Ao preparar uma atividade sobre cartografia antiga, uma estudante encontra dois registros sobre a expansao…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Ao preparar uma atividade sobre cartografia antiga, uma estudante encontra dois registros sobre a expansao russa na Siberia (seculos XVII-XVIII). No primeiro, um mapa usado por funcionarios do czar mostra grandes areas sem nomes, interrompidas por pontos marcados como "fortins" e anota a cobranca de tributos em peles (yasak) em determinados rios. No segundo, um missionario descreve que grupos evenki se deslocavam por rotas sazonais, montando acampamentos temporarios, e que evitavam alguns vales por serem locais de memoria e de encontro entre parentes. O texto do missionario relata ainda conflitos quando coletores de tributos passaram a tratar como "atraso" a ausencia de vilas permanentes e a exigir presenca fixa perto dos fortins. Analise os registros e identifique a interpretacao que melhor compara os sentidos de fronteira e de "vazio" para o poder imperial e para os grupos evenki nesse contexto.
- A) Considerar que a mobilidade evenki prova inexistencia de territorio, pois so a fixacao em aldeias cria direito historico ao espaco.
- B) Considerar que o mapa expressa controle seletivo do Estado e que o "vazio" reflete limites de conhecimento, nao ausencia de territorialidades locais.
- C) Considerar que a fronteira imperial se definia apenas por rios e montanhas, tornando irrelevantes as praticas de mobilidade local.
- D) Considerar que as areas sem nomes no mapa indicam ausencia de ocupacao humana e legitimam a ocupacao estatal integral.
- E) Considerar que a cobranca de yasak reconhecia soberania evenki e estabelecia uma fronteira negociada sem conflito com os fortins.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia os dois registros com atenção. O mapa dos funcionários do czar mostra áreas sem nomes, pontos marcados como fortins e a cobrança de yasak em certos rios. Isso indica um controle seletivo: o Estado olha apenas para os pontos que lhe interessam (fortins e rios tributáveis). Passo 2: O relato do missionário mostra que os evenki tinham rotas sazonais, acampamentos temporários e vales de memória e encontro entre parentes. Ou seja, havia territorialidade, mas ela não se expressava em vilas permanentes. Passo 3: O conflito descrito aparece quando os coletores passam a tratar a ausência de vilas fixas como atraso. Isso mostra que o 'vazio' do mapa era uma leitura do poder imperial, que não reconhecia as formas de ocupação móveis, e não uma ausência real de ocupação. Passo 4: A alternativa B reúne essas ideias: o mapa expressa controle seletivo e o vazio reflete limites do olhar estatal, não a inexistência de territorialidades locais. Passo 5: Por que as outras estão erradas. A: a mobilidade não prova inexistência de território, pois os registros mostram que os evenki tinham espaços organizados e significativos. C: a fronteira imperial não se definia só por rios e montanhas, já que os fortins e a cobrança de tributos mostram presença humana e política. D: áreas sem nomes no mapa não significam ausência de ocupação, e sim desconhecimento ou desinteresse do Estado. E: a cobrança de yasak não reconhecia soberania evenki de forma negociada, e o texto relata justamente conflitos com os coletores.
💡 Dica: Compare as perspectivas do Estado e dos grupos locais sobre território e mobilidade.
Alternativa por alternativa
O aluno entende que, sem aldeias fixas, o grupo não tem direito sobre o espaço, confundindo ocupação permanente com territorialidade. Ele aceita a lógica do coletor de tributos que tratava a mobilidade como atraso.
O mapa marca pontos de administracao/tributo; o relato mostra rotas e lugares de memoria, indicando territórios mesmo sem vilas fixas.
O aluno reduz a fronteira a um limite natural, como rios e montanhas, e ignora os fortins e as práticas de mobilidade descritas no segundo registro. Assim, considera que a ação humana local não tem relevância na definição de território.
O aluno toma o espaço sem nome no mapa como prova de que a área estava vazia de gente. Ele confunde a falta de registro cartográfico com a falta de ocupação e legitima a ocupação estatal sem questionar o olhar do mapa.
Por que engana: Confundir ausencia de fixacao permanente com inexistencia de territorialidade ou controle local.
O aluno lê a cobrança de yasak como sinal de reconhecimento mútuo de soberania e de acordo pacífico. Ele não percebe que o texto menciona conflitos gerados justamente pela imposição de presença fixa perto dos fortins.
Raio-X da questão
fronteira, territorialidade, mobilidade
diagnostico
conceito de fronteira historica · mobilidade e territorialidade
estudo sobre fronteiras e territorialidades historicas
Confundir ausencia de fixacao permanente com inexistencia de territorialidade ou controle local.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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