Entre 1810 e 1850 os debates acalorados giraram em torno do fim do tráfico internacional, da sua legislação…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Entre 1810 e 1850 os debates acalorados giraram em torno do fim do tráfico internacional, da sua legislação, da sua repressão, num impressionante vaivém, ou na famosa expressão: “Para inglês ver”. Até que o comércio internacional de almas fosse extinto em 1850, e na verdade alguns anos depois, muita pressão externa foi necessária. O fim do tráfico não significou a abolição da escravidão, que ainda permaneceria forte por quase quarenta anos. De acordo com o excerto, é correto afirmar: [FUVEST 2026 - Questão 88] FUVEST - 2026
- A) O fim do tráfico internacional de escravizados em 1850 implicou a substituição da mão de obra africana pela indígena.
- B) Os importadores de escravizados foram duramente prejudicados com a promulgação da Lei Feijó de 1831.
- C) Os debates parlamentares entre os anos 1810 e 1850 defendiam formas de indenização aos proprietários.
- D) O fim do tráfico internacional após 1850 favoreceu o tráfico interprovincial.
- E) Os apelos internacionais pela abolição do tráfico revelavam os interesses de imigrantes europeus.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Leia o excerto. Ele trata do fim do tráfico internacional de escravizados (até 1850), da pressão externa, sobretudo britânica, e da permanência da escravidão por cerca de quarenta anos depois. Ele não menciona diretamente o tráfico interno. Passo 2: Resolvendo por conta própria, a alternativa D é a que melhor se sustenta historicamente. Com a Lei Eusébio de Queirós (1850), o tráfico atlântico foi proibido, e a demanda por mão de obra cativa nas lavouras de café do Sudeste foi suprida, em grande parte, pelo deslocamento de escravizados de outras províncias, sobretudo do Nordeste. Essa é a base do tráfico interprovincial. Passo 3: A alternativa A está errada, pois a reposição de mão de obra após 1850 se deu principalmente pelo tráfico interno e, depois, pela imigração europeia, e não pela substituição por indígenas. Passo 4: A alternativa B está errada, pois a Lei Feijó de 1831 teve pouca eficácia prática, sendo chamada de 'para inglês ver', e o tráfico continuou intenso e ilegal. Passo 5: A alternativa C está errada, pois o excerto não menciona indenização aos proprietários, e propostas dessa natureza ganharam força mais tarde, já na década de 1870 em diante. Passo 6: A alternativa E está errada, pois a pressão internacional contra o tráfico vinha, sobretudo, do interesse britânico, e não de imigrantes europeus. Passo 7: Conclusão: a alternativa D é correta e coincide com o gabarito oficial. A única ressalva é que a resposta depende de conhecimento histórico externo ao excerto, já que o texto não cita o tráfico interprovincial.
💡 Dica: Analise o texto para compreender a relação entre o fim do tráfico e a abolição da escravidão.
Alternativa por alternativa
O aluno supõe que, após 1850, a mão de obra africana foi simplesmente trocada pela indígena, como se a população indígena fosse a principal fonte de trabalho escravizado no Império.
Por que engana: Confundir o fim do tráfico internacional com a abolição imediata da escravidão, desconsiderando a continuidade da prática escravocrata.
O aluno acredita que a Lei Feijó, por proibir a entrada de africanos, arruinou os importadores, sem perceber que a lei não foi cumprida e o tráfico continuou ilegalmente.
O aluno interpreta o excerto como se ele afirmasse que, entre 1810 e 1850, já se defendia indenização aos proprietários, quando o texto apenas fala em debates sobre legislação e repressão do tráfico.
Incorreta. O tráfico interprovincial já existia e não foi diretamente favorecido pelo fim do tráfico internacional.
O aluno atribui a pressão internacional contra o tráfico aos interesses de imigrantes europeus, quando o contexto indica sobretudo o interesse britânico, ligado ao fim do tráfico atlântico e ao mercado de trabalho assalariado.
Raio-X da questão
fim do tráfico negreiro e escravidão
avaliacao
história do tráfico negreiro · legislação sobre escravidão
Estude a cronologia e as consequências do tráfico negreiro e da escravidão no Brasil.
Confundir o fim do tráfico internacional com a abolição imediata da escravidão, desconsiderando a continuidade da prática escravocrata.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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