— Se a guerra mata, por que tanta gente morre sem levar tiro? A pergunta circulou em jornais britânicos quando…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica, diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais, incluindo as escolares, para se comunicar, acessar e difundir informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Se a guerra mata, por que tanta gente morre sem levar tiro? A pergunta circulou em jornais britânicos quando voltaram notícias do conflito na Crimeia. Meses depois, uma enfermeira e reformadora social, Florence Nightingale, reuniu registros do Exército e enviou à rainha Vitória um diagrama em áreas (imagem), no qual cada mês aparece como uma “fatia” do círculo. A legenda distingue mortes por ferimentos (vermelho), por outras causas (preto) e por doenças consideradas evitáveis ou mitigáveis (azul). Ao comparar os tamanhos dessas áreas ao longo do período, o desenho destaca mudanças na mortalidade, sugerindo que o problema não se explicava apenas pelo combate. A apresentação visual buscava tornar compreensíveis, para autoridades e opinião pública, dados que antes ficavam restritos a relatórios e tabelas. Analise o texto e o diagrama enviado por Nightingale e identifique a finalidade histórica desse uso de estatísticas visuais no contexto da administração estatal britânica do século XIX.
- A) Sustentar que fatores naturais inevitáveis explicam a mortalidade, dispensando medidas administrativas de prevenção.
- B) Sustentar a ampliação do poder de fogo como solução prioritária, relacionando a mortalidade à falta de armamentos.
- C) Sustentar a ideia de que a maioria das mortes decorreu de heroísmo em combate, valorizando a narrativa militarista.
- D) Sustentar reformas sanitárias e mudanças na gestão hospitalar militar com base em evidências numéricas.
- E) Sustentar que a disciplina individual é a causa central das mortes, defendendo punições como principal medida.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Leia o texto com atenção. A pergunta inicial, 'Se a guerra mata, por que tanta gente morre sem levar tiro?', mostra que a mortalidade do conflito não se explicava apenas pelos combates. Esse é o ponto de partida para entender o uso das estatísticas visuais.
- Observe a função do diagrama. Nightingale reuniu registros do Exército e os representou em áreas, em que cada mês é uma fatia do círculo. A legenda separa três categorias: mortes por ferimentos (vermelho), por outras causas (preto) e por doenças evitáveis ou mitigáveis (azul). Essa separação permite comparar, mês a mês, a importância relativa de cada causa.
- Identifique o resultado da comparação. Ao comparar os tamanhos das áreas ao longo do período, o desenho evidencia que grande parte das mortes vinha de doenças evitáveis, e não de ferimentos de combate. Isso indica que a questão era de saúde e de administração, e não apenas militar.
- Relacione isso à finalidade histórica. Os dados antes ficavam restritos a relatórios e tabelas. Ao transformá-los em imagem compreensível, Nightingale buscava convencer autoridades e a opinião pública de que eram necessárias reformas sanitárias e mudanças na gestão dos hospitais militares, com base em evidências numéricas. Esse é o sentido da alternativa D.
- Por que as outras estão erradas. A: o diagrama mostra que a mortalidade evitável era administrável, então negar medidas preventivas contraria a própria finalidade do gráfico. B: a ênfase em armamentos ignora que os ferimentos de combate não eram a maior causa de morte. C: o desenho não sustenta heroísmo, pois mostra mortes por doenças e causas evitáveis. E: a disciplina individual não aparece como causa central nos dados, e a proposta de punições não decorre da análise visual.
💡 Dica: Analise o gráfico e relacione as causas das mortes com as propostas de reforma.
Alternativa por alternativa
O aluno pode supor que a mortalidade era fatalidade natural e que nada havia a fazer. Ele desconsidera que o diagrama separa doenças evitáveis, justamente o que aponta para prevenção.
Por que engana: Confundir a causa das mortes com heroísmo ou fatores naturais, ignorando o papel das condições sanitárias.
O aluno pode associar automaticamente guerra a falta de armas e concluir que mais poder de fogo resolveria a mortalidade. Ele não percebe que a parte vermelha, dos ferimentos, não era a principal causa de morte.
O aluno pode ler a guerra por uma narrativa heroica e supor que as mortes se concentravam em combate. Não notou que o diagrama destaca justamente as mortes fora do campo de batalha.
O contraste visual entre causas de morte transforma dados em argumento político, associado às reformas sanitárias e à racionalização administrativa no século XIX.
O aluno pode atribuir as mortes à indisciplina dos soldados, tomando uma explicação moral por uma explicação sanitária. Ele não identifica que os dados apontam para doenças e condições de saúde, não para comportamento individual.
Raio-X da questão
uso de estatísticas visuais históricas
diagnostico
interpretação de gráficos históricos · contexto da Guerra da Crimeia
estudo de reformas sanitárias e administração militar no século XIX
Confundir a causa das mortes com heroísmo ou fatores naturais, ignorando o papel das condições sanitárias.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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