Num romance ambientado no interior do Brasil, um narrador reproduz a fala de uma personagem assim: “Nóis vai…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar o fenômeno da variação linguística, em seus diferentes níveis (variações fonético-fonológica, lexical, sintática, semântica e estilístico-pragmática) e em suas diferentes dimensões (regional, histórica, social, situacional, ocupacional, etária etc.), de forma a ampliar a compreensão sobre a natureza viva e dinâmica da língua e sobre o fenômeno da constituição de variedades linguísticas de prestígio e estigmatizadas, e a fundamentar o respeito às variedades linguísticas e o combate a preconceitos linguísticos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Num romance ambientado no interior do Brasil, um narrador reproduz a fala de uma personagem assim: “Nóis vai na roça cedo, porque as nuvem tá fechando”. Em outra cena, a mesma personagem escreve uma carta formal à prefeitura para solicitar reparos na estrada. — Considerando os dois contextos de uso da língua no texto-base, qual avaliação linguística é mais adequada?
- A) A carta à prefeitura deveria reproduzir exatamente a fala da personagem, pois a linguagem literária valoriza a espontaneidade em qualquer gênero textual.
- B) A fala mostra apenas falta de domínio da língua, enquanto a carta revela a única forma legítima de expressão, porque somente a norma-padrão garante sentido e valor ao texto.
- C) A fala da personagem deve ser corrigida, e a carta formal, por ser escrita, pode manter marcas coloquiais sem prejuízo, já que a escrita literária dispensa maior monitoramento.
- D) A fala reproduz a variedade coloquial da personagem, adequada ao diálogo literário, enquanto a carta exige uma variedade mais monitorada e formal, pois o gênero e a situação comunicativa pedem maior adequação à norma-padrão.
- E) A fala e a carta estão igualmente corretas, pois todas as situações de uso da língua seguem a mesma norma, sem diferença entre conversa espontânea e documento oficial.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Observe que a questão trata de adequação linguística: a mesma personagem usa linguagem diferente conforme a situação de comunicação e o gênero textual.
- Na fala reproduzida no romance ("Nóis vai na roça cedo, porque as nuvem tá fechando"), aparecem marcas da variedade coloquial e regional, como "nóis", a concordância verbal "nóis vai" e a concordância nominal "as nuvem". Em um diálogo literário, essa reprodução caracteriza a personagem e dá realismo à narrativa.
- Na carta formal à prefeitura, o gênero exige uma variedade monitorada, próxima da norma-padrão, pois se trata de um documento dirigido a uma autoridade pública, em situação de comunicação formal.
- Portanto, a alternativa D é a mais adequada, pois reconhece que a variedade usada deve variar conforme o contexto e o gênero, sem hierarquizar a fala como errada em si mesma.
- Por que as outras estão erradas: A pede a espontaneidade na carta, desconsiderando a exigência do gênero formal. B afirma que somente a norma-padrão garante sentido, o que é um preconceito linguístico, pois a fala coloquial também comunica com eficiência. C propõe que a carta mantenha marcas coloquiais, contrariando a adequação exigida pelo gênero, e trata a escrita literária como dispensando monitoramento. E nega qualquer diferença entre fala espontânea e documento oficial, ignorando que registros diferentes atendem a situações diferentes.
- Gabarito confirmado: D é a resposta correta, e a análise independente chegou à mesma conclusão.
💡 Dica: Compare a fala e a carta pelo contexto de uso.
Alternativa por alternativa
Acredita que a espontaneidade da fala deve ser transportada para qualquer gênero, inclusive o documento oficial, sem considerar a situação de comunicação.
Considera a variedade coloquial inferior e a norma-padrão a única forma legítima de expressão, um preconceito linguístico que desconhece a validade das variedades populares.
Acha que a escrita, por ser escrita, dispensa adequação e pode manter marcas coloquiais em um texto formal, confundindo modalidade oral e escrita com registro formal e informal.
Por que engana: Tratar a fala coloquial como erro e ignorar o contexto comunicativo
Não há erro: a alternativa reconhece a adequação linguística ao contexto, distingue oralidade coloquial de escrita formal e relaciona isso ao gênero e à situação comunicativa.
Entende que todas as situações de uso seguem a mesma norma e que não há diferença de registro entre conversa e documento oficial, ignorando a adequação ao gênero e à situação.
Raio-X da questão
Adequação linguística
Reconhecer adequação
Gêneros textuais · Norma-padrão e variação linguística
Variedades linguísticas e gêneros textuais
Tratar a fala coloquial como erro e ignorar o contexto comunicativo
Diversidade cultural e linguística
Respeito à diversidade linguística
Literatura e uso soc
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