— Não entra a polícia! Não deixa entrar! Aguenta! Aguenta! — Não entra! Não entra! repercutia a multidão em…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Organizar situações de estudo e utilizar procedimentos e estratégias de leitura adequados aos objetivos e à natureza do conhecimento em questão.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Não entra a polícia! Não deixa entrar! Aguenta! Aguenta! — Não entra! Não entra! repercutia a multidão em coro. E todo o cortiço ferveu que nem uma panela ao fogo. — Aguenta! Aguenta! Aluísio Azevedo, O cortiço, 1890, parte X. O fragmento acima mostra a resistência dos moradores de um cortiço à entrada de policiais no local. O romance de Aluísio Azevedo [FUVEST 2011 - Questão 57] FUVEST - 2011
- A) representa as transformações urbanas do Rio de Janeiro no período posterior à abolição da escravidão e o difícil convívio entre ex-escravos, imigrantes e poder público.
- B) defende a monarquia recém-derrubada e demonstra a dificuldade da República brasileira de manter a tranquilidade e a harmonia social após as lutas pela consolidação do novo regime.
- C) denuncia a falta de policiamento na então capital brasileira e atribui os problemas sociais existentes ao desprezo da elite paulista cafeicultora em relação ao Rio de Janeiro.
- D) valoriza as lutas sociais que se travavam nos morros e na periferia da então capital federal e as considera um exemplo para os demais setores explorados da população brasileira.
- E) apresenta a imigração como a principal origem dos males sociais por que o país passava, pois os novos empregados assalariados tiraram o trabalho dos escravos e os marginalizaram.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O fragmento mostra moradores de um cortiço resistindo à entrada da polícia, em uma cena coletiva de tensão social numa cidade em transformação. A questão pede o que o romance O cortiço representa. Passo 2: A alternativa A descreve o núcleo temático da obra: a ambientação no Rio de Janeiro, as transformações urbanas e o convívio conflituoso entre ex-escravos, imigrantes portugueses e brasileiros pobres, com a autoridade pública (a polícia) como elemento de confronto. Essa leitura é a mais compatível com o enunciado e com o fragmento. Passo 3: Há uma ressalva de datação: a ação do romance se passa sobretudo nas décadas de 1870 e 1880, muito perto da abolição de 1888, e o livro foi publicado em 1890; por isso a expressão 'período posterior à abolição' é imprecisa, mas, entre as cinco opções, é a que melhor se sustenta. Passo 4: A alternativa B está errada porque o romance não defende a monarquia nem trata da consolidação republicana; sua postura é crítica e naturalista, voltada às condições sociais. Passo 5: A alternativa C está errada porque o cenário é o Rio de Janeiro, não São Paulo, e o romance não atribui os problemas à elite cafeicultora paulista. Passo 6: A alternativa D está errada porque a obra não exalta as lutas sociais nem as propõe como modelo; ela retrata a miséria, a degradação e a exploração de forma crítica. Passo 7: A alternativa E está errada porque o romance não apresenta a imigração como causa principal dos males sociais, mostrando antes um quadro de múltiplas determinações (exploração econômica, preconceito, miséria, ambiente insalubre); a ideia de que imigrantes tomaram o lugar dos escravos não corresponde à obra. Passo 8: Conclusão: a resposta correta é a alternativa A, de acordo com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise o contexto do fragmento para compreender a resistência dos moradores.
Alternativa por alternativa
CORRETA. O romance representa as transformações urbanas e o convívio difícil entre diferentes grupos sociais.
O aluno pode ter associado a cena de multidão contra a polícia a uma defesa da ordem e da estabilidade do regime, lendo o romance como apologia política da monarquia ou do novo regime.
Por que engana: Confundir a crítica social do autor com uma defesa da monarquia, desconsiderando o contexto das transformações urbanas e sociais da época.
O aluno pode ter tomado a menção a 'policiamento' como denúncia central e ter atribuído ao romance uma crítica à elite paulista, confundindo o Rio de Janeiro com São Paulo.
O aluno pode ter interpretado a resistência coletiva como exaltação das lutas populares e tomado a multidão como modelo de ação política, sem perceber o tom crítico e naturalista da obra.
O aluno pode ter considerado a presença de imigrantes no cortiço como a causa principal dos problemas, supondo, sem base no texto, que eles teriam substituído o trabalho escravo e marginalizado os ex-escravos.
Raio-X da questão
interpretação de texto literário
avaliacao
interpretação de texto literário · contexto histórico do Brasil
Revisar análise de textos literários e compreensão de contexto social na literatura.
Confundir a crítica social do autor com uma defesa da monarquia, desconsiderando o contexto das transformações urbanas e sociais da época.
cidadania_etica
pensamento_critico
literario
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