O passado sempre fez parte do cotidiano de diversas sociedades contemporâneas. Esse não foi o caso do Brasil…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
O passado sempre fez parte do cotidiano de diversas sociedades contemporâneas. Esse não foi o caso do Brasil. O peso material e simbólico das formas urbanas herdadas de tempos anteriores foi aí muito menos paralisante do que na Europa. O projeto modernizador do século XIX fundamentou-se na esperança de um futuro melhor e na rejeição do passado, na abolição dos seus vestígios, na sua superação. Essa fé no “país do futuro” tornou-se uma ideologia avassaladora a partir da República, e isto explica por que foram tão bem-sucedidas, no século XX, as reformas urbanísticas radicais que tanto transformaram a face de diversas cidades brasileiras. Adaptado de ABREU, M. Sobre a memória da cidade. In: Fridman, F.; Haesbaert, R. (orgs.). Escritos sobre espaço e história. Rio de Janeiro: Garamond, 2014. Uma intervenção específica do poder público no espaço da cidade do Rio de Janeiro, que ilustra de modo exemplar a perspectiva descrita no texto, foi responsável pela. (UERJ 2016)
- A) ocupação da Barra da Tijuca
- B) construção da Avenida Brasil
- C) derrubada do Morro do Castelo
- D) urbanização do Aterro do Flamengo
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O texto afirma que o projeto modernizador brasileiro, sobretudo a partir da República, rejeitou o passado e buscou abolir seus vestígios urbanos, o que tornou possíveis reformas urbanísticas radicais no século XX. A intervenção procurada deve, portanto, apagar uma marca física de tempos anteriores. Passo 2: A derrubada do Morro do Castelo, no Rio de Janeiro, nas primeiras décadas do século XX, eliminou o morro que abrigava as origens coloniais da cidade, com seus casarios e igrejas antigas, e abriu espaço para a nova área urbana. Essa ação ilustra exatamente a rejeição do passado descrita no texto. Passo 3: A ocupação da Barra da Tijuca é uma expansão da cidade para uma área antes pouco urbanizada; não há apagamento de vestígios antigos, e sim ocupação de novo território. Passo 4: A construção da Avenida Brasil é uma obra de infraestrutura viária que liga bairros e regiões; ela não tem como foco central a eliminação de formas urbanas herdadas do passado. Passo 5: A urbanização do Aterro do Flamengo foi feita sobre terreno criado a partir de aterro de áreas da Baía de Guanabara, configurando uma obra de lazer e paisagismo, sem a finalidade de destruir um patrimônio antigo. Passo 6: Conclusão: a alternativa C é a que melhor exemplifica a perspectiva do texto, pois corresponde à destruição de um elemento urbano herdado do passado em nome da modernização. O gabarito oficial C está correto.
💡 Dica: Analise o texto para relacionar a intervenção urbana mencionada com a perspectiva histórica apresentada.
Alternativa por alternativa
O aluno pode interpretar qualquer grande intervenção urbana moderna como exemplo da ideologia do futuro, sem perceber que a ocupação de novas áreas não elimina vestígios do passado.
Por que engana: Confundir intervenções urbanas distintas e não relacionar a derrubada do Morro do Castelo com a rejeição do passado.
O aluno pode supor que toda obra viária de grande porte representa rejeição do passado, sem verificar que a construção da avenida não tem como alvo central apagar formas urbanas antigas.
CORRETA. A derrubada do Morro do Castelo, em 1922, simboliza a rejeição do passado e a eliminação de vestígios históricos, conforme descrito no texto.
O aluno pode associar a urbanização do Aterro do Flamengo às reformas modernizadoras do século XX e concluir que qualquer obra de modernização serve ao exemplo, sem notar que o aterro criou área nova e não destruiu patrimônio antigo.
Raio-X da questão
reformas urbanísticas no Brasil
diagnostico
história urbana brasileira · modernização do século XIX
estude as transformações urbanas no Rio de Janeiro no século XX
Confundir intervenções urbanas distintas e não relacionar a derrubada do Morro do Castelo com a rejeição do passado.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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