AS QUESTÕES 09 A 22 REFEREM-SE AO LIVRO AINDA ESTOU AQUI, DE MARCELO RUBENS PAIVA. (Rio de Janeiro: Alfaguara…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
AS QUESTÕES 09 A 22 REFEREM-SE AO LIVRO AINDA ESTOU AQUI, DE MARCELO RUBENS PAIVA. (Rio de Janeiro: Alfaguara, 2015.) (I) Mas, se a soltássemos ali, sozinha, naquela tarde abafada, ela estancaria e não saberia o caminho de volta. Se perderia num raciocínio circular, sob uma enchente de imagens, (...), que inundariam seu cérebro, fariam do conhecido, desconhecido, resultariam numa só pergunta: (...) – Onde é aqui? (p. 19) (II) Recentemente, uma nova fala cheia de significados entrou no seu repertório, especialmente quando um turbilhão de emoções a ataca, como rever uma filha que mora na Europa ou segurar no colo o meu filho, o que mostra uma felicidade e um alerta, caso alguém não tenha reparado: Eu ainda estou aqui. Ainda estou aqui. (p. 262) A palavra aqui delimita o espaço onde se encontra a pessoa que fala, o que só pode ser identificado pela situação de enunciação. Considerando os diferentes usos da palavra aqui, nos fragmentos (I) e (II), os espaços em que se insere a enunciadora, Eunice Paiva, podem ser compreendidos, respectivamente, como: (UERJ 2027)
- A) autêntico – onírico
- B) periférico – central
- C) eventual – existencial
- D) convencional – utópico
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- No fragmento (I), o aqui surge quando a enunciadora imagina ser solta sozinha numa tarde abafada e pergunta 'Onde é aqui?'. O lugar é percebido como desconhecido, estranho e provisório, um espaço em que ela se encontra por circunstância, sem vínculo permanente. Isso corresponde a eventual, que indica o que ocorre de forma momentânea ou por acaso. Passo 2: No fragmento (II), 'Eu ainda estou aqui' não fala apenas de um lugar físico. A enunciadora afirma sua presença e sobrevivência diante de emoções intensas e do alerta de continuar viva e presente na vida. Isso corresponde a existencial, pois o aqui remete à condição de existir e permanecer. Passo 3: Assim, a sequência eventual – existencial corresponde à alternativa C, que coincide com o gabarito oficial. Passo 4: A alternativa A está errada porque autêntico não traduz o estranhamento do fragmento (I), e onírico associa-se a sonho, o que não aparece no texto. Passo 5: A alternativa B está errada porque periférico e central tratam de posição em relação a um centro, ideia que não aparece em nenhum dos dois usos. Passo 6: A alternativa D está errada porque convencional sugere um lugar habitual e utópico sugere um lugar ideal inexistente, o que não corresponde ao desconhecimento do fragmento (I) nem à afirmação de existência do fragmento (II).
💡 Dica: Analise o uso da palavra 'aqui' nos dois fragmentos e relacione com os conceitos apresentados.
Alternativa por alternativa
O aluno pode interpretar o aqui do fragmento (I) como um lugar verdadeiro e próprio de Eunice e associar o fragmento (II) a um estado de sonho ou fantasia, quando a fala é uma afirmação real de existência.
Por que engana: Confundir os sentidos contextuais da palavra 'aqui' e não relacionar com a situação de enunciação.
O aluno pode tomar o aqui como uma questão de posição em relação a um centro, supondo que o fragmento (I) trata de um lugar à margem e o fragmento (II) de um núcleo importante, sem perceber que os dois usos são de natureza subjetiva e vivencial.
CORRETA. A palavra 'aqui' no fragmento (I) tem um sentido eventual, ligado a um espaço confuso e transitório, enquanto no fragmento (II) assume um sentido existencial, afirmando a presença e a continuidade da enunciadora.
O aluno pode entender o aqui do fragmento (I) como um lugar comum e habitual, por imaginar que a enunciadora apenas não reconhece uma rotina, e ler o fragmento (II) como uma aspiração a um lugar ideal, em vez de uma afirmação de presença e permanência na vida.
Raio-X da questão
uso da palavra 'aqui'
diagnostico
interpretação de texto literário
estudo dos sentidos contextuais de advérbios de lugar
Confundir os sentidos contextuais da palavra 'aqui' e não relacionar com a situação de enunciação.
pensamento_critico
literario
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