Como Florestan Fernandes classifica o racismo do pós-abolição em relação à sociedade burguesa brasileira?
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar e analisar as demandas e os protagonismos políticos, sociais e culturais dos povos indígenas e das populações afrodescendentes (incluindo as quilombolas) no Brasil contemporâneo considerando a história das Américas e o contexto de exclusão e inclusão precária desses grupos na ordem social e econômica atual, promovendo ações para a redução das desigualdades étnico-raciais no país.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Como Florestan Fernandes classifica o racismo do pós-abolição em relação à sociedade burguesa brasileira?
- A) Como simples sobrevivência cultural do período escravista, sem ligação com a sociedade burguesa brasileira.
- B) Como etapa passageira que seria superada naturalmente pela expansão do trabalho livre e urbano.
- C) Como parte constitutiva da ordem burguesa moderna na formação social brasileira.
- D) Como problema limitado às atitudes pessoais de preconceito, sem base nas estruturas sociais.
- E) Como resíduo secundário do passado colonial, tolerado mas externo ao funcionamento da sociedade burguesa.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Florestan Fernandes, especialmente em A integração do negro na sociedade de classes, analisa o pós-abolição como um processo em que a ordem social competitiva (burguesa) se formou mantendo a desigualdade racial, em vez de eliminá-la. Passo 2: Para ele, o preconceito e a discriminação não são resquícios que desapareceriam sozinhos com o avanço do capitalismo; funcionam como mecanismos que reservam ao negro as posições mais baixas da estrutura de classes. Passo 3: Por isso, a alternativa correta é a C, que descreve o racismo como parte constitutiva da ordem burguesa moderna na formação social brasileira. Passo 4: A alternativa A está errada, pois separa o racismo da sociedade burguesa, quando Florestan o vê como algo ligado à nova ordem competitiva. Passo 5: A alternativa B está errada, pois sugere que o racismo seria superado naturalmente pela expansão do trabalho livre, ideia que Florestan rejeita ao mostrar que a modernização manteve a exclusão. Passo 6: A alternativa D está errada, pois reduz o racismo a atitudes individuais, enquanto o autor destaca sua base nas estruturas sociais. Passo 7: A alternativa E está errada, pois trata o racismo como resíduo secundário e externo ao funcionamento da sociedade burguesa, o que o autor nega. Passo 8: O gabarito oficial C está coerente com a análise do autor, portanto não há discordância.
💡 Dica: Releia as ideias principais de Florestan Fernandes sobre racismo e sociedade burguesa.
Alternativa por alternativa
O aluno entende que o racismo do pós-abolição seria apenas uma herança cultural do escravismo, desligada da nova ordem econômica. Ignora que, para Florestan, a sociedade de classes reproduziu a desigualdade racial.
O aluno acredita que o avanço do trabalho livre e urbano eliminaria o racismo com o tempo, como um processo natural de modernização. Desconsidera a crítica do autor de que a modernização não resolveu a exclusão do negro.
Por que engana: Confundir a análise do racismo como um fenômeno social com a ideia de que ele é apenas uma questão de atitudes individuais.
Correta. Florestan Fernandes interpreta o racismo do pós-abolição como componente da modernização e da própria ordem burguesa no Brasil.
O aluno associa o racismo apenas a atitudes pessoais de preconceito, sem considerar as estruturas econômicas e sociais. Esse entendimento é o senso comum de que racismo é só questão de comportamento individual.
O aluno vê o racismo como algo tolerado e secundário, externo ao funcionamento da sociedade burguesa. Não percebe que, para Florestan, ele é um mecanismo ativo que organiza as posições sociais.
Raio-X da questão
racismo pós-abolição, sociedade burguesa
diagnostico
racismo e sociedade burguesa · história do Brasil
Estude as análises de Florestan Fernandes sobre racismo e estrutura social brasileira.
Confundir a análise do racismo como um fenômeno social com a ideia de que ele é apenas uma questão de atitudes individuais.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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