Por que um mapa colaborativo fictício pode indicar menos barreiras justamente onde elas não foram menos…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Produzir, analisar, gerir e compartilhar informações a partir de dados, utilizando princípios de ciência de dados.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que um mapa colaborativo fictício pode indicar menos barreiras justamente onde elas não foram menos observadas? Uma prefeitura instalou terminais públicos para que moradores registrassem obstáculos nas calçadas. Em 30 dias, foram enviados 620 relatos do Centro, 40 da Zona Norte e 55 da Zona Sul. No período, havia 35 terminais no Centro, 2 na Zona Norte e 3 na Zona Sul. A gestão pretendia divulgar um ranking de bairros com calçadas “mais acessíveis”, usando a menor quantidade de relatos como critério. Uma analista comparou esse procedimento a estimar o movimento de toda uma feira observando pessoas em apenas uma entrada: o resultado também depende de quem consegue chegar ao ponto de observação. Analise as informações do texto e determine a forma de compartilhar os dados que permite interpretá-los de modo confiável.
- A) Divulgar os dados supondo que moradores dos três bairros tiveram oportunidades semelhantes de registrar relatos.
- B) Divulgar os dados convertendo cada relato em percentual do total municipal e usando-o como representatividade.
- C) Divulgar os dados tomando a menor contagem de relatos como evidência de maior acessibilidade no bairro.
- D) Divulgar os dados excluindo os relatos do Centro para igualar os totais entre os bairros.
- E) Divulgar os dados com a cobertura e as limitações da coleta, sem usar a contagem para ranquear os bairros.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Os relatos dependem de quem conseguiu registrar, e não apenas das calçadas. O Centro teve 620 relatos com 35 terminais (cerca de 17,7 relatos por terminal), a Zona Norte teve 40 com 2 terminais (20 por terminal) e a Zona Sul teve 55 com 3 terminais (cerca de 18,3 por terminal). Assim, a contagem bruta mistura o número de barreiras com a estrutura de coleta. Passo 2: Ter menos relatos não significa menos barreiras. A Zona Norte aparece com a menor contagem, mas isso pode refletir menos terminais, menos divulgação ou menor acesso dos moradores, como a analogia da feira mostra ao observar apenas uma entrada. Passo 3: A forma confiável de compartilhar os dados é divulgar a cobertura da coleta (número de terminais, período de 30 dias, distribuição dos relatos por bairro) e as limitações do método (acesso desigual, participação voluntária), sem usar a contagem para ranquear os bairros. Isso permite interpretar os números com honestidade e evita conclusões sobre acessibilidade que os dados não sustentam. Passo 4: Por que as outras estão erradas: A) supõe oportunidades iguais de registro, premissa que o próprio texto contesta ao falar do número desigual de terminais. B) transforma relatos em percentual do total municipal, mas esse percentual continua refletindo a intensidade da coleta, não a representatividade real. C) toma a menor contagem como sinal de maior acessibilidade, o que confunde ausência de registros com ausência de barreiras. D) exclui dados do Centro para igualar totais, o que descarta informação válida e não corrige a desigualdade de cobertura. Passo 5: O gabarito oficial E está correto, pois é a única alternativa que trata a coleta como uma amostra com limitações e recusa o ranking baseado em contagens desiguais.
💡 Dica: Considere a relação entre número de terminais e relatos para interpretar os dados corretamente.
Alternativa por alternativa
Acredita que todos os moradores tiveram as mesmas chances de registrar relatos, ignorando que o número de terminais variava muito entre os bairros.
Acha que converter os relatos em percentual do total municipal corrige a desigualdade de coleta, sem perceber que a proporção continua dependendo de onde os terminais estavam.
Entende que bairro com menos reclamações tem calçadas melhores, usando a intuição do dia a dia e ignorando que menos registros podem significar menos participação.
Imagina que retirar um bairro da análise resolve o problema da comparação, esquecendo que isso descarta dados válidos e não corrige a desigualdade de cobertura.
O acesso desigual aos terminais influencia a quantidade de relatos. Informar a cobertura evita interpretar ausência de registros como ausência de barreiras.
Raio-X da questão
interpretação de dados quantitativos
diagnostico
interpretação de gráficos e tabelas · análise crítica de dados
estudo de proporções e análise crítica de dados
Confundir quantidade absoluta de relatos com acessibilidade real, sem considerar a distribuição dos terminais.
pensamento_critico
cotidiano
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