cotidiana.
A alternativa atribui as formas linguísticas a características permanentes de cada pessoa e à origem familiar, embora a tabela não forneça dados para essas conclusões. As variedades e escolhas linguísticas podem variar conforme o contexto.
A alternativa confunde adequação a uma situação com a ideia de que cada contexto estabelece uma forma correta própria. A norma-padrão é uma variedade valorizada em certos contextos, mas outras formas de falar não são, por isso, inferiores.
Por que engana: Confundir norma-padrão com a única forma legítima de falar e julgar o falante por isso.
A alternativa toma a norma-padrão como único critério legítimo para avaliar toda fala e conclui que formas diferentes revelam pouco domínio da língua. Além disso, “a gente vai levar” apresenta concordância adequada com o uso de “a gente” como sujeito singular.
Raio-X da questão
Variedades linguísticas, norma-padrão e adequação comunicativa
avaliacao
Distinção entre língua falada e norma-padrão · Reconhecimento de marcas de oralidade e concordância verbal e nominal
Preconceito linguístico e adequação das variedades às situações de comunicação
Confundir norma-padrão com a única forma legítima de falar e julgar o falante por isso.
Respeito à diversidade e combate ao preconceito linguístico
Respeito à diversidade e empatia
cotidiano
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