ENEM - 2019 De fato, não é porque o homem pode usar a vontade livre para pecar que se deve supor que Deus a…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
ENEM - 2019 De fato, não é porque o homem pode usar a vontade livre para pecar que se deve supor que Deus a concedeu para isso. Há, portanto, uma razão pela qual Deus deu ao homem esta característica, pois sem ela não poderia viver e agir corretamente. Pode-se compreender, então, que ela foi concedida ao homem para esse fim, considerando-se que se um homem a usar para pecar, recairão sobre ele as punições divinas. Ora, isso seria injusto se a vontade livre tivesse sido dada ao homem não apenas para agir corretamente, mas também para pecar. Na verdade, por que deveria ser punido aquele que usasse da sua vontade para o fim para o qual ela lhe foi dada? AGOSTINHO. O livre-arbítrio. In: MARCONDES, D. **Textos básicos de ética**. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008. Nesse texto, o filósofo cristão Agostinho de Hipona sustenta que a punição divina tem como fundamento o(a) Nesse texto, o filósofo cristão Agostinho de Hipona sustenta que a punição divina tem como fundamento o(a)
- A) Desvio da postura celibatária.
- B) Insuficiência da autonomia moral.
- C) Afastamento das ações de desapego.
- D) Distanciamento das práticas de sacrifício.
- E) Violação dos preceitos do Velho Testamento.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- O trecho afirma que Deus concedeu a vontade livre ao homem para agir corretamente. Se o homem a usa para pecar, recaem sobre ele as punições divinas. Logo, a punição decorre do mau uso da liberdade de escolha, e não de uma proibição ligada a rituais ou a um conjunto específico de leis.
- Agostinho argumenta que seria injusto punir alguém se Deus tivesse dado a vontade livre também para pecar. A punição, portanto, pressupõe que o homem deveria usar sua autonomia moral para o bem e falhou nesse uso.
- Dessa leitura, a punição divina se fundamenta na insuficiência da autonomia moral, ou seja, na incapacidade do homem de usar bem sua liberdade para agir corretamente. Esta é a alternativa B.
- A alternativa A está errada, pois o texto não trata de celibato, que não aparece na argumentação sobre a vontade livre. A alternativa C está errada, pois o texto não menciona ações de desapego como critério de punição. A alternativa D está errada, pois práticas de sacrifício não são o fundamento apresentado. A alternativa E está errada, pois o texto não cita o Velho Testamento nem seus preceitos.
- O gabarito oficial B está correto e coincide com a análise feita a partir do texto.
💡 Dica: Leia atentamente o texto de Agostinho antes de responder.
Alternativa por alternativa
O aluno associa a punição divina a uma restrição de conduta religiosa específica, como o celibato, ao ler o texto de forma genérica sobre pecado. Não percebe que Agostinho fala da liberdade de escolha em geral.
Correta, pois Agostinho argumenta que a punição divina se baseia na autonomia moral do homem ao usar sua vontade livre.
O aluno interpreta a palavra pecado como ausência de desapego material, resultado de um senso comum sobre virtude religiosa. Não identifica que o texto trata do uso da vontade livre.
O aluno pensa que a punição divina está ligada à falta de práticas de sacrifício, algo comum em representações religiosas populares. Não relaciona a punição ao mau uso da vontade livre descrito no texto.
O aluno supõe que o texto de Agostinho se apoia diretamente nas leis do Velho Testamento, por ser um autor cristão. Não lê que a argumentação é filosófica e se baseia na liberdade da vontade.
Por que engana: Confundir o fundamento da punição divina com práticas religiosas específicas ou regras do Velho Testamento.
Raio-X da questão
punição divina
avaliacao
conceito de punição divina · autonomia moral
Revisar os fundamentos da filosofia cristã de Agostinho.
Confundir o fundamento da punição divina com práticas religiosas específicas ou regras do Velho Testamento.
cidadania_etica
tomada_decisao
historico
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