TEXTO 1 01 Poncíá Vicêncio deitou-se na cama imunda ao lado 02 do homem e de barriga para cima ficou com o…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
TEXTO 1 01 Poncíá Vicêncio deitou-se na cama imunda ao lado 02 do homem e de barriga para cima ficou com o olhar 03 encontrando o nada. Veio-lhe a imagem de porcos no 04 chiqueiro que comem e dormem para serem sacrificados 05 um dia. Seria isto vida, meu Deus? Os dias passavam, 06 estava cansada, fraca para viver, mas coragem para 07 morrer, também não tinha ainda. O homem gostava de 08 dizer que ela era pancada da ideia. Seria? Seria! Às vezes, 09 se sentia, mesmo, como se a sua cabeça fosse um grande 10 vazio, repleto de nada e de nada. 11 Quando Poncíá Vicêncio resolveu sair do povoado 12 onde nascera, a decisão chegou forte e repentina. Estava 13 cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir 14 e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver 15 a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas 16 mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida 17 trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior 18 parte das colheitas ser entregue aos coronéis. Cansada da 19 luta insana, sem glória, a que todos se entregavam para 20 amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns 21 conseguiam enriquecer-se a todo o dia. Ela acreditava que 22 poderia traçar outros caminhos, inventar uma vida nova. E 23 avançando sobre o futuro, Poncíá partiu no trem do outro 24 dia, pois tão cedo a máquina não voltaria ao povoado. 25 Nem tempo de se despedir do irmão teve. E agora, 26 ali deitada de olhos arregalados, penetrados no nada, 27 perguntava-se se valera a pena ter deixado a sua terra. O 28 que acontecera com os sonhos tão certos de uma vida 29 melhor? Não eram somente sonhos, eram certezas! 30 Certezas que haviam sido esvaziadas no momento em que 31 perdera o contato com os seus. E agora feito morta-viva, 32 vivia. EVARISTO, Conceição. Poncíá Vicêncio, 2003. p. 32-33. Sobre o termo destacado nos trechos: “ficou com o olhar encontrando o nada” (linhas 02-03); “repleto de nada e de nada” (linha 10) e “ali deitada de olhos arregalados, penetrados no nada” (linha 26), é correto afirmar que (UECE 2026)
- A) se apresentam como substantivos, uma vez que a narradora individualiza o termo para exprimir o sentimento de desolação.
- B) se referem a manifestações de pronome indefinido, porque há distinção de usos intencionais do sentimento expresso pela narradora.
- C) são adjetivos, pois denotam qualidades do sentimento vivenciado pela narradora.
- D) são advérbios negativos, porque enfatizam o estado da narradora diante do sentimento de tristeza.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Identifique a classe gramatical de 'nada' em cada trecho. Em 'o nada' (linhas 02-03), a palavra vem precedida do artigo 'o'. Em 'de nada e de nada' (linha 10), vem depois da preposição 'de' e funciona como núcleo de uma expressão. Em 'no nada' (linha 26), resulta da contração de 'em' com o artigo 'o'. Nos três casos, 'nada' está sendo tratado como nome, ou seja, como substantivo. Passo 2: Observe o sentido. A narradora transforma o 'nada' em algo concreto, quase um lugar ou uma substância em que ela se perde, para expressar a sensação de vazio e desolação. Essa individualização é típica do substantivo, que nomeia um conceito e pode ser determinado por artigos e preposições. Passo 3: Verifique a alternativa correta. A alternativa A afirma que os termos são substantivos porque a narradora os individualiza para exprimir desolação, o que corresponde exatamente ao que o texto mostra. Passo 4: Analise as alternativas erradas. A alternativa B está errada porque o pronome indefinido acompanha um substantivo ou substitui-o sem ser nomeado como ser ou coisa, e aqui 'nada' não exerce esse papel. A alternativa C está errada porque adjetivo qualifica um substantivo, e 'nada' não atribui qualidade a nenhum termo. A alternativa D está errada porque o advérbio negativo modifica verbos, adjetivos ou outros advérbios com o sentido de 'não', o que não acontece nesses trechos. Passo 5: Conclusão. O gabarito oficial A está correto: os três 'nada' são substantivos, e a narradora os individualiza para expressar o sentimento de desolação.
💡 Dica: Analise o uso do termo 'nada' nos trechos destacados para compreender seu sentido no texto.
Alternativa por alternativa
CORRETA. O termo 'nada' funciona como substantivo nos trechos, pois é tratado como uma entidade que expressa o sentimento de vazio e desolação da narradora.
O aluno associa 'nada' ao sentido de ausência total de coisas e conclui que se trata de pronome indefinido, que indica quantidade ou existência indeterminada.
O aluno interpreta 'nada' como se qualificasse o sentimento da narradora, como um adjetivo que descreve um estado, sem reconhecer que a palavra vem acompanhada de artigo ou preposição, o que é próprio do substantivo.
O aluno usa o sentido cotidiano de 'nada' como equivalente a 'não' e conclui que a palavra é um advérbio de negação, sem verificar que ela não modifica nenhum verbo ou adjetivo nos trechos.
Raio-X da questão
interpretação do termo 'nada'
diagnostico
interpretação de texto literário · figuras de linguagem
estudo de figuras de linguagem e interpretação textual
Confundir o termo 'nada' com ausência literal, sem considerar seu sentido figurado no texto.
pensamento_critico
literario
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