Em um dossiê fictício organizado em 1994, cartas, mapas desenhados à mão e atas de reuniões registravam a…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar e analisar processos sociais, econômicos, culturais e políticos do Brasil a partir de 1946.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em um dossiê fictício organizado em 1994, cartas, mapas desenhados à mão e atas de reuniões registravam a história de uma comunidade rural descendente de escravizados. Os moradores relatavam o uso compartilhado de roças, caminhos e cemitério, além da permanência de suas famílias no local desde o século XIX. Em vez de solicitar lotes separados, pediam a regularização do território em nome da coletividade. Um parecer municipal afirmava que apenas escrituras individuais poderiam comprovar a posse. Os moradores responderam que a Constituição aprovada poucos anos antes oferecia base para sua demanda e mantiveram a mobilização por meio de associações e celebrações locais. Analise o conflito apresentado e relacione-o às mudanças político-sociais posteriores a 1988. Que transformação histórica é evidenciada pela mobilização dos moradores?
- A) o retorno ao regime de sesmarias como forma de distribuir terras ocupadas desde o período colonial.
- B) o reconhecimento estatal de direitos territoriais coletivos vinculados a identidades historicamente marginalizadas.
- C) a concessão de terras apenas a proprietários que comprovassem escritura individual anterior.
- D) a superação imediata dos conflitos fundiários pela promulgação constitucional.
- E) a obrigatoriedade de dividir toda terra comunitária em propriedades privadas para garantir cidadania.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia o caso com atenção. Uma comunidade rural descendente de escravizados usa coletivamente roças, caminhos e cemitério, vive no local desde o século XIX e pede a regularização do território em nome da coletividade, e não lotes individuais. Passo 2: Identifique o contexto temporal. A Constituição de 1988 é citada como base para a demanda, e o conflito é descrito como posterior a ela, o que aponta para as mudanças político-sociais do período pós-1988. Passo 3: Relacione o caso ao conteúdo constitucional. A Constituição de 1988 reconheceu direitos territoriais coletivos a grupos com identidade própria, como os remanescentes de quilombos (artigo 68 do ADCT), e garantiu o direito a identidades culturais e à proteção de seus modos de vida. Esse é o sentido da alternativa B, que corresponde ao que o dossiê evidencia. Passo 4: Analise as demais alternativas. A alternativa A está errada porque o regime de sesmarias foi extinto no período imperial, em 1822, e não voltou a ser adotado. A alternativa C está errada porque o texto do caso mostra justamente a recusa da exigência de escritura individual como única prova de posse. A alternativa D está errada porque a Constituição não resolveu os conflitos de imediato, e o caso mostra que a mobilização continuou. A alternativa E está errada porque o caso não defende a divisão obrigatória das terras comunitárias, e a lógica constitucional pós-1988 vai no sentido oposto, de proteger a posse coletiva. Conclusão: a transformação evidenciada é o reconhecimento estatal de direitos territoriais coletivos ligados a identidades historicamente marginalizadas, alternativa B, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Relacione o conflito à Constituição de 1988 e às mudanças sociais no Brasil.
Alternativa por alternativa
O aluno associa a demanda por terras de antigos ocupantes a um modelo colonial de distribuição, sem perceber que o caso trata de reconhecimento de direitos atuais. Ele também desconhece que as sesmarias foram extintas no século XIX.
A mobilização se relaciona ao reconhecimento constitucional de direitos territoriais de comunidades quilombolas, transformando uma reivindicação coletiva em demanda dirigida ao Estado.
O aluno lê o parecer municipal como se fosse a regra correta e não percebe que o caso questiona exatamente essa exigência. Ele aceita a escritura individual como único critério legítimo de posse.
O aluno acredita que a promulgação de uma Constituição resolve automaticamente os conflitos sociais. Ignora que o caso descreve mobilização contínua, o que mostra que o direito reconhecido não encerra a disputa.
O aluno confunde a defesa de direitos coletivos com a ideia de que a cidadania exige propriedade privada individual. Ele não percebe que a demanda dos moradores é justamente pela posse coletiva.
Raio-X da questão
Direitos territoriais coletivos
diagnostico
História do Brasil escravocrata · Direitos constitucionais básicos
Estude a Constituição de 1988 e direitos das comunidades tradicionais.
Confundir direitos individuais com direitos coletivos na posse de terras.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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