Previsões de especialistas A mídia nos bombardeia diariamente com as previsões de especialistas sobre o…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Previsões de especialistas A mídia nos bombardeia diariamente com as previsões de especialistas sobre o futuro. Esses experts mais erram do que acertam, mas nem por isso deixamos de recorrer a eles sempre que o horizonte se anuvia. Como explicar o paradoxo? Uma boa tentativa é o recém-lançado livro do escritor e jornalista Dan Gardner. As passagens mais divertidas do livro são sem dúvida aquelas em que o autor mostra, com exemplos e pesquisas científicas, quão precária é a previsão econômica e política. Num célebre discurso de 1977, por exemplo, o então presidente dos E.U.A., Jimmy Carter, ancorado nos conselhos dos principais experts do planeta, conclamou os americanos a reduzir drasticamente a dependência de petróleo de sua economia, porque os preços do hidrocarboneto subiriam e jamais voltariam a cair, o que inevitavelmente destruiria o “American way”1. Oito anos depois, as cotações do óleo despencaram e permaneceram baixas pelas duas décadas seguintes. Alguém pode alegar que Gardner escolhe de propósito alguns exercícios de futurologia que deram errado apenas para ridicularizar a categoria toda. Para refutar essa objeção, vamos conferir algumas abordagens do problema. Em 1984, uma revista britânica pediu a 16 pessoas que fizessem previsões sobre taxas de crescimento, câmbio, inflação e outros dados econômicos. Quatro dos entrevistados eram ex-ministros de finanças; quatro eram presidentes de empresas multinacionais; quatro, estudantes de economia de Oxford; e quatro, lixeiros de Londres. Uma década depois, as predições foram contrastadas com a realidade e classificadas pelos níveis de acerto. Os lixeiros terminaram empatados com os presidentes de corporações em primeiro lugar. Em último, ficaram os ministros – o que ajuda a explicar uma ou outra coisinha sobre governos. A razão para tantas dificuldades em adivinhar o futuro é de ordem física. Nós nos habituamos a ver a ciência prevendo com enorme precisão fenômenos como eclipses e marés. Só que esses são sistemas lineares ou, pelo menos, sistemas em que dinâmicas impostas pelo caos podem ser desprezadas. E, embora um bom número de fenômenos naturais seja linear, existem muitos que não o são. Quando o homem faz parte da equação, pode-se esquecer a linearidade. Nossos cérebros também trazem de fábrica alguns vieses que tornam nossa espécie presa fácil para adivinhos. Procuramos tão avidamente por padrões que os encontramos até mesmo onde não existem. Temos ainda compulsão por histórias, além de um desejo irrefreável de estar no controle. Assim, alguém que ofereça numa narrativa simples e envolvente a previsão do futuro pode vendê-la facilmente a incautos. Não é por outra razão que oráculos, profecias e augúrios estão presentes em quase todas as religiões. Como diz Gardner, “vivemos na Idade da Informação, mas nossos cérebros são da Idade da Pedra”. Eles não foram concebidos para processar o papel do acaso, no cerne do conhecimento científico atual. Nós continuamos a tratar as falas dos especialistas como se fossem auspícios2 divinos. Como não poderia deixar de ser, frequentemente quebramos a cara. HÉLIO SCHWARTSMAN Adaptado de www1.folha.uol.com.br, 30/06/2011 1 “American way”: estilo americano de vida 2 auspícios: prenúncios, presságios Comente o paradoxo apresentado no início do texto, relacionando-o com a atitude das pessoas diante das previsões. (UERJ 2012)
✍️ Questão dissertativa: veja abaixo a resposta esperada e a explicação.
Resposta esperada
Um dos exemplos do primeiro tipo: mare9s eclipses sistemas lineares fenf4menos naturais sistemas em que dine2micas impostas pelo caos podem ser desprezadas Um dos exemplos do segundo tipo: taxas de ce2mbio taxas de inflae7e3o pree7os do petrf3leo taxas de crescimento quaisquer dados econf4micos fenf4menos em que he1 a presene7a do homem Uma das respostas: a linearidade ou ne3o dos fenf4menos a presene7a ou ne3o do ser humano na produe7e3o dos fenf4menos
Explicação
Ler atentamente o texto, identificar os argumentos centrais sobre a imprecisão das previsões e o paradoxo, e responder com base nas informações apresentadas, usando exemplos do texto.
Raio-X da questão
paradoxo das previsões futuras
avaliacao
interpretação de texto · análise crítica
estudo de interpretação de texto e análise crítica
Confundir o paradoxo apresentado com a precisão das previsões, sem relacionar com a atitude das pessoas.
pensamento_critico
cotidiano
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