É impossível evocar com série exata os fatos da infância porque há aqueles que já acontecem permanentes, que…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar o tratamento dado pela gramática tradicional e pelas gramáticas de uso contemporâneas em relação a diferentes tópicos gramaticais, de forma a perceber as diferenças de abordagem e o fenômeno da variação linguística e analisar motivações que levam ao predomínio do ensino da norma-padrão na escola.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
É impossível evocar com série exata os fatos da infância porque há aqueles que já acontecem permanentes, que vêm para ficar e, que nunca mais são esquecidos, que são sempre trazidos fora do tempo, como se fossem agora. E a carga de fatos, muitos, muitos fatos, incolores e quase sem som – que mal se deram, a memória os atira nos abismos do esquecimento. Mesmo próximos eles viram logo passado remoto. Surgem às vezes, na lembrança, como se fossem uma incongruência. Só aparentemente sem razão, porque não há associação de idéias que seja lógica. O que assim parece, em verdade, liga-se e harmoniza-se no subconsciente pelas raízes subterrâneas – raízes lógicas! – de que emergem os pequenos caules isolados – aparentemente ilógicos! só aparentemente! – às vezes chegados à memória vindos do esquecimento, que é outra função ativa dessa mesma memória. Pedro Nava, Baú de ossos. O que Pedro Nava afirma no final do texto ajuda a compreender o título do livro Esquecer para lembrar, de Carlos Drummond de Andrade, título que contém [FUVEST 2006 - Questão 19] FUVEST - 2006
- A) um paradoxo apenas aparente, já que designa uma das operações próprias da memória.
- B) uma contradição insuperável, justificada apenas pelo valor poético que alcança.
- C) uma explicação para a dificuldade de se organizar de modo sistemático os fatos lembrados.
- D) uma fina ironia, pois a antítese entre os dois verbos dá a entender o inverso do que nele se afirma.
- E) uma metáfora, já que o tempo do esquecimento e o tempo da lembrança não podem ser simultâneos.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O trecho final do texto de Pedro Nava afirma que aquilo que parece ilógico (pequenos caules isolados que emergem da memória) é, na verdade, ligado por raízes lógicas no subconsciente, e que o esquecimento é outra função ativa da própria memória. Passo 2: Assim, lembrar e esquecer não são processos opostos e excludentes, mas faces de uma mesma memória que trabalha de forma integrada. Passo 3: O título de Drummond, Esquecer para lembrar, reúne dois verbos em aparente contradição, mas essa contradição é só aparente, pois o esquecimento participa do próprio processo de lembrar. Passo 4: Isso caracteriza um paradoxo, figura que reúne ideias aparentemente contraditórias e que se revela coerente quando analisada com mais cuidado. Passo 5: A alternativa A está correta, pois descreve exatamente esse paradoxo apenas aparente, ligado a uma função da memória. Passo 6: A alternativa B está errada, pois o título não é uma contradição insuperável; o texto mostra que a aparente contradição se resolve. Passo 7: A alternativa C está errada, pois o título não trata da organização sistemática dos fatos lembrados. Passo 8: A alternativa D está errada, pois não há ironia; o título afirma de forma séria a relação entre esquecer e lembrar. Passo 9: A alternativa E está errada, pois o título não é uma metáfora baseada na impossibilidade de simultaneidade entre lembrança e esquecimento; ao contrário, o texto afirma que esses processos atuam juntos. Gabarito oficial A confere com a resolução.
💡 Dica: Analise a relação entre memória e esquecimento conforme o texto para entender o título.
Alternativa por alternativa
CORRETA. O paradoxo é uma operação própria da memória.
O aluno acredita que a oposição entre esquecer e lembrar é real e insolúvel, tomando a aparente incoerência do título como erro literal, sem considerar a explicação do texto sobre a ligação lógica no subconsciente.
Por que engana: Confundir a ideia de paradoxo com contradição, desconsiderando a lógica subjacente à memória e ao esquecimento.
O aluno associa o título à dificuldade de organizar os fatos da infância, por causa da menção a fatos 'que mal se deram' e 'série exata', sem perceber que o trecho final trata da relação entre lembrança e esquecimento.
O aluno interpreta a antítese entre os verbos como recurso irônico, imaginando que o título diz o contrário do que sugere, levado pela intuição de que duas ações opostas soam como ironia.
O aluno confunde paradoxo com metáfora e supõe que a união dos dois verbos é uma imagem figurada baseada na impossibilidade de simultaneidade entre lembrar e esquecer, o que contraria o próprio texto que afirma que os processos atuam juntos.
Raio-X da questão
memória e esquecimento
avaliacao
análise de textos literários · interpretação de metáforas
Estude a relação entre memória, esquecimento e processos subconscientes na literatura.
Confundir a ideia de paradoxo com contradição, desconsiderando a lógica subjacente à memória e ao esquecimento.
cidadania_etica
pensamento_critico
literario
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