Numa traducao recente do texto Germania, atribuido a Tacito (seculo I), o leitor encontra a descricao de…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Numa traducao recente do texto Germania, atribuido a Tacito (seculo I), o leitor encontra a descricao de terras alem do Reno como um conjunto de “florestas interminaveis” e “lugares ermos”, onde o “mundo civilizado” se encerraria. No mesmo volume, uma nota de rodape sintetiza pesquisas arqueologicas atuais: aldeias germanicas mudavam de lugar ao longo das decadas, combinando rocas, pastagens e areas de coleta; rios funcionavam como eixos de deslocamento e troca; e objetos romanos aparecem em sitios bem alem das fortificacoes do limes. O comentario conclui que o limite romano era intensamente vigiado, mas tambem atravessado por comercio, alianças e conflitos, variando conforme as campanhas militares e os acordos locais. Analise as duas caracterizacoes do espaco alem do Reno e identifique a interpretacao que melhor relativiza a ideia de “vazio” e o sentido de fronteira nesse contexto historico.
- A) Considerar o “vazio” como ausencia demografica comprovada e a fronteira como separacao natural por rios
- B) Definir o “vazio” como ausencia de propriedade privada e a fronteira como linha fixa de soberania igual para ambos
- C) Concluir o “vazio” como falta de territorialidade germanica e a fronteira como limite apenas militar, sem trocas
- D) Atribuir o “vazio” a falhas tecnicas de cartografia e a fronteira a um desconhecimento geografico dos romanos
- E) Entender o “vazio” como categoria cultural romana de alteridade e a fronteira como zona de contato variavel
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Resolvi a questão a partir do próprio texto. A expressão florestas interminaveis e lugares ermos, junto com o mundo civilizado que se encerraria, é uma imagem construída pelo olhar romano, que separa o mundo civilizado do mundo bárbaro. Ou seja, o vazio é uma categoria de alteridade, não um dado demográfico neutro. Passo 2: A nota de rodapé relativiza essa imagem. Aldeias germânicas mudavam de lugar, rios eram eixos de deslocamento e troca e objetos romanos aparecem longe do limes, o que mostra que o espaço era ocupado e articulado. Passo 3: O comentário também relativiza a fronteira: o limite era vigiado, mas atravessado por comércio, alianças e conflitos, variando conforme campanhas e acordos locais. Isso corresponde a uma zona de contato variável, e não a uma linha fixa e isolada. Passo 4: Portanto, a alternativa E é a correta e coincide com o gabarito oficial. Passo 5: A alternativa A está errada, pois o texto não comprova ausência demográfica e mostra os rios como eixos de circulação, não como separação natural. A alternativa B está errada, pois propriedade privada não é o foco e a fronteira não é descrita como linha fixa de soberania igual para ambos. A alternativa C está errada, pois o texto mostra que havia territorialidade e que a fronteira também envolvia trocas. A alternativa D está errada, pois o problema não é técnico de cartografia, e sim a própria visão romana sobre o outro.
💡 Dica: Compare as duas visões do espaço e identifique a interpretação que relativiza o conceito de vazio e fronteira.
Alternativa por alternativa
O aluno toma a descrição de Tácito como retrato literal de terra despovoada e vê os rios como barreira absoluta, ignorando que a nota os apresenta como eixos de deslocamento e troca.
O aluno associa o vazio apenas à ausência de propriedade privada e supõe uma fronteira fixa e simétrica, sem perceber que o texto descreve um limite vigiado e variável conforme as campanhas.
O aluno confunde ausência de domínio romano com ausência de territorialidade germânica e entende a fronteira só como limite militar, desconsiderando as trocas e alianças mencionadas no comentário.
Por que engana: Confundir fronteira como linha fixa e ignorar a dimensão cultural do 'vazio' como categoria romana de alteridade.
O aluno acredita que as descrições são erros técnicos de mapas ou ignorância geográfica dos romanos, tomando a visão de mundo como simples falha de conhecimento.
A descricao romana contrasta com a arqueologia: “vazio” funciona como leitura cultural, e o limes aparece como limite poroso e mutavel.
Raio-X da questão
fronteira histórica e alteridade cultural
diagnostico
conceito de fronteira histórica · alteridade cultural romana
estude conceitos de fronteira, alteridade e percepção cultural na história romana
Confundir fronteira como linha fixa e ignorar a dimensão cultural do 'vazio' como categoria romana de alteridade.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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