Linha do tempo da participação de crianças, adolescentes e comunidade na vida pública e educacional: 1988 | A…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Linha do tempo da participação de crianças, adolescentes e comunidade na vida pública e educacional: 1988 | A Constituição Federal estabelece que o poder emana do povo e prevê a gestão democrática do ensino público. 1990 | O Estatuto da Criança e do Adolescente reconhece a participação na vida política como aspecto da liberdade. 1996 | A Lei de Diretrizes e Bases prevê a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. Para Erich Fromm, em sociedades orientadas pelo mercado, pessoas podem passar a perceber a si mesmas como mercadorias. Nessa orientação, qualidades, opiniões e modos de agir tendem a ser avaliados pelo êxito em atrair aprovação e obter aceitação, em vez de expressarem capacidades desenvolvidas de modo autônomo. Em um fórum municipal de juventude, a instituição responsável decide escolher representantes por uma pontuação que soma número de seguidores em redes sociais, certificados de cursos de liderança e quantidade de postagens que receberam reações. Propostas para o bairro e experiências de participação coletiva não entram na seleção. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988; BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, DF, 1990; BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF, 1996; FROMM, Erich. Escape from Freedom. New York: Farrar & Rinehart, 1941 (adaptado). Com base na linha do tempo, na situação apresentada e na análise de Fromm, qual conclusão relaciona os efeitos do critério de seleção sobre os desejos e hábitos valorizados pelos participantes a uma mudança no processo que favoreça uma participação coerente com os marcos legais apresentados?
- A) O critério tende a incentivar os jovens a tratar sua imagem, seus certificados e sua visibilidade como atributos de troca por reconhecimento público, o que se aproxima da orientação mercantil analisada por Fromm. Ao privilegiar reações e credenciais em vez de propostas e experiências coletivas, a instituição estimula hábitos de autopromoção e limita a participação substantiva prevista nos marcos legais. Um processo mais coerente poderia selecionar representantes pela discussão pública de propostas para o bairro, com avaliação coletiva e possibilidade de participação de jovens com trajetórias diversas.
- B) O modelo tende a valorizar nos jovens habilidades de comunicação e organização, tomando certificados, seguidores e reações como indícios de que podem apresentar demandas da comunidade. Desse modo, os critérios favorecem uma representação eficiente, ainda que aproximem a escolha de uma lógica de mercado descrita por Fromm. Para tornar o processo mais coerente com os marcos legais, a instituição poderia substituir a soma de indicadores por uma avaliação de apresentações individuais, conduzida por uma comissão que reconheça a clareza dos argumentos e a capacidade de falar em nome dos demais, sem depender da popularidade de cada participante.
- C) A escolha por seguidores e reações tende a orientar os jovens para temas capazes de despertar interesse público, aproximando a busca por reconhecimento de uma forma de participação política. Nessa leitura, a popularidade resultante das interações digitais expressaria a preferência da comunidade, ainda que as propostas e as experiências coletivas não sejam consideradas diretamente. Para se aproximar dos marcos legais, a instituição poderia transformar a pontuação em uma votação aberta entre os jovens, mantendo a visibilidade como referência para identificar quais representantes recebem apoio e podem levar as demandas juvenis aos espaços públicos.
- D) A pontuação tende a levar os jovens a destacar qualidades pessoais e a buscar reconhecimento, mas esse movimento pode ser entendido como expressão de autonomia, pois cada participante procura comunicar aquilo que o distingue. Nessa leitura, a visibilidade não transforma capacidades em mercadorias, e sim oferece meios de apresentar interesses próprios à comunidade. Um processo mais coerente com os marcos legais poderia organizar apresentações públicas de propostas e permitir que os participantes avaliassem a repercussão de suas ideias, considerando as reações como sinal de interesse coletivo e de identificação dos jovens com os temas apresentados.
- E) A orientação mercantil tende a explicar por que os jovens podem buscar aprovação e exibir suas qualidades, enquanto a pontuação da instituição funcionaria como registro de hábitos já consolidados, sem interferir naquilo que passam a valorizar. Nessa interpretação, a seleção não estimularia a autopromoção, embora pudesse reforçar diferenças de visibilidade entre os participantes. Uma mudança mais coerente com os marcos legais seria promover, antes da escolha, atividades de reflexão sobre participação política e gestão democrática, preparando os jovens para reconhecer propostas coletivas e para contribuir nos espaços de decisão educacional e pública.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Os marcos legais apresentados reconhecem a participação política e a gestão democrática, incluindo a participação das comunidades em espaços de decisão.
- O critério descrito premia seguidores, certificados e reações, mas ignora propostas e experiências coletivas. Isso incentiva os jovens a cultivar atributos que rendam aprovação e reconhecimento, como se fossem valores de troca, aproximando-se da orientação mercantil analisada por Fromm.
- A alternativa A identifica esse efeito e propõe avaliar publicamente propostas para o bairro, com participação coletiva e abertura a trajetórias diversas. Assim, a escolha se volta à contribuição substantiva, e não à autopromoção.
- B troca a popularidade por apresentações julgadas por uma comissão, sem garantir participação coletiva; C mantém a popularidade como critério por meio de votação; D trata a busca por visibilidade como autonomia e ainda valoriza reações; E percebe a influência mercantil, mas erra ao dizer que a pontuação não interfere nos hábitos valorizados pelos jovens.
💡 Dica: Verifique se os critérios promovem expressão autônoma e participação coletiva ou busca de aprovação e visibilidade.
Alternativa por alternativa
A resposta relaciona os indicadores escolhidos pela instituição à valorização social da visibilidade e da credencial como recursos de aceitação. Também contrapõe esse mecanismo aos marcos legais que associam participação à vida política e à gestão democrática.
Supõe que certificados e popularidade sejam bons indicadores de representação e propõe uma avaliação individual por comissão, que continua sem priorizar deliberação e propostas coletivas.
Confunde popularidade nas redes com preferência política representativa e mantém a visibilidade como critério, sem assegurar que propostas e experiências coletivas orientem a escolha.
Interpreta a busca por aprovação e destaque como expressão de autonomia, embora o enunciado descreva a conversão de qualidades em atributos avaliados pelo reconhecimento externo.
Por que engana: Confundir popularidade e credenciais com representação efetiva da comunidade.
Reconhece a lógica mercantil, mas considera que o sistema de pontuação apenas registra hábitos e não os incentiva; por isso, sua mudança proposta não corrige diretamente o critério de seleção.
Raio-X da questão
Orientação mercantil da personalidade e participação democrática.
avaliacao
Conceito de orientação mercantil em Erich Fromm. · Marcos legais de participação e gestão democrática.
A crítica de Fromm à transformação de qualidades pessoais em mercadorias.
Confundir popularidade e credenciais com representação efetiva da comunidade.
Cidadania e participação social.
Pensamento crítico e participação responsável.
cotidiano
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