“A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre obras de diferentes autores e gêneros literários de um mesmo momento histórico e de momentos históricos diversos, explorando os modos como a literatura e as artes em geral se constituem, dialogam e se retroalimentam.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
“A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.” (4º parágrafo) Atende particularmente a esse princípio estético do manifesto (podendo até mesmo ser visto como um desdobramento dele) o seguinte poema de Oswald de Andrade (publicado em 1925): UNESP - 2025
- A) A couve mineira tem gosto de bife inglês Depois do café e da pinga O gozo de acender a palha Enrolando o fumo De Barbacena ou de Goiás Cigarro cavado Conversa sentada
- B) Sente-se diante da vitrola E esqueça-se das vicissitudes da vida Na dura labuta de todos os dias Não deve ninguém que se preze Descuidar dos prazeres da alma Discos a todos os preços
- C) Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados
- D) Depois da churrascada Ao fogo e ao vento O cavaleiro do gado Trouxe ouro em pó E uma cuia festiva Para sorvermos a digestão
- E) Meu amigo Foi-me impossível vir hoje Porque Armando veio comigo Como se foras tu Necessito muito de algum dinheiro Arranja-mo Deixo-te um beijo na porta Da garçonnière E sou a sinceridade
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O trecho do manifesto defende uma língua sem arcaísmos e sem erudição, natural, neológica, que aceita os erros e registra o modo como falamos. Esse é o critério para escolher o poema.
- A alternativa C, 'Para dizerem milho dizem mio...', atende a esse princípio de forma direta. O poema registra a fala popular, com deformações como mio por milho, mió por melhor, pió por pior, teia por telha e teiado por telhado. Essas formas são 'erros' da norma culta que o poeta transforma em material poético, reconhecendo a fala real do brasileiro.
- Além disso, o último verso, 'E vão fazendo telhados', mostra que a língua se faz no uso cotidiano, sem preocupação com a gramática erudita, o que corresponde ao caráter neológico e natural do manifesto.
- A alternativa A usa linguagem coloquial e temas regionais, mas o foco está no tema e nos costumes, e não na própria língua como algo que se transforma.
- A alternativa B tem tom conversacional e fala sobre a vida e os prazeres, sem registrar nenhuma variação linguística ou erro de fala.
- A alternativa D descreve uma cena rural, com vocabulário regional, mas não apresenta a fala popular deformada nem a criação de formas novas.
- A alternativa E tem informalidade de bilhete, com construções como arranja-mo, mas o efeito vem do registro íntimo, e não da proposta de uma língua natural e neológica.
- Portanto, o gabarito C está correto, pois é o único poema em que a própria língua, com seus erros e variações, é o assunto e a matéria do texto.
💡 Dica: Analise o poema buscando elementos que evidenciem o uso da linguagem natural e neológica.
Alternativa por alternativa
Acredita que basta o poema ter linguagem coloquial e temas do cotidiano regional (comida, pinga, fumo) para atender ao princípio, sem perceber que o manifesto trata da própria língua.
Por que engana: Confundir linguagem coloquial com linguagem erudita ou não identificar neologismos no texto.
Associa a ideia de língua natural ao tom conversacional e à mensagem sobre os prazeres da vida, sem notar que o princípio se refere ao registro e à transformação da linguagem.
Correta. O poema destaca variações regionais e populares da língua, mostrando como pessoas realmente falam (mio, mió, pió, teia, teiado) e valoriza transformações 'erradas' como legítimas criações linguísticas, exatamente como propõe o manifesto ao rejeitar artificialismos eruditos e assumir a linguagem cotidiana.
Acha que a presença de termos regionais e da cultura brasileira (churrascada, cuia, gado) define a proposta estética, sem reconhecer que o princípio exige a língua falada com seus desvios.
Confunde informalidade de bilhete e construções coloquiais como arranja-mo com neologismo e aceitação dos erros, que são o núcleo do princípio do manifesto.
Raio-X da questão
linguagem natural e neológica
diagnostico
interpretação de texto literário · movimento modernista brasileiro
Estude características da linguagem modernista e do manifesto antropofágico.
Confundir linguagem coloquial com linguagem erudita ou não identificar neologismos no texto.
pensamento_critico
literario
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