ENEM - 2013 Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
ENEM - 2013 Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou. \[…\] Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré- pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo o que estou escrevendo. \[…\] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes. Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual — há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo — como a morte parece dizer sobre a vida — porque preciso registrar os fatos antecedentes. LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (fragmento). A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador
- A) Observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens.
- B) Relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram aos eventos que a compõem.
- C) Revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso.
- D) Admite a dificuldade de escrever uma história em razão da complexidade para escolher as palavras exatas.
- E) Propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e metafísica, incomuns na narrativa de ficção.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique o foco do enunciado: a pergunta pede a característica do narrador que torna a voz do fragmento peculiar.
- Analise o texto. O narrador faz perguntas sem resposta (Como começar pelo início? Se antes da pré-história já havia monstros apocalípticos?), reflete sobre o próprio ato de pensar e sentir (Pensar é um ato. Sentir é um fato) e se apresenta como quem escreve enquanto é lido, ou seja, discute a construção do próprio discurso.
- Portanto, a alternativa correta é a C, pois o narrador se revela um sujeito que reflete sobre questões existenciais (o universo, o nunca, o sim, a felicidade) e sobre a própria escrita.
- Verifique as demais alternativas. A alternativa A está errada, pois o narrador não é distante nem indiferente; ele se envolve intensamente com as reflexões. A alternativa B está errada, pois o narrador afirma explicitamente que precisa registrar os fatos antecedentes e investigar os porquês. A alternativa D está errada, pois o texto não trata de dificuldade na escolha de palavras, mas de dúvidas existenciais sobre o tempo e a origem. A alternativa E está errada, pois embora haja reflexão filosófica, o texto é uma narrativa de ficção que a incorpora de forma natural, e a alternativa atribui a intenção de discutir filosofia de forma exterior e incomum, o que não é o foco central da pergunta sobre a voz narrativa.
- Conclusão: o gabarito oficial C está coerente com a análise do fragmento.
💡 Dica: Analise a voz narrativa e suas características na obra.
Alternativa por alternativa
O aluno entendeu que o narrador é objetivo e distanciado, como em narrativas tradicionais em terceira pessoa, ignorando o envolvimento emocional e reflexivo presente no texto.
O aluno leu a frase inicial de forma isolada e concluiu que o narrador não investiga causas, desconsiderando a afirmação de que ele está descobrindo os porquês e registrando fatos antecedentes.
Correta, pois o narrador reflete sobre questões existenciais e a própria construção do discurso, evidenciando sua subjetividade.
O aluno associou a fala sobre escrever à dificuldade técnica de escolher palavras, quando o texto trata de dúvidas existenciais sobre começo, tempo e origem, não de vocabulário.
Por que engana: Interpretar o narrador como distante ou indiferente, sem perceber sua reflexão existencial e metalinguistica.
O aluno considerou que a presença de reflexão filosófica torna o texto incomum, mas a peculiaridade do fragmento está na voz do narrador que reflete sobre o próprio discurso, não no fato de a ficção conter filosofia.
Raio-X da questão
voz narrativa em Clarice Lispector
avaliacao
voz narrativa em literatura · analise de texto literario
Revisar as características da voz narrativa em obras literárias.
Interpretar o narrador como distante ou indiferente, sem perceber sua reflexão existencial e metalinguistica.
cidadania_etica
pensamento_critico
literario
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