No debate sobre desigualdades e mobilidade social no Brasil contemporâneo, considere os seguintes dados sobre…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar as características socioeconômicas da sociedade brasileira – com base na análise de documentos (dados, tabelas, mapas etc.) de diferentes fontes – e propor medidas para enfrentar os problemas identificados e construir uma sociedade mais próspera, justa e inclusiva, que valorize o protagonismo de seus cidadãos e promova o autoconhecimento, a autoestima, a autoconfiança e a empatia.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No debate sobre desigualdades e mobilidade social no Brasil contemporâneo, considere os seguintes dados sobre trajetórias entre gerações: Origem no estrato baixo: 62% permanecem no estrato baixo, 31% estão no médio e 7% no alto. Origem no estrato médio: 24% estão no estrato baixo, 58% permanecem no médio e 18% estão no alto. Origem no estrato alto: 5% estão no estrato baixo, 30% estão no médio e 65% permanecem no alto. Os dados não identificam causas individuais, mas permitem comparar trajetórias entre gerações. Considerando os dados e o debate sobre desigualdades no Brasil contemporâneo, qual interpretação analisa adequadamente a relação entre origem social e mobilidade intergeracional?
- A) A origem social condiciona, sem determinar, as trajetórias, pois a permanência no estrato de origem é elevada nos extremos.
- B) A permanência no estrato alto comprova igualdade de oportunidades, pois a maioria das pessoas desse grupo mantém sua posição.
- C) A mobilidade entre estratos é semelhante para todas as origens sociais, pois há pessoas que mudam de posição em cada grupo.
- D) A origem social determina rigidamente a posição socioeconômica adulta, pois a maioria das pessoas permanece no mesmo estrato.
- E) A posição socioeconômica adulta define a condição social de origem, pois os estratos atuais concentram pessoas com trajetórias semelhantes.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Leia a questão com atenção. Ela pede a interpretação que analisa adequadamente a relação entre origem social e mobilidade intergeracional, usando as três tabelas de trajetórias (origem baixa, média e alta). Passo 2: Resolva por conta própria. Em cada origem, a maior parte das pessoas permanece no mesmo estrato: 62% na origem baixa, 58% na média e 65% na alta. Isso mostra que a origem pesa bastante na posição adulta. Passo 3: Verifique se essa influência é absoluta. Não é, porque há 38% de quem sai do estrato baixo, 42% de quem sai do médio e 35% de quem sai do alto. Logo, a origem condiciona as trajetórias, mas não as determina por completo. Passo 4: A alternativa A descreve exatamente isso: a origem condiciona, sem determinar, e a permanência é elevada nos extremos (62% e 65%). Passo 5: Por que as outras estão erradas. B: a permanência no topo mostra concentração de vantagens, não igualdade de oportunidades, e a maioria no alto não prova nada sobre igualdade. C: mesmo que todas as origens tenham algum movimento, as distribuições são diferentes (por exemplo, 5% da origem alta caem para o estrato baixo, contra 24% da origem média), então a mobilidade não é semelhante. D: a maioria permanece, mas não 'todos'; 'determina rigidamente' é uma afirmação mais forte do que os dados permitem, pois mais de um terço muda de estrato. E: inverte a relação causal, pois os dados partem da origem para a posição adulta, e não o contrário. Passo 6: Conclusão: o gabarito oficial A está correto e a análise confirma essa resposta.
💡 Dica: Compare as taxas de permanência e mobilidade entre as três origens.
Alternativa por alternativa
A alternativa reconhece simultaneamente a existência de mobilidade e a influência persistente da origem social.
Confunde persistência no topo com igualdade de oportunidades, tratando a permanência de quem já está no alto como prova de que o acesso é justo para todos.
Acredita que, por haver pessoas que mudam de estrato em todos os grupos, a mobilidade é igual para todas as origens, sem comparar as proporções de cada tabela.
Interpreta que a maioria que permanece significa determinação rígida total, ignorando que uma parcela significativa (cerca de 35% a 42%) muda de estrato.
Inverte a direção da relação entre origem e posição adulta, supondo que a posição atual define a origem, quando os dados medem a trajetória a partir da origem.
Raio-X da questão
Mobilidade social intergeracional condicionada pela origem.
Distinguir condicion
Estratificação social. · Mobilidade social intergeracional.
Diferença entre condicionamento social e determinismo.
Confundir alta permanência em um estrato com determinação absoluta ou igualdade de oportunidades.
Redução das desigualdades.
Pensamento crítico.
Análise de mobilidad
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