Diário fictício de bordo: Em 1750, o navio Lorde de Plymouth partiu de Liverpool com destino à Costa da Guiné…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os mecanismos e as dinâmicas de comércio de escravizados em suas diferentes fases, identificando os agentes responsáveis pelo tráfico e as regiões e zonas africanas de procedência dos escravizados.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Diário fictício de bordo: Em 1750, o navio Lorde de Plymouth partiu de Liverpool com destino à Costa da Guiné. Sob contrato da Royal African Company, fez escala em São Tomé para embarcar 320 pessoas escravizadas, trazidas por mercadores locais. Cruzando o Atlântico, chegou a Salvador, onde a carga humana foi leiloada para fazendeiros e senhores de engenho. Em seguida, retornou à Inglaterra com açúcar e tabaco. Esse ciclo se repetia várias vezes ao ano e contava com capitais e navios especializados no transporte de cativos entre a África, a Europa e a América. Analise o texto-base e identifique qual agente foi responsável pela organização sistemática do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas descrito.
- A) Royal African Company, empresa que organizava expedições de tráfico de pessoas escravizadas
- B) mercadores locais, que mantinham redes de compra na Europa
- C) governo português, que supervisionava as escalas em São Tomé
- D) senhores de engenho, que negociavam diretamente com os capitães dos navios
- E) comunidades quilombolas, que interceptavam os navios durante o percurso
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O texto-base descreve um ciclo repetido de transporte de pessoas escravizadas entre a África, a Europa e a América. A pergunta pede o agente que organizava esse tráfico de forma sistemática. Passo 2: O enunciado afirma que o navio partiu de Liverpool 'sob contrato da Royal African Company', e que o ciclo 'contava com capitais e navios especializados no transporte de cativos'. Isso indica uma organização empresarial, com financiamento e frota próprios, que coordenava as viagens. Passo 3: A alternativa A é a correta, pois a Royal African Company é o agente que contratou e organizava a expedição descrita. Passo 4: A alternativa B está errada, pois os mercadores locais de São Tomé apenas abasteceram a carga humana como fornecedores, sem organizar o ciclo transatlântico. Passo 5: A alternativa C está errada, pois o governo português não aparece no texto como organizador das escalas, que o enunciado atribui a um contrato com a empresa inglesa. Passo 6: A alternativa D está errada, pois os senhores de engenho aparecem apenas como compradores no leilão em Salvador, e não como organizadores do tráfico. Passo 7: A alternativa E está errada, pois as comunidades quilombolas não aparecem no texto e não são descritas interceptando navios. Passo 8: Observação: historicamente, a Royal African Company perdeu o monopólio do tráfico inglês em 1698, de modo que o cenário de 1750 é fictício; a resposta, porém, deve ser dada com base no texto, que atribui a organização à empresa.
💡 Dica: Identifique no texto quem financiava e organizava as expedições do tráfico.
Alternativa por alternativa
O texto informa que a viagem ocorreu sob contrato da Royal African Company. Em 1750, a empresa ainda atuava no tráfico, mas já não detinha o monopólio do comércio.
O aluno percebe que há intermediários africanos no tráfico e conclui que eles organizavam o sistema, ignorando que o texto os apresenta apenas como fornecedores das pessoas embarcadas em São Tomé. Não identifica que a organização do ciclo vinha do contrato com a empresa europeia.
Por que engana: Confundir os agentes que participavam do tráfico, como comerciantes locais e compradores coloniais, com a companhia responsável por organizar sistematicamente as expedições descritas no texto.
O aluno associa a escala em São Tomé, que pertencia a Portugal, a uma supervisão portuguesa do tráfico. Não nota que o texto menciona Portugal apenas de forma implícita e que a escala não define quem organizava as viagens.
O aluno lê que os senhores de engenho compraram os cativos em Salvador e supõe que eles também negociavam com os capitães, controlando a operação. Confunde o papel de comprador final com o de organizador do transporte.
O aluno traz para a questão a ideia de resistência à escravidão e imagina que grupos de resistência atacavam os navios. O texto não menciona nenhuma ação de resistência, e o tema não tem relação com a organização do tráfico.
Raio-X da questão
Tráfico transatlântico de escravizados
avaliacao
Tráfico atlântico de escravizados · Companhias comerciais europeias
Revise a atuação das companhias comerciais europeias na organização do tráfico atlântico de pessoas escravizadas.
Confundir os agentes que participavam do tráfico, como comerciantes locais e compradores coloniais, com a companhia responsável por organizar sistematicamente as expedições descritas no texto.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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