Durante a revisão de um audioguia de um museu, a equipe comparou duas versões de uma orientação ao público. Na…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar, em textos de diferentes gêneros, marcas que expressam a posição do enunciador frente àquilo que é dito: uso de diferentes modalidades (epistêmica, deôntica e apreciativa) e de diferentes recursos gramaticais que operam como modalizadores (verbos modais, tempos e modos verbais, expressões modais, adjetivos, locuções ou orações adjetivas, advérbios, locuções ou orações adverbiais, entonação etc.), uso de estratégias de impessoalização (uso de terceira pessoa e de voz passiva etc.), com vistas ao incremento da compreensão e da criticidade e ao manejo adequado desses elementos nos textos produzidos, considerando os contextos de produção.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Durante a revisão de um audioguia de um museu, a equipe comparou duas versões de uma orientação ao público. Na primeira: “É indispensável que os visitantes não toquem nas peças expostas.” Na segunda: “Recomenda-se aos visitantes que não toquem nas peças expostas.” A equipe pretende escolher a versão que melhor corresponda a uma orientação preventiva, sem apresentá-la como obrigação absoluta. Considerando a modalização e a construção sintática das duas versões, qual análise justifica a escolha da segunda formulação para o objetivo indicado?
- A) A segunda formulação apresenta a orientação como recomendação, menos categórica que a necessidade expressa por “é indispensável”; em “recomenda-se aos visitantes que”, a regência associa a recomendação ao destinatário, e “não toquem” mantém o subjuntivo exigido pela construção.
- B) A segunda formulação transforma a orientação em ordem direta, pois “recomenda-se” equivale a um comando; “aos visitantes” indica o destinatário, e “não toquem” está no subjuntivo por formar o imperativo negativo.
- C) A segunda formulação apresenta uma recomendação, menos categórica que a necessidade de “é indispensável”; “aos visitantes” indica o destinatário, mas “não toquem” está no subjuntivo porque expressa dúvida, e não por exigência da construção.
- D) A segunda formulação mantém a orientação como obrigação, pois “recomenda-se” tem valor tão categórico quanto “é indispensável”; “aos visitantes” indica o agente da recomendação, e “não toquem” está no subjuntivo por expressar uma ordem.
- E) A segunda formulação é menos categórica por apresentar um conselho; porém, “aos visitantes” funciona como sujeito de “recomenda-se”, e “não toquem” fica no subjuntivo para concordar com esse sujeito plural.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- “É indispensável” expressa necessidade de modo categórico, enquanto “recomenda-se” apresenta a orientação como recomendação, adequada ao objetivo de evitar uma obrigação absoluta.
- Em “recomenda-se aos visitantes que não toquem”, “aos visitantes” indica a quem se dirige a recomendação. A oração introduzida por “que” traz o verbo no subjuntivo, modo exigido nessa construção de recomendação.
- A alternativa A descreve corretamente a diferença de modalização e a construção sintática. B erra ao equiparar recomendação a ordem direta; C atribui o subjuntivo à dúvida; D trata recomendação como obrigação tão categórica quanto indispensabilidade; E confunde o destinatário com o sujeito de “recomenda-se” e atribui a ele a concordância de “toquem”.
💡 Dica: Compare a força modal das expressões e verifique a função de “aos visitantes” e o uso do subjuntivo.
Alternativa por alternativa
“É indispensável” expressa necessidade forte, enquanto “recomenda-se” modaliza o enunciado como conselho. Na segunda versão, “aos visitantes” indica a quem se dirige a recomendação, e a oração introduzida por “que” traz o verbo no subjuntivo.
O aluno confunde o valor de recomendação de “recomenda-se” com o de uma ordem direta. Embora o imperativo negativo também use formas do subjuntivo, esse não é o motivo do subjuntivo na oração subordinada da frase.
O aluno percebe corretamente que a formulação é uma recomendação menos categórica, mas interpreta o subjuntivo como expressão de dúvida. Nesse contexto, o modo verbal é exigido pela construção de recomendação.
O aluno trata “recomenda-se” como equivalente a “é indispensável”, ignorando a diferença de força entre recomendação e necessidade categórica. Também confunde o destinatário da recomendação com o agente dela.
Por que engana: Interpretar “recomenda-se” como ordem categórica ou atribuir a “aos visitantes” função de sujeito.
O aluno identifica o menor grau de imposição, mas toma “aos visitantes”, que é destinatário, como sujeito de “recomenda-se”. O subjuntivo de “toquem” decorre da construção de recomendação, não da concordância com esse termo.
Raio-X da questão
Modalização e posicionamento do enunciador
avaliacao
Modalidade deôntica e graus de força · Regência e funções sintáticas
Efeitos de sentido de expressões modalizadoras
Interpretar “recomenda-se” como ordem categórica ou atribuir a “aos visitantes” função de sujeito.
Educação patrimonial
Responsabilidade no cuidado com o patrimônio coletivo
cotidiano
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