No corredor de uma rádio comunitária, depois de uma gravação sobre a feira do bairro, a entrevistadora ouviu…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Reconhecer as variedades da língua falada, o conceito de norma-padrão e o de preconceito linguístico.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No corredor de uma rádio comunitária, depois de uma gravação sobre a feira do bairro, a entrevistadora ouviu uma senhora comentar: “A gente pegou o ônibus cedo, mas o moço disse que num tinha lugar”. O sobrinho, que acompanhava a conversa, riu e respondeu: “Fala direito, tia, porque desse jeito fica feio”. A entrevistadora, então, explicou que a fala muda conforme a situação e que expressões como “a gente” e “num” fazem parte do modo de falar de muitos brasileiros. Ela acrescentou que corrigir alguém com deboche, como se a forma de falar fosse sinal de falta de valor, revela preconceito linguístico. Analise o texto-base e identifique a interpretação que melhor expressa a relação entre variedade da fala, norma-padrão e preconceito linguístico.
- A) Considera a fala da senhora incorreta e confirma que apenas a forma padronizada deve ser usada em qualquer situação.
- B) Defende que a entrevistadora deve substituir a fala da senhora por uma fala escrita, para evitar marcas regionais.
- C) Reconhece a diferença entre fala cotidiana e norma-padrão e evita julgar a senhora pela maneira de se expressar.
- D) Mostra que todas as pessoas precisam falar do mesmo modo para que a comunicação seja correta e respeitosa.
- E) Mostra que o sobrinho está certo ao corrigir a senhora, porque a fala popular sempre indica pouca escolaridade.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leia o texto com atenção. A senhora usa "a gente" e "num", que são marcas típicas da fala cotidiana. O sobrinho manda que ela "fale direito", e a entrevistadora responde que a fala muda conforme a situação e que essas expressões fazem parte do modo de falar de muitos brasileiros.
- Identifique as três ideias centrais do texto: (a) existe variedade linguística, isto é, diferentes formas de falar adequadas a diferentes situações; (b) a norma-padrão é uma referência usada em certos contextos formais, e não a única forma válida; (c) corrigir alguém com deboche, como se sua fala indicasse falta de valor, é preconceito linguístico.
- Analise a alternativa C. Ela reconhece a diferença entre a fala cotidiana e a norma-padrão e evita julgar a senhora pela forma como se expressa. Isso corresponde exatamente às três ideias do texto. Esta é a alternativa correta, e coincide com o gabarito oficial.
- Veja por que as outras estão erradas. A: considera a fala da senhora incorreta e exige a forma padronizada em qualquer situação, o que contraria o texto. B: propõe substituir a fala por escrita, algo que o texto não defende. D: exige que todos falem do mesmo modo, negando a variedade linguística que o texto valoriza. E: afirma que a fala popular indica pouca escolaridade, justamente o preconceito que o texto critica.
💡 Dica: Analise a relação entre variedades linguísticas e preconceito no texto.
Alternativa por alternativa
Acredita que a norma-padrão é a única forma correta de falar e que qualquer desvio deve ser corrigido, em qualquer situação.
Por que engana: Confundir norma-padrão com única forma correta e julgar falas populares como erradas.
Entende que a solução para a diversidade de falas é padronizar a oralidade pela escrita, como se a fala devesse imitar o texto escrito.
Correta. O texto mostra que a entrevistadora valoriza a variedade falada e rejeita o deboche, relacionando contexto de uso e preconceito linguístico.
Confunde comunicação correta com uniformidade de fala, achando que só há respeito quando todos usam exatamente o mesmo modo de falar.
Associa a fala popular diretamente à falta de escolaridade e toma a correção do sobrinho como justa, ignorando o deboche criticado no texto.
Raio-X da questão
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variedades linguísticas brasileiras · norma-padrão da língua
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Confundir norma-padrão com única forma correta e julgar falas populares como erradas.
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