Largo em sentir, em respirar sucinto, Peno, e calo, tão fino, e tão atento, Que fazendo discurso de tormento…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Estabelecer relações entre as partes do texto, tanto na produção como na leitura/escuta, considerando a construção composicional e o estilo do gênero, usando/reconhecendo adequadamente elementos e recursos coesivos diversos que contribuam para a coerência, a continuidade do texto e sua progressão temática, e organizando informações, tendo em vista as condições de produção e as relações lógico-discursivas envolvidas (causa/efeito ou consequência; tese/argumentos; problema/solução; definição/exemplos etc.).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Largo em sentir, em respirar sucinto, Peno, e calo, tão fino, e tão atento, Que fazendo discurso de tormento Mostro que o não padeço, e sei que o sinto. O mal, que fora encubro, ou que desminto, Dentro no coração é que o sustento: Com que, para penar é sentimento, Para não se entender, é labirinto. Ninguém sufoca a voz nos seus retiros; Da tempestade é o estrondo efeito: Lá tem ecos a terra, o mar suspiros. Mas oh do meu segredo alto conceito! Pois não me chegam a vir à boca os tiros Dos combates que vão dentro no peito. Gregório de Matos e Guerra No soneto, o eu lírico: [FUVEST 2022 - Questão 23] FUVEST - 2022
- A) expressa um conflito que confirma a imagem pública do poeta, conhecido pelo epíteto de “o Boca do Inferno”.
- B) opta por sufocar a própria voz como estratégia apaziguadora de suas perturbações de foro íntimo.
- C) explora a censura que o autor sofreu em sua época, ao ser impedido de dar expressão aos seus sentimentos.
- D) estabelece, nos tercetos, um contraponto semântico entre as metáforas da natureza e da guerra.
- E) revela-se como um ser atormentado, ao mesmo tempo que omite a natureza de seu sofrimento.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Leitura do soneto. O eu lírico afirma que é largo em sentir e sucinto em respirar, que pena e cala, e que finge não padecer ('Mostro que o não padeço, e sei que o sinto'). Ele encobre ou desmente o mal e o guarda dentro do coração. Passo 2: Análise do conteúdo. Os versos 'Para penar é sentimento, / Para não se entender, é labirinto' mostram que o sofrimento existe, mas sua causa permanece oculta. Assim, o eu lírico se apresenta como um ser atormentado e, ao mesmo tempo, omite a natureza do seu sofrimento. Passo 3: Conclusão. A alternativa E descreve exatamente essa atitude e é a correta, o que coincide com o gabarito oficial. Passo 4: Por que as outras estão erradas. A alternativa A é incorreta porque o poema não faz nenhuma referência à imagem pública do poeta nem ao epíteto 'Boca do Inferno'. A alternativa B é incorreta porque o eu lírico não escolhe sufocar a voz como estratégia apaziguadora; ao contrário, o sofrimento fica preso dentro do peito e não chega à boca. A alternativa C é incorreta porque o poema não trata de censura nem de impedimento imposto por autoridades. A alternativa D é a mais tentadora, pois os tercetos de fato reúnem imagens da natureza (tempestade, terra, mar) e da guerra (tiros, combates); porém essas imagens não formam um contraponto semântico, pois se complementam para expressar a mesma tempestade interior, e não se opõem como dois polos.
💡 Dica: Analise as expressões do eu lírico para identificar seus sentimentos e intenções.
Alternativa por alternativa
O aluno associa o eu lírico à biografia do poeta e imagina que o tormento expresso é a confirmação de uma fama pública de escândalo, sem perceber que o texto fala apenas de um conflito interior.
O aluno interpreta o verso 'Ninguém sufoca a voz nos seus retiros' como se o eu lírico escolhesse calar-se para se acalmar, invertendo a ideia de que o sofrimento permanece preso sem alívio.
Por que engana: Confundir a expressão do sofrimento do eu lírico com a omissão de seus sentimentos, levando a uma interpretação superficial do texto.
O aluno supõe que o silêncio do poema decorre de uma censura externa, projetando sobre o texto um contexto histórico que não está presente nos versos.
O aluno reconhece a presença de imagens da natureza e da guerra nos tercetos e conclui que elas se opõem como contraponto, quando na verdade elas se complementam para expressar a mesma tempestade interior.
CORRETA. Mostra-se atormentado e omite a natureza do sofrimento.
Raio-X da questão
interpretação do eu lírico
avaliacao
interpretação de poemas · análise de metáforas
Revisar análise de poemas e interpretação de voz poética.
Confundir a expressão do sofrimento do eu lírico com a omissão de seus sentimentos, levando a uma interpretação superficial do texto.
multiculturalismo
pensamento_critico
literario
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