Uma reportagem de site traz a manchete: “O presidente do time resolveu o impasse sem ajuda”. Depois, no corpo…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Uma reportagem de site traz a manchete: “O presidente do time resolveu o impasse sem ajuda”. Depois, no corpo do texto, percebe-se que havia dois dirigentes com funções parecidas e que a manchete não explicava qual deles havia agido. Leitores criticaram a formulação por parecer convincente, mas gerar interpretações diferentes. — À luz de Bertrand Russell, o que esse caso evidencia sobre a linguagem usada na manchete?
- A) Evidencia que a manchete foi criticada apenas porque os leitores não conheciam suficientemente a estrutura administrativa do time mencionado na reportagem.
- B) Evidencia que o sentido da manchete depende exclusivamente da intenção psicológica do autor, pois a linguagem só é compreendida quando se conhece o que ele desejava comunicar.
- C) Evidencia que toda manchete jornalística é logicamente inadequada, pois a linguagem cotidiana sempre impede a identificação objetiva dos fatos narrados.
- D) Evidencia que a ambiguidade surgiu porque os leitores interpretaram mal a notícia, e essa leitura equivocada tornou a expressão da manchete imprecisa depois da publicação.
- E) Evidencia que uma expressão aparentemente direta pode falhar por falta de precisão referencial, exigindo análise lógica para indicar com clareza de quem se fala e evitar interpretações ambíguas.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O caso descrito trata de uma descrição definida, a expressão 'o presidente do time', que pressupõe a existência de um único indivíduo com aquela propriedade. Como havia dois dirigentes com funções parecidas, a expressão não identifica de forma unívoca quem agiu, e por isso a manchete fica ambígua.
- Bertrand Russell, na teoria das descrições definidas, mostra que frases como 'o X é Y' afirmam implicitamente que existe exatamente um X. Quando a descrição não é satisfeita de modo único, a frase pode ser verdadeira ou falsa conforme a leitura, o que gera confusão. Essa análise lógica serve para explicitar a referência e eliminar a ambiguidade.
- A alternativa E é a correta porque afirma que uma expressão aparentemente direta pode falhar por falta de precisão referencial e que a análise lógica ajuda a indicar com clareza de quem se fala, exatamente o que o caso evidencia.
- A alternativa A está errada porque o problema não está no desconhecimento dos leitores, mas na própria formulação da manchete, que não identifica o agente.
- A alternativa B está errada porque Russell valoriza a estrutura lógica da linguagem, e não a intenção psicológica do autor como fonte do sentido.
- A alternativa C está errada porque generaliza de modo excessivo: o caso mostra uma falha pontual de precisão, e não uma inadequação de toda manchete ou da linguagem cotidiana como um todo.
- A alternativa D está errada porque atribui a ambiguidade à má leitura dos leitores, quando a imprecisão já está na expressão, antes de qualquer interpretação.
💡 Dica: Analise a ambiguidade da manchete segundo a teoria da linguagem de Bertrand Russell.
Alternativa por alternativa
Acredita que a crítica surgiu por falta de conhecimento do leitor sobre a estrutura do time, e não por uma falha na própria expressão.
Entende que o sentido de uma frase depende apenas do que o autor pretendia dizer, ignorando que Russell trata da estrutura lógica e da referência da linguagem.
Por que engana: Confundir ambiguidade com erro do leitor ou atribuir sentido apenas à intenção do autor, ignorando a precisão referencial.
Generaliza uma falha pontual de uma manchete para a conclusão de que toda linguagem jornalística ou cotidiana é logicamente inadequada.
Atribui a ambiguidade à má interpretação dos leitores e não à própria formulação da manchete, que já era imprecisa antes da leitura.
A alternativa está correta porque, para Russell, a linguagem comum pode ocultar ambiguidades e imprecisões. A análise lógica permite esclarecer a referência de expressões como “o presidente do time”, evitando que a forma gramatical pareça mais precisa do que realmente é.
Raio-X da questão
ambiguidade e precisão referencial
diagnostico
teoria da linguagem · ambiguidade linguística
estude ambiguidade linguística e teoria da referência em linguagem
Confundir ambiguidade com erro do leitor ou atribuir sentido apenas à intenção do autor, ignorando a precisão referencial.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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