Os africanos não escravizavam africanos, nem se reconheciam então como africanos. Eles se viam como membros de…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Os africanos não escravizavam africanos, nem se reconheciam então como africanos. Eles se viam como membros de uma aldeia, de um conjunto de aldeias, de um reino e de um grupo que falava a mesma língua, tinha os mesmos costumes e adorava os mesmos deuses. (...) Quando um chefe (...) entregava a um navio europeu um grupo de cativos, não estava vendendo africanos nem negros, mas (...), uma gente que, por ser considerada por ele inimiga e bárbara, podia ser escravizada. (...) O comércio transatlântico (...) fazia parte de um processo de integração econômica do Atlântico, que envolvia a produção e a comercialização, em grande escala, de açúcar, algodão, tabaco, café e outros bens tropicais, um processo no qual a Europa entrava com o capital, as Américas com a terra e a África com o trabalho, isto é, com a mão de obra cativa. (Alberto da Costa e Silva. A África explicada aos meus filhos, 2008. Adaptado.) Ao caracterizar a escravidão na África e a venda de escravos por africanos para europeus nos séculos XVI a XIX, o texto UNESP - 2012
- A) reconhece que a escravidão era uma instituição presente em todo o planeta e que a diferenciação entre homens livres e homens escravos era definida pelas características raciais dos indivíduos.
- B) critica a interferência europeia nas disputas internas do continente africano e demonstra a rejeição do comércio escravagista pelos líderes dos reinos e aldeias então existentes na África.
- C) diferencia a escravidão que havia na África da que existia na Europa ou nas colônias americanas, a partir da constatação da heterogeneidade do continente africano e dos povos que lá viviam.
- D) afirma que a presença europeia na África e na América provocou profundas mudanças nas relações entre os povos nativos desses continentes e permitiu maior integração e colaboração interna.
- E) considera que os únicos responsáveis pela escravização de africanos foram os próprios africanos, que aproveitaram as disputas tribais para obter ganhos financeiros.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O texto afirma que os africanos não se viam como africanos, mas como membros de aldeias, reinos e grupos que compartilhavam língua, costumes e deuses. Ou seja, o continente era formado por povos diversos, com organizações e identidades próprias. Passo 2: O texto mostra que a escravização praticada por chefes africanos estava ligada a essas divisões internas, pois um grupo considerado inimigo e bárbaro podia ser escravizado. Isso difere da escravidão americana, voltada à produção de bens tropicais para a economia atlântica. Passo 3: Por isso a alternativa C é a correta, pois reconhece a heterogeneidade africana e diferencia a escravidão africana da europeia e da americana. Passo 4: A alternativa A está errada porque o texto não define a escravidão por características raciais, já que os africanos nem se reconheciam como negros. Passo 5: A alternativa B está errada porque o texto mostra chefes africanos vendendo cativos aos europeus, não rejeitando esse comércio. Passo 6: A alternativa D está errada porque o texto trata de integração econômica do Atlântico, e não de integração e colaboração entre os povos nativos. Passo 7: A alternativa E está errada porque exagera ao dizer que os africanos foram os únicos responsáveis, já que o texto também destaca o capital europeu e a demanda das Américas. Passo 8: Conclusão: o gabarito oficial C está coerente com o texto, e não há discordância.
💡 Dica: Analise as diferenças entre as formas de escravidão na África e em outros continentes.
Alternativa por alternativa
Associa a escravidão africana a critérios raciais, como se a diferença entre livres e escravizados fosse definida pela cor ou raça, ignorando que os africanos não se viam como negros.
Entende que os líderes africanos repudiavam o tráfico, quando o texto mostra chefes entregando cativos a navios europeus.
Correta porque o texto enfatiza que a identidade dos povos africanos não era homogênea e que as relações sociais e de escravidão na África tinham critérios próprios, diferentes do conceito europeu ou americano. Destaca a heterogeneidade cultural, linguística e política da África e como isso influenciava os processos de escravização.
Confunde a integração econômica do Atlântico, baseada na exploração do trabalho africano, com uma integração e colaboração entre os povos nativos.
Toma uma parte verdadeira do texto, o papel de chefes africanos na venda de cativos, como se fosse a única causa, desconsiderando o papel do capital europeu e da demanda americana.
Por que engana: Confundir a escravidão africana com a escravidão racial baseada em características físicas, ignorando a diversidade cultural e social do continente.
Raio-X da questão
escravidão na África e comércio transatlântico
diagnostico
escravidão histórica global · comércio transatlântico de escravos
Estude as características da escravidão africana e o comércio transatlântico de escravos.
Confundir a escravidão africana com a escravidão racial baseada em características físicas, ignorando a diversidade cultural e social do continente.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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