“Meu documento dizia uma coisa, mas o modo como eu era chamado no balcão dizia outra”, relata uma mulher trans…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar e discutir as diversidades identitárias e seus significados históricos no início do século XXI, combatendo qualquer forma de preconceito e violência.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
“Meu documento dizia uma coisa, mas o modo como eu era chamado no balcão dizia outra”, relata uma mulher trans em um acervo digital de uma cidade fictícia. Para preparar a formação de servidores públicos, o arquivo reuniu depoimentos de travestis, homens trans, mulheres trans e pessoas não binárias, gravados entre 2001 e 2023. Também incluiu panfletos de associações, notícias sobre agressões e normas que passaram a admitir o uso do nome social em determinados serviços. Nos relatos mais recentes, algumas pessoas reconhecem avanços no atendimento, mas ainda narram recusas, constrangimentos e violência. A equipe responsável pelo material debate como apresentar essas fontes sem tratar as experiências trans como iguais entre si nem como um problema individual. Com base no conjunto de fontes, conclua qual orientação para a formação de servidores contribui para enfrentar a violência sem apagar as diferenças identitárias.
- A) Orientar ações pela revisão contínua do atendimento, articulando direitos formais às trajetórias diversas das pessoas trans.
- B) Orientar ações apenas pelas normas vigentes, pois a existência do nome social elimina práticas discriminatórias.
- C) Orientar ações pela separação entre documentos oficiais e depoimentos, pois memórias pessoais não explicam processos históricos.
- D) Orientar ações pela ideia de que a violência resulta somente de conflitos individuais, sem relação com instituições.
- E) Orientar ações pela supressão de identidades específicas, para que todos recebam atendimento exatamente igual.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Identifique o problema central do enunciado. A equipe quer apresentar as fontes sobre pessoas trans sem tratar essas experiências como iguais entre si e sem reduzi-las a problemas individuais. Além disso, a formação de servidores deve enfrentar a violência institucional.
- Analise o conjunto de fontes. Os depoimentos mostram que existem normas que admitem o nome social, mas que, na prática, persistem recusas, constrangimentos e violência no balcão. Ou seja, o direito formal existe, mas não garante, sozinho, um atendimento respeitoso e igualitário.
- Procure a orientação que combine essas duas exigências. A alternativa A propõe a revisão contínua do atendimento, o que enfrenta a violência ao longo do tempo, e articula os direitos formais às trajetórias diversas das pessoas trans, o que preserva as diferenças identitárias. Essa é a resposta que, por conta própria, considero correta.
- Verifique as demais alternativas. A alternativa B é errada porque as fontes mostram que a norma, sozinha, não elimina a discriminação. A alternativa C é errada porque separa documentos e depoimentos, quando as memórias pessoais são justamente o que revela a prática concreta. A alternativa D é errada porque nega a dimensão institucional da violência, que aparece nos relatos de balcão. A alternativa E é errada porque suprimir identidades específicas contraria a proposta de não apagar as diferenças.
- Conclusão. A resposta correta é a alternativa A, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise os relatos e normas para identificar orientações inclusivas e respeitosas.
Alternativa por alternativa
Correta. As fontes mostram avanços normativos e permanências de discriminação; por isso, o atendimento deve reconhecer vivências diversas e rever práticas institucionais.
O aluno supõe que, havendo norma que admite o nome social, a discriminação estaria automaticamente resolvida. Ignora que os relatos recentes ainda narram recusas e constrangimentos apesar da norma.
O aluno acredita que depoimentos pessoais não têm valor para explicar processos sociais e históricos, separando de forma rígida documentos oficiais e memórias. Isso contraria o uso das fontes orais para revelar práticas reais.
O aluno entende que a violência é apenas um conflito entre indivíduos, desconsiderando o papel das instituições e do atendimento no balcão. Os relatos mostram justamente que a violência também se realiza por meio de práticas institucionais.
O aluno confunde igualdade de tratamento com uniformidade, achando que atender todos da mesma forma exige apagar identidades específicas. A proposta do enunciado é justamente não apagar essas diferenças.
Raio-X da questão
identidade trans e diversidade
diagnostico
direitos humanos e cidadania · identidade de gênero
estude diversidade identitária e políticas públicas de inclusão
Confundir experiências trans como homogêneas ou tratar a violência como problema individual.
cidadania_etica
empatia
cotidiano
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