Em 1880, intelectuais abolicionistas começaram a distribuir folhetos em centros urbanos brasileiros, usando…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Discutir o papel das culturas letradas, não letradas e das artes na produção das identidades no Brasil do século XIX.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em 1880, intelectuais abolicionistas começaram a distribuir folhetos em centros urbanos brasileiros, usando tipografia e desenhos para expor argumentos contra a escravidão. Ao mesmo tempo, nas comunidades quilombolas, as mensagens eram transmitidas oralmente por meio de cantos e histórias compartilhadas em roda, criando códigos de resistência e preservação cultural. Analise as linguagens e tecnologias de comunicação descritas no texto-base e avalie seus significados sociais atribuídos no período. Como cada método influenciou o engajamento social?
- A) Uso de folhetos substituiu práticas orais tradicionais e comunicação oral perdeu valor cultural
- B) Uso de folhetos garantiu anonimato dos divulgadores e comunicação oral permitiu crítica direta às autoridades imperiais
- C) Uso de folhetos limitou a mobilização apenas a populações rurais e comunicação oral atingiu elites políticas
- D) Uso de folhetos ampliou debates públicos entre leitores alfabetizados e comunicação oral fortaleceu identidades comunitárias quilombolas
- E) Uso de folhetos unificou todas as classes sociais em torno da abolição e comunicação oral favoreceu debates parlamentares
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O texto-base descreve dois métodos de comunicação usados contra a escravidão no Brasil de 1880. Os folhetos, com tipografia e desenhos, circulavam nos centros urbanos e dependiam de leitura, o que os tornava acessíveis sobretudo a leitores alfabetizados. Já a transmissão oral, por cantos e histórias em roda nas comunidades quilombolas, preservava a cultura e criava códigos de resistência de forma coletiva.
- Analisando o significado social de cada método, o folheto amplia o debate público, pois coloca argumentos abolicionistas em circulação na cidade e provoca discussão entre quem sabe ler. A oralidade, por sua vez, fortalece laços comunitários e a identidade do grupo, além de manter códigos de resistência longe do controle das autoridades.
- A alternativa D reúne essas duas ideias corretamente: os folhetos ampliam debates públicos entre alfabetizados e a comunicação oral fortalece identidades comunitárias quilombolas.
- Por que as outras estão erradas: A afirma que a oralidade perdeu valor, o que o texto não diz, pois ele destaca sua função de preservação cultural. B atribui anonimato aos folhetos e crítica direta às autoridades à oralidade, afirmações não sustentadas pelo texto e que inverteriam o sentido dos códigos de resistência. C diz que os folhetos limitavam a mobilização ao campo, mas o texto os situa nos centros urbanos. E afirma que os folhetos unificaram todas as classes, algo não descrito, e que a oralidade favorecia debates parlamentares, contrário à sua natureza comunitária.
- Conclusão: a resposta correta é a alternativa D, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Compare o alcance dos folhetos com a função comunitária da transmissão oral.
Alternativa por alternativa
O aluno entendeu que a difusão dos folhetos substituiu totalmente as práticas orais, como se a tecnologia nova eliminasse a tradição antiga. O texto mostra os dois métodos coexistindo no mesmo período.
Por que engana: Supor que a comunicação impressa e a oral tinham o mesmo público e efeito social, ignorando o alcance entre leitores alfabetizados e o fortalecimento das identidades comunitárias quilombolas.
O aluno atribuiu aos folhetos um anonimato que o texto não menciona e transferiu à oralidade uma crítica direta às autoridades imperiais, que não aparece no texto; a oralidade foi descrita como forma de preservação e resistência discreta.
O aluno restringiu os folhetos às populações rurais, quando o texto os situa explicitamente nos centros urbanos, e associou a oralidade às elites políticas, quando ela é descrita nas comunidades quilombolas.
Os folhetos atingiam públicos urbanos alfabetizados, enquanto a oralidade consolidava coesão e cultura interna nas comunidades.
O aluno supôs que os folhetos uniram todas as classes sociais, o que o texto não afirma, e que a oralidade servia a debates parlamentares, quando ela aparece ligada às rodas comunitárias quilombolas.
Raio-X da questão
Comunicação e resistência abolicionista
avaliacao
Abolicionismo no Brasil imperial · Cultura e resistência quilombola
Revise as formas de mobilização abolicionista e o papel da comunicação impressa e oral nas comunidades quilombolas.
Supor que a comunicação impressa e a oral tinham o mesmo público e efeito social, ignorando o alcance entre leitores alfabetizados e o fortalecimento das identidades comunitárias quilombolas.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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