Em uma passagem de Assim falou Zaratustra, Nietzsche apresenta a figura do eremita que se afasta dos demais e…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma passagem de Assim falou Zaratustra, Nietzsche apresenta a figura do eremita que se afasta dos demais e rejeita os desejos, o corpo e os sentidos em nome de uma suposta elevação espiritual. A narrativa, porém, não trata esse afastamento como prova de superioridade: ele é interpretado como sinal de uma atitude que se volta contra as forças vitais e transforma a renúncia em valor moral absoluto. Com base no texto, por que a vida eremítica pode funcionar, em Nietzsche, como crítica ao ideal ascético?
- A) Porque defende que os rituais religiosos são necessários para superar os limites da existência corporal.
- B) Porque comprova que a pobreza material constitui o principal critério da virtude moral.
- C) Porque estabelece que a submissão a autoridades morais produz a verdadeira liberdade humana.
- D) Porque confirma que o isolamento religioso garante a felicidade e a salvação individual.
- E) Porque revela que a rejeição dos instintos e do corpo pode expressar enfraquecimento da vida, e não superioridade moral.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O enunciado descreve o eremita que se afasta dos demais e rejeita desejos, corpo e sentidos em nome de uma elevação espiritual, mas afirma que essa renúncia não prova superioridade e sim uma atitude contrária às forças vitais, que transforma a renúncia em valor moral absoluto.
- A pergunta pede por que a vida eremítica pode funcionar como crítica ao ideal ascético. A chave está na ideia de que o ascetismo é tratado como sintoma de enfraquecimento da vida, e não como caminho de elevação.
- A alternativa E traduz exatamente essa leitura: a rejeição dos instintos e do corpo pode expressar enfraquecimento da vida, e não superioridade moral. Isso corresponde à crítica nietzschiana de que o ideal ascético nega a vida em nome de valores supostamente superiores.
- Por que as outras estão erradas: A) apresenta os rituais religiosos como necessários para superar o corpo, o que vai na direção oposta ao texto, que critica a negação do corpo; B) transforma a pobreza material em critério da virtude, algo que o texto não afirma e que se aproxima do próprio ideal que é criticado; C) defende a submissão a autoridades morais como fonte de liberdade, contrariando a ideia de crítica à moral que nega a vida; D) afirma que o isolamento religioso garante felicidade e salvação, reproduzindo justamente a valorização do afastamento que o texto questiona.
- Conclusão: a alternativa E é a única que coerentemente explica a crítica ao ideal ascético presente no texto, pois mostra que a própria renúncia pode ser sinal de debilidade vital.
💡 Dica: considere a função crítica da negação dos instintos
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que o ritual religioso é um meio legítimo de superar o corpo, achando que a crítica do texto seria à ausência de práticas religiosas.
O aluno confunde a crítica ao ascetismo com a defesa da pobreza como sinal de virtude, sem perceber que o texto questiona a renúncia como valor moral absoluto.
Por que engana: Confundir a crítica de Nietzsche ao ascetismo com uma valorização da pobreza ou submissão religiosa, interpretando mal seu posicionamento sobre a negação dos instintos.
O aluno supõe que obediência a autoridades morais leva à liberdade, invertendo a ideia de que a moral que nega a vida é o alvo da crítica.
O aluno toma o isolamento como garantia de felicidade e salvação, aceitando a premissa do eremita que o texto justamente relativiza.
O ideal ascético atribui valor à renúncia, ao controle dos desejos e ao afastamento da dimensão corporal. No texto, Nietzsche questiona essa valorização ao indicar que a recusa das forças vitais pode resultar de uma vida enfraquecida. Assim, a vida eremítica critica o ideal ascético quando evidencia que negar os instintos não torna necessariamente o indivíduo moralmente superior.
Raio-X da questão
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Confundir a crítica de Nietzsche ao ascetismo com uma valorização da pobreza ou submissão religiosa, interpretando mal seu posicionamento sobre a negação dos instintos.
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