Que “progresso” e esse que chega com sirenes e cercas? Em meados da ditadura, uma estrada e uma usina passaram…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar e relacionar as demandas indígenas e quilombolas como forma de contestação ao modelo desenvolvimentista da ditadura.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Que “progresso” e esse que chega com sirenes e cercas? Em meados da ditadura, uma estrada e uma usina passaram a ser apresentadas como obras “estratégicas” para integrar e modernizar o país. Em documentos da época (trechos adaptados), um grupo indígena escreveu que a equipe de engenharia marcou piquetes dentro de suas roças e limitou a circulação perto do rio, prometendo “mudança para outra área” e pagamento a algumas famílias. O texto pedia que a obra fosse revista e que o governo reconhecesse, por escrito, os limites usados tradicionalmente pelo grupo. Em outro estado, uma associação de moradores de um antigo quilombo relatou que topógrafos mediram terrenos e anunciaram desapropriações para um projeto de mineração, oferecendo contratos individuais e insistindo que “o interesse nacional” deveria prevalecer. A carta reivindicava permanecer na área, proteger um cemitério antigo e negociar coletivamente com o Estado. Compare as duas reivindicações apresentadas no texto-base e identifique o aspecto comum que as aproxima como contestação ao modelo desenvolvimentista da ditadura.
- A) Defesa da propriedade individual como fundamento central das reivindicações comunitárias
- B) Defesa do direito coletivo ao território tradicional diante de obras estatais impostas
- C) Aceitação do reassentamento como solução comum para os conflitos territoriais
- D) Prioridade ao controle estatal da circulação como motivo comum das reivindicações
- E) Reconhecimento apenas dos danos materiais causados pelos projetos às comunidades
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia os dois casos com atenção. No primeiro, um grupo indígena denuncia piquetes em suas roças, restrição de circulação perto do rio e promessa de mudança, pedindo revisão da obra e reconhecimento por escrito dos limites tradicionais. No segundo, um quilombo denuncia medições de terrenos e desapropriações para mineração, pedindo permanecer na área, proteger um cemitério antigo e negociar coletivamente.
- Identifique o que se repete. Nos dois textos, a comunidade defende um território que ocupa de forma tradicional e coletiva (roças e rio, no primeiro; a área do quilombo e o cemitério, no segundo) e contesta que o Estado imponha, por obras ou projetos, a saída ou a alteração desse espaço.
- Relacione com o contexto. O texto apresenta essas obras como 'progresso' e 'interesse nacional', que é a lógica desenvolvimentista da ditadura: grandes projetos justificados pelo bem do país, sem consulta às populações afetadas. As reivindicações contestam exatamente essa imposição.
- Verifique as alternativas. A alternativa B traz o aspecto comum: a defesa do direito coletivo ao território tradicional diante de obras estatais impostas. Está correta.
- Por que as outras estão erradas. A alternativa A está errada porque as reivindicações são coletivas, e o quilombo rejeita contratos individuais. A alternativa C está errada porque as comunidades não aceitam o reassentamento como solução, pedindo permanência ou revisão. A alternativa D está errada porque o controle estatal da circulação é justamente um problema denunciado, não uma prioridade das comunidades. A alternativa E está errada porque os textos vão além dos danos materiais, tratando de território, cultura, cemitério e direitos de decisão.
- Conclusão. O gabarito oficial B está correto e coincide com a resolução feita de forma independente.
💡 Dica: Compare o que os dois grupos reivindicam, não os detalhes específicos de cada obra.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter associado 'reivindicação' apenas à propriedade e ignorado que os dois grupos pedem direitos coletivos, como negociação em conjunto e reconhecimento de limites tradicionais. Também pode ter visto que há 'contratos individuais' sem perceber que são justamente recusados.
Por que engana: Focar nas diferenças entre as obras ou nos danos específicos e deixar de perceber que ambas as comunidades reivindicam permanecer em seus territórios tradicionais.
As duas reivindicações contestam intervenções que ameaçam a permanência das comunidades em seus territórios e defendem que seus direitos coletivos sejam reconhecidos diante de projetos impostos pelo Estado.
O aluno pode ter entendido que as pagamentos e a promessa de mudança para outra área indicam aceitação do reassentamento, sem notar que as comunidades rejeitam a saída e pedem permanência ou revisão da obra.
O aluno pode ter se confundido com a menção a restrições de circulação e cercas, supondo que as comunidades defendem o controle estatal dessas áreas. Na verdade, a restrição é o problema denunciado.
O aluno pode ter restringido a leitura aos aspectos materiais, como roças, pagamentos e terrenos, ignorando elementos como o cemitério antigo, os limites tradicionais e o pedido de negociação coletiva, que vão além do dano material.
Raio-X da questão
Direito coletivo ao território
avaliacao
Ditadura militar brasileira · Territórios tradicionais e direitos coletivos
Revise as resistências de povos indígenas e comunidades quilombolas às políticas desenvolvimentistas da ditadura.
Focar nas diferenças entre as obras ou nos danos específicos e deixar de perceber que ambas as comunidades reivindicam permanecer em seus territórios tradicionais.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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