— O oxímetro não mente: se o número cai, é porque falta oxigênio — afirmou o supervisor ao impedir a entrada…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Investigar e discutir o uso indevido de conhecimentos das Ciências da Natureza na justificativa de processos de discriminação, segregação e privação de direitos individuais e coletivos, em diferentes contextos sociais e históricos, para promover a equidade e o respeito à diversidade.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— O oxímetro não mente: se o número cai, é porque falta oxigênio — afirmou o supervisor ao impedir a entrada de candidatos com leitura abaixo de 95% em uma seleção de emprego. A justificativa citava “lei física de absorção da luz”. No modo de triagem usado, o aparelho acende apenas um LED vermelho (lambda = 660 nm) e estima a oxigenação a partir da potência óptica detectada P, assumindo a atenuação no dedo por P = P0 e^(-mu L). O manual interno fixava P0 = 2,0 mW, L = 1,0 cm e mu = 1,0 cm^-1, adotando como limiar P = 0,70 mW. Um técnico apontou que, mantendo a mesma oxigenação, pessoas com maior absorção do tecido nessa cor podem ter mu = 1,3 cm^-1, o que leva a P menor, sem indicar pior condição respiratória. Interprete o procedimento descrito e identifique a comparação que melhor evidencia por que esse uso do modelo físico não pode justificar a exclusão de candidatos.
- A) Comparar a decisão a medir iluminância com um sensor atrás de um filtro escuro e concluir que a lâmpada está fraca
- B) Comparar a decisão a atribuir a diferença apenas a um L maior, pois a atenuação depende da geometria e não do coeficiente mu
- C) Comparar a decisão a afirmar que o LED emite menos potência P0 porque o dedo absorveu mais luz, mesmo com P0 fixo no aparelho
- D) Comparar a decisão a concluir que os fótons têm menor energia porque a potência detectada P diminuiu, mantendo lambda fixo
- E) Comparar a decisão a considerar que, por ser exponencial, P = P0 e^(-mu L) garante o mesmo mu para todas as peles no limiar
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O modelo usado e P = P0 e^(-mu L). Com P0 = 2,0 mW, L = 1,0 cm e mu = 1,0 cm^-1, tem-se P = 2,0 e^(-1,0), que vale cerca de 0,74 mW, acima do limiar de 0,70 mW. Passo 2: Mantendo a mesma oxigenação, mas com mu = 1,3 cm^-1, tem-se P = 2,0 e^(-1,3), cerca de 0,55 mW, abaixo do limiar. Passo 3: A queda de P nesse caso vem de uma mudança em mu, que é uma propriedade do tecido, e não de falta de oxigênio. O modelo não separa essas duas causas, então não pode justificar a exclusão. Passo 4: A comparação que melhor evidencia o problema é a da alternativa A. Um sensor atrás de um filtro escuro registra menos luz, e concluir que a lâmpada está fraca confunde a atenuação do meio com a fonte. Do mesmo modo, o tecido reduz a intensidade medida sem que a fonte ou a condição fisiológica mudem. Passo 5: A alternativa B está errada porque L está fixado em 1,0 cm e a atenuação depende de mu, não apenas da geometria. A alternativa C contradiz o enunciado, pois P0 está fixo no aparelho. A alternativa D está errada porque a energia do fóton depende apenas de lambda, que é fixo em 660 nm. A alternativa E está errada porque a forma exponencial não garante o mesmo mu para todas as peles, já que mu é justamente o parâmetro que varia.
💡 Dica: Analise como a variação do coeficiente de absorção afeta a potência detectada e a decisão.
Alternativa por alternativa
O filtro altera P no detector sem mudar a fonte; aqui, mu maior reduz P sem mudar a oxigenação, tornando a triagem injustificável.
O aluno acredita que a diferença de P vem de um L maior, ignorando que L está fixado em 1,0 cm e que a atenuação depende do coeficiente mu, propriedade do tecido.
Por que engana: Confundir variação do coeficiente de absorção com variação da potência inicial ou interpretar mal a relação entre potência detectada e condição clínica.
O aluno acha que o LED emite menos potência porque o dedo absorveu mais luz, esquecendo que P0 é fixo no aparelho e que P é a potência que chega ao detector após a absorção.
O aluno associa a queda de P a uma menor energia dos fótons, confundindo potência (quantidade de luz) com a energia por fóton, que depende apenas do comprimento de onda.
O aluno supõe que, por a função ser exponencial, o coeficiente mu seria igual para todas as pessoas, confundindo a forma da equação com o valor do parâmetro.
Raio-X da questão
absorção luz, atenuação, interpretação
avaliacao
lei da atenuação da luz · exponencial decaimento
Estude a lei da atenuação exponencial da luz e interpretação de modelos físicos.
Confundir variação do coeficiente de absorção com variação da potência inicial ou interpretar mal a relação entre potência detectada e condição clínica.
pensamento_critico
cotidiano
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