ENEM - 2018 Eu sobrevivi do nada, do nada Eu não existia Não tinha uma existência Não tinha uma matéria…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
ENEM - 2018 Eu sobrevivi do nada, do nada Eu não existia Não tinha uma existência Não tinha uma matéria Comecei existir com quinhentos milhões e quinhentos mil anos Logo de uma vez, já velha Eu não nasci criança, nasci já velha Depois é que eu virei criança E agora continuei velha Me transformei novamente numa velha Voltei ao que eu era, uma velha PATROCÍNIO, S. In: MOSÉ, V. (Org ). **Reino dos bichos e dos animais é meu nome**. Rio de Janeiro: Azougue, 2009 Nesse poema de Stela do Patrocínio, a singularidade da expressão lírica manifesta-se na Nesse poema de Stela do Patrocínio, a singularidade da expressão lírica manifesta-se na
- A) Representação da infância, redimensionada no resgate da memória.
- B) Associação de imagens desconexas, articuladas por uma fala delirante.
- C) Expressão autobiográfica, fundada no relato de experiências de alteridade.
- D) Incorporação de elementos fantásticos, explicitada por versos incoerentes
- E) Transgressão à razão, ecoada na desconstrução de referências temporais.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Leia o poema com atenção ao conteúdo. O eu lírico afirma que não existia, que comecou a existir com quinhentos milhões e quinhentos mil anos, que nasceu já velha, que depois virou criança e que, por fim, voltou a ser velha. Essa sequência embaralha o tempo cronológico, em que a vida segue do nascimento à velhice.
- Observe a singularidade da linguagem. O poema não segue a lógica racional e cronológica esperada. As contradições (nascer velha, virar criança e continuar velha) quebram a razão comum e o sentido linear do tempo, o que caracteriza uma transgressão à razão.
- A alternativa E diz que há transgressão à razão, ecoada na desconstrução de referências temporais. Isso corresponde exatamente ao que o poema faz com datas, idades e o próprio tempo de vida. Por isso, E é a resposta que confirma o gabarito oficial.
- Verifique as demais alternativas. A aponta a representação da infância pelo resgate da memória, mas a infância aparece apenas como uma passagem, sem resgate memorialístico. B fala em imagens desconexas e fala delirante, o que é uma leitura parcial, pois o poema tem uma estrutura repetitiva e reconhecível, e não apenas delírio. C fala em expressão autobiográfica, mas o texto não relata experiências de alteridade; o foco está na transformação temporal e na afirmação do eu. D fala em elementos fantásticos e versos incoerentes, mas o texto não apresenta seres ou eventos fantásticos explícitos, e seus versos são repetitivos e não propriamente incoerentes.
- Conclusão: a singularidade do poema está na desconstrução do tempo e na transgressão da lógica racional, o que torna a alternativa E a correta.
💡 Dica: Analise a sequência temporal e as transformações descritas no texto.
Alternativa por alternativa
O aluno percebe a palavra criança no poema e supõe que o texto representa a infância por meio de memórias, sem notar que a infância surge apenas como uma passagem absurda no tempo.
O aluno associa a fala estranha do poema a delírio e acredita que as imagens são desconexas, sem reconhecer a repetição e a estrutura que organizam os versos.
Por que engana: O aluno pode confundir a transgressão à razão com a simples incoerência, não percebendo a intenção poética por trás da desconstrução temporal.
O aluno sabe que Stela do Patrocínio escreveu a partir de sua própria vida e conclui que o poema é autobiográfico, sem perceber que não há relato de experiências de alteridade.
O aluno interpreta a sequência absurda de idades como elemento fantástico e considera os versos incoerentes, sem reconhecer que o texto não apresenta seres ou eventos fantásticos e que sua transgressão está no tempo.
A transgressão à razão é evidente na desconstrução das referências temporais, refletindo a complexidade da existência.
Raio-X da questão
interpretação de texto poético
avaliacao
interpretação de texto poético · análise de elementos literários
Estude interpretação de textos poéticos e análise de tempo e transformação na narrativa.
O aluno pode confundir a transgressão à razão com a simples incoerência, não percebendo a intenção poética por trás da desconstrução temporal.
multiculturalismo
pensamento_critico
literario
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