Durante um festival de frevo em Recife, uma startup lançou uma campanha publicitária com trechos de músicas…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Durante um festival de frevo em Recife, uma startup lançou uma campanha publicitária com trechos de músicas, passos de dança e imagens associados à tradição cultural local. A empresa obteve retorno financeiro com a divulgação, mas não identificou os artistas envolvidos, não ofereceu remuneração e não dialogou com grupos da comunidade responsáveis pela preservação dessa tradição. A campanha foi divulgada como valorização da cultura regional. Considerando a situação descrita, qual interpretação filosófica explica melhor o impasse ético-político presente na campanha?
- A) Valorização cultural assimétrica, pois a visibilidade oferecida pela campanha compensaria a ausência de pagamento e de participação comunitária.
- B) Conflito entre liberdade de expressão e censura cultural, pois consultar artistas e comunidades impediria a empresa de criar uma campanha publicitária.
- C) Intercâmbio cultural legítimo, pois a circulação pública de tradições permite que qualquer empresa as utilize comercialmente sem negociação com seus produtores.
- D) Disputa de autoria individual, pois somente os artistas que aparecem na campanha poderiam reivindicar reconhecimento e pagamento pelo material utilizado.
- E) Apropriação cultural e injustiça distributiva, pois a empresa transforma uma produção comunitária em valor comercial sem reconhecimento, participação ou repartição dos benefícios com seus produtores.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Identifique o núcleo do caso. Uma empresa usa elementos de uma tradição cultural coletiva (frevo: músicas, passos e imagens) para obter lucro, sem identificar os criadores, sem pagar e sem consultar a comunidade que preserva essa tradição, mas divulga a ação como valorização cultural.
- Analise o impasse. Há um desequilíbrio entre quem lucra (a startup) e quem produz e mantém a tradição (artistas e grupos comunitários). Isso caracteriza apropriação cultural, que é o uso de elementos de um grupo por outro sem reconhecimento, sem consentimento e sem repartição dos benefícios, e também uma questão de justiça distributiva, pois o ganho financeiro fica concentrado em um dos lados.
- Compare com as alternativas. A alternativa E nomeia exatamente esses dois elementos: apropriação cultural e injustiça distributiva, com a falta de reconhecimento, de participação e de repartição dos benefícios.
- Por que as outras estão erradas. A: a visibilidade não compensa a ausência de pagamento e de participação, e a ideia de compensação mascara a assimetria. B: a consulta às comunidades não impede a criação publicitária; o problema não é censura. C: a circulação pública de uma tradição não autoriza automaticamente o uso comercial sem negociação. D: o caso envolve uma tradição coletiva, não apenas a autoria individual dos artistas que aparecem.
- Conclusão: o gabarito oficial E está correto. A interpretação filosófica mais adequada é a crítica ética e política da apropriação cultural e da justiça na distribuição de benefícios.
💡 Dica: Analise os aspectos éticos e políticos envolvidos na situação apresentada.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a visibilidade e a divulgação compensam a falta de pagamento e de participação da comunidade, tratando o ganho de exposição como uma troca justa.
O aluno entende que exigir consulta a artistas e comunidades seria uma forma de censura que limita a liberdade de criação, confundindo diálogo e reconhecimento com proibição.
Por que engana: Confundir a questão da liberdade de expressão com a apropriação cultural, desconsiderando a injustiça distributiva envolvida.
O aluno supõe que, por uma tradição ser pública e conhecida, ela se torna de uso livre para qualquer empresa, sem considerar a necessidade de negociação e reconhecimento dos produtores.
O aluno reduz o problema a uma questão de autoria individual, ignorando que o frevo é uma produção coletiva da comunidade e que o impasse atinge o grupo como um todo.
A situação envolve apropriação cultural porque elementos de uma tradição de um grupo são utilizados por uma empresa externa sem reconhecimento ou participação adequada dos sujeitos que os produzem e preservam. Também há injustiça distributiva, pois os benefícios econômicos ficam concentrados na startup, enquanto artistas e comunidade não recebem remuneração nem têm voz sobre o uso de sua produção cultural.
Raio-X da questão
ética e política no frevo
diagnostico
direitos autorais · apropriação cultural
Revisar conceitos de ética e direitos autorais na cultura.
Confundir a questão da liberdade de expressão com a apropriação cultural, desconsiderando a injustiça distributiva envolvida.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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