TEXTO 1 Sons que confortam Martha Medeiros 01 Eram quatro da manhã quando seu pai sofreu 02 um colapso…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
TEXTO 1 Sons que confortam Martha Medeiros 01 Eram quatro da manhã quando seu pai sofreu 02 um colapso cardíaco. Só estavam os três na 03 casa: o pai, a mãe e ele, um garoto de 13 04 anos. Chamaram o médico da família. E 05 aguardaram. E aguardaram. E aguardaram. 06 Até que o garoto escutou um barulho lá fora. É 07 ele que conta, hoje, adulto: Nunca na vida 08 ouvira um som mais lindo, mais calmante, do 09 que os pneus daquele carro amassando as 10 folhas de outono empilhadas junto ao meio- 11 fio. 12 Inesquecível, para o menino, foi ouvir o som 13 do carro do médico se aproximando, o homem 14 que salvaria seu pai. Na mesma hora em que li 15 esse relato, imaginei um sem-número de sons 16 que nos confortam. A começar pelo choro na 17 sala de parto. Seu filho nasceu. E o mais 18 aliviiante para pais que possuem adolescentes 19 baladeiros: o barulho da chave abrindo a 20 fechadura da porta. Seu filho voltou. 21 E pode parecer mórbido para uns, 22 masoquismo para outros, mas há quem mate 23 a saudade assim: ouvindo pela enésima vez o 24 recado na secretária eletrônica de alguém que 25 já morreu. 26 Deixando a categoria dos sons magnânimos 27 para a dos sons cotidianos: a voz no alto- 28 falante do aeroporto dizendo que a aeronave 29 já se encontra em solo e o embarque será 30 feito dentro de poucos minutos. 31 O sinal, dentro do teatro, avisando que as 32 luzes serão apagadas e o espetáculo irá 33 começar. 34 O telefone tocando exatamente no horário que 35 se espera, conforme o combinado. Até a 36 musiquinha que antecede a chamada a cobrar 37 pode ser bem-vinda, se for grande a 38 ansiedade para se falar com alguém distante. 39 O barulho da chuva forte no meio da 40 madrugada, quando você está no quentinho da 41 sua cama. 42 Uma conversa em outro idioma na mesa ao 43 lado da sua, provocando a falsa sensação de 44 que você está viajando, de férias em algum 45 lugar estrangeiro. E estando em algum lugar 46 estrangeiro, ouvir o seu idioma natal sendo 47 falado por alguém que passou, fazendo você 48 lembrar que o mundo não é tão vasto assim. 49 O toque do interfone quando se aguarda 50 ansiosamente a chegada do namorado. Ou 51 mesmo a chegada da pizza. 52 O aviso sonoro de que entrou um torpedo no 53 seu celular. 54 A sirene da fábrica anunciando o fim de mais 55 um dia de trabalho. 56 O sinal da hora do recreio. 57 A música que você mais gosta tocando no 58 rádio do carro. Aumente o volume. 59 O aplauso depois que você, nervoso, falou em 60 público para dezenas de desconhecidos. 61 O primeiro eu te amo dito por quem você 62 também começou a amar. 63 E o mais raro de todos: o silêncio absoluto. MEDEIROS, Martha. Feliz por nada. São Paulo: L&PM Editores, 2011. Considerando o propósito da crônica de Martha Medeiros, assinale a afirmação verdadeira. (UECE 2019)
- A) O texto tem, como principal objetivo, contar como os sons fazem parte do nosso cotidiano, ora consolando-nos, ora incomodando-nos.
- B) A crônica tem a preocupação de refletir sobre como variados tipos de sons acompanham inúmeros momentos da nossa vida, trazendo-nos alento.
- C) O interesse principal da crônica é o de mostrar como a escuta de determinados sons podem trazer grande alegria e alívio aos pais em diferentes fases da vida de seus filhos.
- D) A finalidade maior do texto de Martha Medeiros é protestar contra nossa exposição involuntária a diversos sons barulhentos ao longo de nossa vida na grande cidade.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Identifique o tema central do texto. A crônica de Martha Medeiros lista sons do cotidiano e da vida que trazem conforto, alívio, alegria ou alento, como o carro do médico chegando, o choro do bebê, a chave na fechadura, o aviso do torpedo e o primeiro eu te amo. Passo 2: Analise a alternativa B. Ela afirma que a crônica reflete sobre diversos tipos de sons que acompanham momentos da vida e trazem alento. Isso corresponde ao propósito do texto, que é refletir sobre sons confortantes em diferentes momentos. Passo 3: Por que A está errada: o texto não se ocupa de sons incômodos, e a expressão ora incomodando-nos não corresponde ao foco da crônica. Passo 4: Por que C está errada: ela restringe o público aos pais, quando o texto fala de experiências de todas as pessoas, como quem está no teatro, no aeroporto ou ouvindo a chuva. Passo 5: Por que D está errada: o texto não protesta contra barulhos urbanos; ao contrário, valoriza os sons que consolam. Passo 6: Conclusão: a afirmação verdadeira é a B, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Leia atentamente o texto para identificar o propósito da crônica.
Alternativa por alternativa
O aluno entendeu que a crônica equilibra sons agradáveis e sons incômodos do dia a dia. O texto, porém, quase só trata de sons confortantes, sem reclamar de barulhos.
CORRETA. A crônica reflete sobre como diversos sons acompanham momentos da vida, trazendo conforto e alívio, que é o propósito principal do texto.
O aluno restringiu o propósito ao exemplo do pai, da mãe e do filho adolescente, e concluiu que o texto trata apenas da alegria dos pais. Esse é só um dos exemplos citados, e a crônica fala de experiências gerais de conforto.
O aluno leu o trecho sobre a chuva e os barulhos urbanos como crítica à poluição sonora e concluiu que o texto é um protesto. Ele não percebeu que a crônica valoriza os sons que confortam.
Raio-X da questão
propósito da crônica
diagnostico
interpretação de texto literário · análise de crônica
interpretação de texto e identificação de propósito textual
Confundir o propósito da crônica com o tema ou detalhes específicos do texto, levando a respostas superficiais ou incorretas.
pensamento_critico
cotidiano
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