Nos meses de safra, mulheres de uma comunidade de quebradeiras de coco babaçu percorrem áreas onde palmeiras…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Distinguir e analisar conflitos e ações dos movimentos sociais brasileiros, no campo e na cidade, comparando com outros movimentos sociais existentes nos países latino-americanos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Nos meses de safra, mulheres de uma comunidade de quebradeiras de coco babaçu percorrem áreas onde palmeiras crescem entre roças e pastagens. Elas recolhem frutos caídos, realizam a quebra em grupos e aproveitam amêndoa, casca e óleo para alimentação, artesanato e venda. O trabalho se alterna com pequenas lavouras e cuidados familiares. Após a instalação de cercas, alguns proprietários passaram a restringir a entrada, embora as famílias dependam desses percursos sazonais e da cooperação para manter suas atividades. Para organizar o acesso à área, a prefeitura propôs autorizações vinculadas exclusivamente ao registro individual da propriedade do solo. Analise as práticas descritas e identifique o critério que uma norma local deve considerar para não desorganizar o modo de vida dessa comunidade.
- A) Reconhecer o acesso sazonal e compartilhado aos babaçuais como condição da atividade extrativista.
- B) Reconhecer a quebra do coco como atividade industrial independente dos caminhos de coleta.
- C) Reconhecer a propriedade individual cercada como única base legítima para o uso dos babaçuais.
- D) Reconhecer a mudança das famílias para áreas urbanas como solução para as restrições de acesso.
- E) Reconhecer as pequenas lavouras familiares como substitutas suficientes da coleta de babaçu.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O texto descreve uma comunidade de quebradeiras de coco babaçu que depende de percursos sazonais por áreas de palmeiras, recolhe frutos caídos, trabalha em grupos e aproveita amêndoa, casca e óleo. Essa atividade está ligada ao calendário das safras e à cooperação entre as famílias.
- O problema central é que cercas e restrições de entrada, combinadas com uma autorização baseada apenas na propriedade individual do solo, impedem o acesso que sustenta esse modo de vida. Logo, a norma precisa reconhecer a forma real de uso da terra, e não apenas o título de propriedade.
- A alternativa A está correta porque reconhece o acesso sazonal e compartilhado aos babaçuais como condição para que a atividade extrativista continue existindo. Isso protege os percursos e a cooperação que a comunidade já pratica.
- A alternativa B está errada porque trata a quebra como atividade industrial, desconsiderando que ela depende dos caminhos de coleta do fruto caído.
- A alternativa C está errada porque admite apenas a propriedade individual cercada, exatamente o critério que a prefeitura propôs e que excluiria a comunidade.
- A alternativa D está errada porque propõe a saída das famílias do território, o que é o oposto de organizar o acesso para preservar o modo de vida.
- A alternativa E está errada porque as pequenas lavouras fazem parte do ciclo de trabalho, mas não substituem a coleta do babaçu, que é uma atividade própria e distinta.
- Conclusão: a resposta correta é a A, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Relacione o acesso sazonal e compartilhado aos recursos com a continuidade das práticas comunitárias.
Alternativa por alternativa
A coleta, o deslocamento pelos babaçuais e a cooperação estruturam a subsistência e a renda das famílias, não se limitando a um lote individual.
O aluno acredita que, por a quebra envolver processamento e venda, ela deve ser tratada como indústria, separada da coleta nos caminhos e do território.
O aluno entende que o título de propriedade individual é sempre a base legítima para qualquer uso da terra, o que é justamente o critério restritivo proposto pela prefeitura.
Por que engana: Considerar que apenas a propriedade individual do solo determina o acesso aos babaçuais, ignorando os percursos sazonais e as práticas coletivas da comunidade.
O aluno supõe que, diante de restrições ao acesso, a solução é a migração das famílias para as cidades, ignorando que o problema é a restrição ao território tradicional.
O aluno acredita que as pequenas lavouras podem substituir a coleta de babaçu, confundindo atividades complementares do ciclo de trabalho com a atividade extrativista em si.
Raio-X da questão
extrativismo e acesso territorial
avaliacao
território e uso dos recursos · extrativismo de recursos naturais
Revise a relação entre território, uso comum dos recursos naturais e modos de vida de comunidades tradicionais.
Considerar que apenas a propriedade individual do solo determina o acesso aos babaçuais, ignorando os percursos sazonais e as práticas coletivas da comunidade.
multiculturalismo
pensamento_critico
cotidiano
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