Em uma conversa entre amigos no recreio, uma aluna do interior diz: "Me empresta a borracha, por favor?". Na…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Ouvir gravações, canções, textos falados em diferentes variedades linguísticas, identificando características regionais, urbanas e rurais da fala e respeitando as diversas variedades linguísticas como características do uso da língua por diferentes grupos regionais ou diferentes culturas locais, rejeitando preconceitos linguísticos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma conversa entre amigos no recreio, uma aluna do interior diz: "Me empresta a borracha, por favor?". Na revisão do cartaz da escola, a professora explica que a turma pode usar essa forma na fala cotidiana, mas que em texto formal deve observar a norma-padrão. — Considerando a situação descrita, qual alternativa apresenta uma interpretação correta sobre a frase dita pela aluna?
- A) A frase mostra uma variação linguística da fala cotidiana, mas em texto formal a forma preferida é 'empresta-me a borracha'.
- B) A frase está errada em qualquer situação, pois a língua portuguesa não admite o pronome antes do verbo.
- C) A frase é um exemplo de variação regional, porque somente no interior se usa pronome antes do verbo.
- D) A frase só estaria correta se trouxesse o pronome depois do nome, como em 'empresta a borracha-me'.
- E) A frase prova que a norma-padrão sempre exige o pronome no começo da frase, em qualquer texto.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- A frase 'Me empresta a borracha, por favor?' é uma fala cotidiana. Nela o pronome 'me' aparece antes do verbo (próclise), construção muito comum na fala brasileira em geral, não apenas no interior. Passo 2: A norma-padrão, usada em texto formal, prefere a ênclise, com o pronome depois do verbo: 'Empresta-me a borracha, por favor?'. Como a frase começa pelo verbo, a ênclise é permitida aqui. Passo 3: Assim, a alternativa A está correta: a frase mostra uma variação da fala cotidiana e, em texto formal, a forma preferida é 'empresta-me a borracha'. Passo 4: Por que as outras estão erradas: a B está errada porque a língua portuguesa admite a próclise em muitos contextos, como em 'Não me empresta a borracha'. A C está errada porque a próclise ocorre em todo o Brasil e não só no interior. A D está errada porque o pronome não se coloca depois do nome dessa forma, e 'empresta a borracha-me' não é construção válida. A E está errada porque a norma-padrão proíbe iniciar a frase com pronome oblíquo átono, mas não exige pronome no começo das frases. Passo 5: O gabarito oficial (A) está correto e coincide com a análise feita.
💡 Dica: Compare a fala cotidiana com a escrita formal.
Alternativa por alternativa
A fala coloquial com próclise no início da frase é comum na oralidade. Na escrita formal, pode-se preferir a colocação padrão com ênclise em contextos sem palavra atrativa.
O aluno acredita que a língua portuguesa proíbe qualquer pronome antes do verbo, confundindo a regra de não iniciar frase com pronome átono com uma proibição geral da próclise.
Por que engana: Confundir variação linguística com erro gramatical, acreditando que a forma usada na fala cotidiana é sempre incorreta.
O aluno associa a próclise exclusivamente à fala do interior, tomando um fenômeno amplo da fala brasileira como traço regional restrito.
O aluno acha que a colocação correta do pronome é depois do substantivo, não entendendo que o pronome se liga ao verbo, e não ao nome do objeto.
O aluno entende que a norma-padrão exige que toda frase comece com pronome, quando a regra trata apenas de não iniciar frase com pronome oblíquo átono seguido de ênclise.
Raio-X da questão
variação linguistica
reconhecer variação
variação linguística na fala · norma-padrão da língua
adequacao ao contexto de uso
Confundir variação linguística com erro gramatical, acreditando que a forma usada na fala cotidiana é sempre incorreta.
pensamento_critico
conversa escolar e c
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