ENEM - 2019 Os subúrbios do Rio de Janeiro foram a primeira coisa a aparecer no mundo, antes mesmo dos vulcões…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
ENEM - 2019 Os subúrbios do Rio de Janeiro foram a primeira coisa a aparecer no mundo, antes mesmo dos vulcões e dos cachalotes, antes de Portugal invadir, antes do Getúlio Vargas mandar construir casas populares. O bairro do Queím, onde nasci e cresci, é um deles. Aconchegado entre o Engenho Novo e Andaraí, foi feito daquela argila primordial, que se aglutinou em diversos formatos: cães soltos, moscas e morros, uma estação de trem, amendoeiras e barracos e sobrados, botecos e arsenais de guerra, armarinhos e bancas de jogo do bicho e um terreno enorme reservado para o cemitério. Mas tudo ainda estava vazio: faltava gente. Não demorou. As ruas juntaram tanta poeira que o homem não teve escolha a não ser passar a existir, para varrê-las. À tardinha, sentar na varanda das casas e reclamar da pobreza, falar mal dos outros e olhar para as calçadas encardidas de sol, os ônibus da volta do trabalho sujando tudo de novo. **HERINGER, V.** _O amor dos homens avulsos_. São Paulo: Cia. das Letras, 2016. Traçando a gênese simbólica de sua cidade, o narrador imprime ao texto um sentido estético fundamentado na Traçando a gênese simbólica de sua cidade, o narrador imprime ao texto um sentido estético fundamentado na
- A) Excentricidade dos bairros cariocas de sua infância.
- B) Perspectiva caricata da paisagem de traços deteriorados.
- C) Importância dos fatos relacionados à história dos subúrbios.
- D) Diversidade dos tipos humanos identificados por seus hábitos.
- E) Experiência do cotidiano marcado pelas necessidades e urgências.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- O enunciado pede o sentido estético que sustenta a gênese simbólica da cidade. O narrador imagina a origem do bairro a partir de uma argila primordial que se aglutina em cães soltos, moscas, morros, barracos, botecos, bancas de jogo do bicho e um cemitério. Passo 2: Os traços escolhidos são de degradação e monotonia: as ruas acumulam poeira, as calçadas são encardidas de sol, os ônibus sujam tudo de novo e as pessoas reclamam da pobreza e falam mal dos outros na varanda. Essas imagens são exageradas e irônicas, o que cria uma perspectiva caricata da paisagem, com traços deteriorados. Passo 3: A alternativa B descreve exatamente esse recurso, por isso é a correta. Passo 4: A alternativa A está errada, pois o texto não exalta excentricidades; a infância aparece apenas como vínculo afetivo. A alternativa C está errada, pois fatos históricos como a invasão portuguesa e o governo de Getúlio Vargas são citados de passagem, sem serem o centro da construção. A alternativa D está errada, pois os tipos humanos aparecem de forma genérica e não há foco na diversidade. A alternativa E está errada, pois o cotidiano é retratado, mas o efeito estético está na imagem degradada da paisagem, e não nas necessidades e urgências das pessoas.
💡 Dica: Analise o tom e a linguagem para identificar o sentido estético do texto.
Alternativa por alternativa
O aluno entende que o texto valoriza a memória pessoal do narrador e destaca bairros excêntricos e singulares da infância. Confunde afeto por um lugar com exaltação de excentricidade.
Por que engana: Confundir o sentido estético com descrição factual ou histórica, ou interpretar literalmente elementos figurados.
A perspectiva caricata da paisagem é evidente na descrição vívida e crítica do ambiente deteriorado e das condições de vida.
O aluno acredita que a gênese simbólica do bairro se baseia em fatos históricos, como a invasão portuguesa e as casas populares de Getúlio Vargas, e não percebe que esses elementos são apenas citados de passagem.
O aluno considera que a lista de elementos (cães, moscas, botecos, bancas de jogo do bicho, pessoas na varanda) mostra uma diversidade de tipos humanos, quando o foco está na paisagem e não nos perfis das pessoas.
O aluno acha que, por o texto falar de trabalho, pobreza e ônibus, o sentido estético está nas necessidades e urgências do cotidiano. Não percebe que o efeito estético vem da imagem degradada da paisagem.
Raio-X da questão
sentido estético do texto
diagnostico
interpretação de texto literário · análise de linguagem figurada
interpretação de texto literário e análise de linguagem figurada
Confundir o sentido estético com descrição factual ou histórica, ou interpretar literalmente elementos figurados.
pensamento_critico
literario
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