ENEM - 2010 **Soneto** Já da morte o palor me cobre o rosto, Nos lábios meus o alento desfalece, Surda agonia…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
ENEM - 2010 **Soneto** Já da morte o palor me cobre o rosto, Nos lábios meus o alento desfalece, Surda agonia o coração fenece, E devora meu ser mortal desgosto! Do leito embalde no macio encosto Tento o sono reter!… já esmorece O corpo exausto que o repouso esquece… Eis o estado em que a mágoa me tem posto! O adeus, o teu adeus, minha saudade, Fazem que insano do viver me prive E tenha os olhos meus na escuridade. Dá-me a esperança com que o ser mantive! Volve ao amante os olhos por piedade, Olhos por quem viveu quem já não vive! AZEVEDO, A. **Obra completa**. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que o projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que o projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é
- A) A angústia alimentada pela constatação da irreversibilidade da morte.
- B) A melancolia que frustra a possibilidade de reação diante da perda.
- C) O descontrole das emoções provocado pela autopiedade.
- D) O desejo de morrer como alívio para a desilusão amorosa.
- E) O gosto pela escuridão como solução para o sofrimento.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Identifique o núcleo temático do soneto. O eu lírico está sofrendo de uma dor de amor e de perda: a saudade, o adeus e a mágoa o levam quase à morte. O enunciado afirma que esse núcleo é típico do Romantismo de segunda geração (o ultrarromantismo, com seu mal do século, a melancolia e o tema da morte). Passo 2: Pergunte o que faz esse lirismo ultrapassar o momento histórico. A resposta está no modo como o sofrimento é vivido: o eu lírico não reage à perda. Ele não consegue reter o sono, o corpo está exausto, o coração fenece e ele se diz vencido pelo estado em que a mágoa o pôs. A passividade diante da dor, sem saída nem força para reagir, é um sentimento humano e universal, e por isso o poema ganha alcance que vai além de sua época. Passo 3: Verifique a alternativa B, que diz que a melancolia frustra a possibilidade de reação diante da perda. Ela corresponde exatamente a esse movimento de abatimento e impotência, e por isso foi concluída como correta, de acordo com o gabarito oficial. Passo 4: Analise as alternativas erradas. A: a angústia pela irreversibilidade da morte aparece no poema, mas não é o fundamento do lirismo, que está na perda amorosa e no sofrimento. C: o poema mostra um sujeito abatido e sem forças, não descontrolado; a autopiedade existe, mas o texto não tem descontrole emocional. D: o desejo de morrer não é apresentado como alívio; a morte é vista como ameaça e sofrimento, e o eu lírico pede a esperança e o olhar da amada. E: a escuridão é uma imagem de sofrimento e cegueira, não uma solução buscada pelo eu lírico.
💡 Dica: Analise o soneto para identificar o tema e as emoções expressas.
Alternativa por alternativa
O aluno associa o poema apenas à morte e conclui que a angústia diante da irreversibilidade dela é o fundamento do lirismo, sem perceber que o sofrimento central é a perda amorosa.
A melancolia e a frustração diante da perda são centrais no soneto, refletindo o estado emocional do eu lírico.
O aluno confunde a intensidade da dor com descontrole emocional e entende que a autopiedade gera um turbilhão de emoções, quando o eu lírico está abatido e sem forças.
Por que engana: Confundir a melancolia com a autopiedade, escolhendo uma alternativa que sugere descontrole emocional em vez de frustração diante da perda.
O aluno entende que o eu lírico deseja a morte como alívio, quando o poema mostra o contrário: ele pede esperança e piedade e lamenta morrer longe da amada.
O aluno toma a escuridão e a cegueira do último verso como escolha consciente do eu lírico, quando elas são sintomas do sofrimento e não uma solução.
Raio-X da questão
interpretação de poema, soneto, sentimentos
avaliacao
interpretação de sentimentos em poemas · análise de sonetos
Estude características do soneto e análise de sentimentos em poemas.
Confundir a melancolia com a autopiedade, escolhendo uma alternativa que sugere descontrole emocional em vez de frustração diante da perda.
multiculturalismo
pensamento_critico
literario
Questões parecidas com resolução
- ENEM - 2016 Soneto VII Onde estou? Este sítio desconheço: Quem fez tão diferente aquele prado? Tudo outra natureza tem…
- Soneto da hora final Será assim, amiga: um certo dia Estando nós a contemplar o poente Sentiremos no rosto, de repente O…
- ENEM - 2014 **Vida obscura** Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro, ó ser humilde entre os humildes seres, embriagado…
- Largo em sentir, em respirar sucinto, Peno, e calo, tão fino, e tão atento, Que fazendo discurso de tormento Mostro que…
- ENEM - 2019 Essa lua enlutada, esse desassossego A convulsão de dentro, ilharga Dentro da solidão, corpo morrendo Tudo…
- No soneto, o eu lírico expressa um sentimento de inadequação que, a seu turno, se faz presente na seguinte citação…
🔎 Procurar outra questão
Procure no banco do GeraProva pelo tema ou por um trecho do enunciado. Cada questão já vem com resolução comentada e a análise de cada alternativa.
Professor: monte a prova com questões como esta, com gabarito e folha de respostas, em 30 segundos. Ver planos · Blog
