Em uma atividade sobre memória oral da cidade, uma entrevistadora registra o depoimento de um morador antigo…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar o fenômeno da variação linguística, em seus diferentes níveis (variações fonético-fonológica, lexical, sintática, semântica e estilístico-pragmática) e em suas diferentes dimensões (regional, histórica, social, situacional, ocupacional, etária etc.), de forma a ampliar a compreensão sobre a natureza viva e dinâmica da língua e sobre o fenômeno da constituição de variedades linguísticas de prestígio e estigmatizadas, e a fundamentar o respeito às variedades linguísticas e o combate a preconceitos linguísticos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma atividade sobre memória oral da cidade, uma entrevistadora registra o depoimento de um morador antigo: “A gente crescemo aqui, trabaiando na roça, e num tinha essas facilidade de hoje”. Ao transcrever o relato para um mural da escola, a turma debate se essa fala deve ser reescrita exatamente como foi dita ou adaptada. — Considerando o contexto da entrevista, o que essa fala evidencia sobre o uso da língua portuguesa?
- A) A fala revela uma variedade linguística influenciada pelo contexto social e regional do falante, com marcas de oralidade e uso informal da língua.
- B) A fala comprova que a língua portuguesa é a mesma em qualquer situação, sem influência de região, grupo social ou modo de falar.
- C) A fala mostra que o morador não domina a norma-padrão da língua portuguesa e, por isso, precisa corrigir sua forma de expressão.
- D) A fala evidencia apenas um desvio gramatical individual do morador, sem relação com características coletivas de fala ou de contexto.
- E) A fala foi registrada com o objetivo de produzir um texto formal, e por isso deve ser adaptada para eliminar qualquer traço de oralidade.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- A fala do morador (“A gente crescemo aqui, trabaiando na roça, e num tinha essas facilidade de hoje”) apresenta marcas de oralidade e de uma variedade regional e social, como “crescemo” (crescemos), “trabaiando” (trabalhando), “num” (não) e “facilidade” usada no singular com valor coletivo. Isso mostra que a língua varia conforme a região, a história de vida e a situação de fala.
- A alternativa A é a correta porque reconhece exatamente isso: uma variedade linguística ligada ao contexto social e regional do falante, com traços de oralidade e de uso informal. Ela também responde à pergunta do enunciado, que pede o que a fala evidencia considerando o contexto da entrevista.
- A alternativa B está errada, pois a fala mostra justamente que a língua varia e não é igual em todas as situações.
- A alternativa C está errada, pois a fala não indica falha do morador; ela expressa uma variedade legítima do português, e não um problema de domínio da norma-padrão que exija correção.
- A alternativa D está errada, pois os traços apontados (como “trabaiando” e “num”) são recorrentes em falares de determinadas regiões e grupos, não um desvio isolado do indivíduo.
- A alternativa E está errada, pois o contexto é de registro de memória oral; a adaptação para o mural é uma escolha editorial da turma, e não uma exigência do que a fala evidencia sobre a língua.
- Conclusão: a resposta correta é a A, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Relacione as marcas da fala ao contexto social e regional do entrevistado.
Alternativa por alternativa
Corresponde ao conceito de variação linguística: o modo de falar depende do grupo social, da região e da situação de comunicação. A transcrição mostra traços de oralidade sem desvalorizar o falante.
O aluno pode acreditar que a norma-padrão é a única forma válida de português e, por isso, que a língua é uniforme em todos os contextos, ignorando as variações regionais e sociais.
O aluno pode tratar a fala regional como erro de quem fala, confundindo variação linguística com incapacidade de dominar o português e supondo que toda fala fora da norma precisa ser corrigida.
Por que engana: Tratar marcas de oralidade e variedades sociais ou regionais como erros individuais, supondo que apenas a norma-padrão constitui uso legítimo da língua.
O aluno pode ler os desvios como falhas pessoais de um único morador, sem perceber que formas como “trabaiando” e “num” são compartilhadas por comunidades inteiras e são típicas de certos contextos.
O aluno pode pensar que toda transcrição de texto oral para um suporte escrito deve eliminar a oralidade, ignorando que o objetivo da atividade é preservar e valorizar a memória oral.
Raio-X da questão
variação linguística e oralidade
avaliacao
Variação linguística e registros · Diferença entre fala e escrita
Revise variação linguística, marcas de oralidade e adequação ao contexto comunicativo.
Tratar marcas de oralidade e variedades sociais ou regionais como erros individuais, supondo que apenas a norma-padrão constitui uso legítimo da língua.
multiculturalismo
pensamento_critico
cotidiano
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