Por que a cultura do sul ficou de fora do retrato do Brasil nas olimpíadas? Depois de uma abertura que falou…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Problematizar hábitos e práticas individuais e coletivos de produção, reaproveitamento e descarte de resíduos em metrópoles, áreas urbanas e rurais, e comunidades com diferentes características socioeconômicas, e elaborar e/ou selecionar propostas de ação que promovam a sustentabilidade socioambiental, o combate à poluição sistêmica e o consumo responsável.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que a cultura do sul ficou de fora do retrato do Brasil nas olimpíadas? Depois de uma abertura que falou das etnias que formaram o povo brasileiro, a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, realizada neste domingo (21), teve mais cara de carnaval. A ideia da diretora criativa da festa, Rosa Magalhães, era mostrar “o sentimento de brasilidade”, conforme ela explicou ao jornal “O Globo” dias antes da cerimônia. Carnavalesca da escola de samba carioca São Clemente, Rosa usou elementos alegóricos para mostrar a arte feita pelo povo do país – para ela, “marca da nossa identidade cultural”. Teve menção a choro, samba carioca, Carmem Miranda, mulheres rendeiras da Bahia, bonecos de cerâmica do pernambucano Vitalino, Heitor Villa-Lobos, carnaval. Entre as ausências, as expressões culturais do Sul do Brasil – o que alimentou algum debate em redes sociais: se a ideia era representar o país todo, por que ficamos de fora? Para a antropóloga Selma Baptista, professora-doutora aposentada da UFPR, a pergunta deveria ser outra: por que as expressões culturais do Sul participariam do recorte da carnavalesca carioca se elas não estão presentes nem em nossas próprias festas? “Essa questão da representação de identidades regionais se dá a partir da construção da identidade dentro de seus próprios redutos. Cabe perguntar até que ponto nossas representações da cultura popular têm expressividade entre nós mesmos para que alcancem uma representatividade nacional”, questiona. Patrícia Martins, antropóloga e docente do Instituto Federal do Paraná (IFPR) em Paranaguá, lembra que o Sul tende inclusive a negar o tipo de “brasilidade” representada na cerimônia de encerramento, mais ligada à cultura indígena e afro-brasileira. “Aqui há uma autorrepresentação que passa por uma cultura europeia”, diz. Para ela, o recorte mostrado na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos tem ligações com uma identidade brasileira que vem sendo construída desde o Estado Novo (1937-1945), que incorporou o samba carioca. “Existe um patrimônio rico no Sul – há os batuques do Rio Grande do Sul, o fandango caiçara. Teria muita coisa a mostrar, mas nem nós sabemos que existe isso em nossa região”. Na opinião de Tau Golin, jornalista, historiador e professor do curso de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), esse tipo de questionamento sobre representações regionais é uma “briga simbólica” já bem conhecida – principalmente dos gaúchos. “É uma briga de poder pela representatividade, por quem representa mais a nação”, diz. “Como é um país com regiões que se formaram antes da nação, as regionalidades querem estar presentes em tudo o que acontece no país. Se fosse insignificante, não brigariam. Mas, como é para se mostrar para o exterior, a briga é compreensível historicamente”. Para ele, o desejo do Sul de estar presente nesse tipo de representação, dada a relação difícil da região com a “brasilidade”, é um fator surpreendente. “É uma novidade, que merece estudos daqui para a frente”, diz. (Rafael Rodrigues Costa, Gazeta do Povo, Curitiba, 22/08/2016.) O texto tematiza a ausência de manifestações culturais da região Sul na festa de encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. As duas antropólogas entrevistadas compartilham uma mesma opinião sobre a questão levantada. Assinale a alternativa que apresenta essa opinião. (UFPR 2017)
- A) Houve um boicote dos organizadores para deixar o Sul de fora, dada a sua cultura mais europeia.
- B) O Sul não apresenta manifestações típicas dignas de apresentação numa festa de impacto internacional.
- C) O restante do país não identifica a região Sul como detentora do sentimento de brasilidade.
- D) Embora o Sul tenha manifestações culturais importantes, elas não são representativas nem na própria região.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- A pergunta pede a opinião comum às duas antropólogas, Selma Baptista e Patrícia Martins, sobre a ausência do Sul na cerimônia. Resolvi a questão lendo o que cada uma afirma, sem partir do gabarito. Passo 2: Selma Baptista afirma que as expressões culturais do Sul não são sequer presentes nas próprias festas da região, e que a representação nacional depende de a identidade regional ter expressividade dentro de seus próprios redutos. Passo 3: Patrícia Martins diz que o Sul tende a negar a brasilidade representada na cerimônia e que existe um patrimônio rico na região, como os batuques gaúchos e o fandango caiçara, mas que nem os próprios moradores sabem que isso existe. Passo 4: Juntando as duas falas, a opinião comum é que as manifestações culturais do Sul, mesmo importantes, não são representativas nem na própria região. Essa é exatamente a alternativa D, que coincide com o gabarito oficial. Passo 5: A alternativa A está errada porque nenhuma das duas fala em boicote dos organizadores; o texto trata da autorrepresentação regional, não de uma decisão deliberada. Passo 6: A alternativa B está errada porque contradiz Patrícia, que afirma que o Sul tem patrimônio rico e muito a mostrar. Passo 7: A alternativa C está errada porque inverte a origem do problema: o texto aponta que a falta de reconhecimento começa dentro da própria região, e não no restante do país.
💡 Dica: Leia atentamente as opiniões das antropólogas para identificar o consenso.
Alternativa por alternativa
O aluno entende que a ausência do Sul foi uma exclusão intencional da organização, motivada por a região ser mais europeia. Ele confunde a crítica sobre a autorrepresentação regional com uma decisão deliberada da produção.
O aluno acredita que o Sul não tem manifestações culturais relevantes o bastante para figurar num evento internacional. Ele ignora a fala de Patrícia Martins sobre o patrimônio rico da região, lendo como falta de valor o que é desconhecimento local.
O aluno acha que o restante do país não reconhece o Sul como detentor da brasilidade. Ele inverte a origem da falta de reconhecimento, que o texto situa dentro da própria região, e não no resto do país.
CORRETA. Ambas as antropólogas concordam que, embora o Sul tenha manifestações culturais relevantes, elas não são suficientemente representativas nem valorizadas dentro da própria região, o que explica sua ausência na cerimônia.
Raio-X da questão
representação cultural regional
diagnostico
identidade cultural brasileira · representação cultural regional
estude a diversidade cultural e representatividade regional no Brasil
Confundir opiniões divergentes das antropólogas ou interpretar mal a representatividade cultural do Sul.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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