Com pouco dinheiro, mas fora do eixo revolucionário do mundo, ignorando o Manifesto Comunista e não querendo…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e verbais), compreendendo criticamente o modo como circulam, constituem-se e (re)produzem significação e ideologias.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Com pouco dinheiro, mas fora do eixo revolucionário do mundo, ignorando o Manifesto Comunista e não querendo ser burguês, passei naturalmente a ser boêmio. (...) Continuei na burguesia, de que mais que aliado, fui índice cretino, sentimental e poético. (...) A valorização do café foi uma operação imperialista. A poesia Pau Brasil também. Isso tinha que vir com as cornetas da crise. Como ruir quase toda a literatura brasileira “de vanguarda”, provinciana e suspeita, quando não extremamente esgotada e reacionária. (Oswald de Andrade. Prefácio a Serafim Ponte Grande, 1933.) O texto de Oswald de Andrade UNESP - 2012
- A) expõe o anseio do autor de que a literatura e as demais formas artísticas fossem controladas pelo Estado e escapassem, assim, da tutela da classe social hegemônica.
- B) revela algumas das principais características do movimento modernista de 1922, como a busca da identidade nacional e a adesão a projetos político-partidários de direita.
- C) indica o afastamento gradual dos participantes da Semana de Arte Moderna em relação aos componentes ideológicos de esquerda que caracterizaram o movimento.
- D) explicita a preocupação dos setores políticos e sociais dominantes frente à crise econômica provocada pela alta do preço do café e sua tentativa de regulamentar o setor.
- E) demonstra a defesa, pelo autor, da politização da produção literária e o abandono de parte dos princípios estéticos que guiaram sua obra na década anterior.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Identifique o contexto do texto. O trecho é o prefácio de Oswald de Andrade a Serafim Ponte Grande (1933). Nele o autor rejeita a posição de artista burguês, declara-se boêmio, fala em ignorar o Manifesto Comunista e critica a poesia Pau-Brasil e a literatura de vanguarda que ele mesmo praticou, chamando-a de provinciana, suspeita e esgotada.
- Analise o sentido geral do texto. Oswald reconhece que, em 1933, sua obra anterior já não lhe parece adequada. Ele passa a propor uma literatura ligada à crise e às questões sociais, o que representa uma politização da produção literária e uma crítica aos princípios estéticos da fase de 1922 a 1928, como o primitivismo e a valorização do exotismo nacional.
- Avalie a alternativa E. Ela afirma que o autor defende a politização da produção literária e abandona parte dos princípios estéticos de sua obra da década anterior. Isso corresponde ao que o texto expressa. A alternativa está correta.
- Verifique as demais alternativas. A alternativa A está errada porque o texto não pede controle estatal da arte; o autor critica a própria burguesia e não defende tutela estatal. A alternativa B está errada porque o texto não afirma adesão a partidos de direita; o autor se distancia da burguesia e fala em revolução e crise. A alternativa C está errada porque o texto não mostra afastamento da esquerda; ao contrário, o autor se aproxima de um olhar ideológico mais politizado. A alternativa D está errada porque o autor não expressa a visão dos setores dominantes; ele critica o café como operação imperialista.
- Conclusão. A alternativa correta é a E, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise as ideias do texto e relacione com o contexto do modernismo brasileiro.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter associado a crítica ao capitalismo à defesa de controle estatal da arte, confundindo a posição de Oswald com a de regimes que submetem a produção cultural ao Estado.
O aluno pode ter tomado a menção ao nacionalismo e à busca de identidade nacional do Modernismo como sinal de adesão a projetos de direita, sem perceber que o texto critica a burguesia e a literatura nacionalista.
Por que engana: Confundir a posição política do autor e interpretar erroneamente a relação entre literatura e política no modernismo.
O aluno pode ter entendido a frase sobre a crise e a renúncia à vanguarda como afastamento da esquerda, quando o texto na verdade reforça um viés político e crítico à ordem social.
O aluno pode ter lido o texto como discurso das elites diante da crise do café, sem perceber que Oswald denuncia a valorização do café como operação imperialista e se coloca contra os dominantes.
Correta porque o texto defende uma literatura atenta à política e à realidade social do país, mostrando que Oswald passou a valorizar o engajamento político da produção literária, abandonando parte dos princípios unicamente formais da primeira fase modernista.
Raio-X da questão
modernismo brasileiro e politização literária
avaliacao
interpretação de texto literário · contexto histórico do modernismo
estude características do modernismo e sua relação com política e estética
Confundir a posição política do autor e interpretar erroneamente a relação entre literatura e política no modernismo.
pensamento_critico
literario
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