Pronome demonstrativo: por que tantos alunos confundem referência e classe gramatical
O aluno reconhece “esse”, mas sabe o que ele aponta? Analiso padrões de erro em oito questões reais e proponho um percurso para ensinar distância, concordância e retomada referencial. Inclui sugestões de uso diagnóstico e avaliativo.
Já vi uma atividade começar com uma frase aparentemente simples: “Aquele carro é muito bonito”. Quando pedi que a turma identificasse o pronome demonstrativo, alguns alunos marcaram “carro”; outros escolheram “bonito”. Não era falta de atenção apenas. Para eles, a palavra importante da frase parecia ser o nome do objeto ou sua característica, e ainda não estava firme a diferença entre classe gramatical e função de apontar.
Em outra situação, o aluno reconheceu “essa”, mas escolheu a alternativa que dizia “esse” porque as duas formas pareciam equivalentes. A dificuldade apareceu quando precisava ligar o pronome ao que vinha antes no texto e observar gênero e número. É por isso que, ao ensinar pronome demonstrativo, não me contento com uma lista para decorar: procuro descobrir se a turma entende o que a palavra indica, a que informação se refere e como o contexto muda a escolha.
O que é pronome demonstrativo e como explicar esse conceito?
Pronome demonstrativo é a palavra que localiza ou identifica seres e informações em relação a quem fala, ao espaço, ao tempo ou ao próprio texto. Em português, formas como este, esse e aquele, além de isto, isso e aquilo, podem indicar proximidade ou distância; também podem retomar algo já mencionado ou anunciar o que virá. Em “Aquela casa é bonita”, “aquela” aponta para uma casa distante; em “essa situação prejudica os peixes”, “essa” retoma uma situação apresentada anteriormente. Em inglês, this e that ajudam a indicar proximidade e afastamento, como em “That book looks interesting”, quando o livro está longe. Nas fichas, o conceito aparece do 3º ao 9º ano e em Língua Portuguesa e Língua Inglesa. Relaciona-se à EF06LI12, à EF35LP14 e à EF89LP29.
Para o planejamento, vale apresentar o pronome como uma pista de referência, não como uma etiqueta isolada. Há itens que perguntam qual palavra é demonstrativa numa frase curta; outros pedem que a criança interprete uma posição no espaço ou encontre a expressão que recupera uma ideia do texto. Essas tarefas não medem exatamente a mesma coisa. Identificar “estas” entre substantivo, verbo e adjetivo verifica reconhecimento; explicar o papel de “essa situação” num texto exige acompanhar a referência. No inglês, a oposição this/that também permite explorar o contexto comunicativo. Assim, posso ajustar a explicação à série sem reduzir o conteúdo a uma regra rígida: começo pelo que a palavra aponta e, depois, amplio para concordância e coesão.
O que o aluno precisa saber antes de estudar pronomes demonstrativos?
As fichas apontam como bases recorrentes o reconhecimento de pronomes pessoais e possessivos, a função do pronome na frase e as classes gramaticais básicas. Também são importantes a distinção entre singular e plural, a concordância de gênero e número e, nas tarefas textuais, a capacidade de localizar uma informação anterior. Em inglês, a ficha destaca noções de pronomes e de singular e plural. Antes de avançar, verifico essas bases com exemplos curtos, sem transformar a sondagem em prova longa: peço que a turma classifique palavras como “livros”, “meus”, “são” e “esses”, e pergunto o que cada uma faz na frase. Se a resposta depende apenas de decorar uma lista, ainda falta compreender função e referência.
Uma sondagem prática é entregar três frases: “Esses livros são meus”, “Aquela casa é bonita” e “Essa prática ajuda a comunidade”. Peço que os alunos circulem o demonstrativo, sublinhem o termo ou a ideia a que ele se liga e expliquem a escolha em voz alta ou por escrito. Registro separadamente identificação, distinção de classes e interpretação da referência. Se a criança marca “livros” ou “bonita”, reviso classes gramaticais; se marca “meus”, comparo demonstrativo e possessivo; se acha “essa” sem conseguir apontar a ideia retomada, trabalho coesão. Nas turmas mais novas, posso apoiar com objetos perto e longe. Essa verificação breve evita atribuir todo erro ao desconhecimento do conteúdo novo.
Quais são os erros mais comuns com pronomes demonstrativos?
Nas oito questões, o padrão mais visível é a confusão entre o demonstrativo e outras palavras da frase: substantivos, adjetivos, verbos e possessivos aparecem como distratores em itens de identificação. Em questões de contexto, surge outra dificuldade: escolher a forma pela aparência ou por uma regra incompleta, sem localizar o referente. O dado sobre distrator mais provável varia de uma questão para outra; não há uma única alternativa errada dominante nas oito. Há, porém, sinais úteis: “meus” concorre com “esses” numa frase, “essa” com “esse” numa retomada e alternativas como “isto” ou “aquele” revelam generalização do uso. Em vez de corrigir só a letra, pergunto que raciocínio levou até ela e planejo a intervenção a partir desse indício.
Confundir o demonstrativo com substantivo, adjetivo ou verbo
Quando o aluno marca “carro”, “flores”, “bonita” ou “são”, pode estar escolhendo a palavra que carrega mais informação para ele, sem reconhecer a classe gramatical. As questões 6 e 8 tornam esse padrão especialmente visível; na questão 3, “casa” e “bonita” competem com “aquela”. A intervenção é comparar palavras da mesma frase: pergunto qual nomeia, qual caracteriza, qual indica ação ou estado e qual aponta. Peço que o estudante justifique usando a função, não apenas o nome da classe. Uma atividade de marcação por cores ajuda, desde que venha acompanhada de explicação oral.
Também retomo o papel do pronome junto ao substantivo: em “estas flores”, “flores” nomeia e “estas” identifica quais flores. Em “aquela casa”, “casa” continua sendo o nome, enquanto “aquela” localiza. Se a turma só memorizou que demonstrativos são “este, esse, aquele”, pode reconhecer a lista, mas não localizar a palavra correta em uma frase. Por isso, depois dos exemplos guiados, troco a ordem das tarefas: ofereço uma frase nova, peço primeiro que localizem o nome e só depois que encontrem a palavra que o determina ou retoma. Esse contraste dá evidência mais precisa do que uma correção baseada somente no gabarito.
Confundir pronome demonstrativo e pronome possessivo
Na questão 2, “meus” é um distrator provável para quem confunde posse com indicação. O aluno percebe que a palavra se relaciona aos livros, mas não diferencia a pergunta “de quem são?” da pergunta “quais livros?”. Comparo pares: “meus livros” informa pertencimento; “esses livros” aponta quais livros. Peço que substitua a expressão por uma pergunta oral: “A quem pertencem?” ou “A quais estou me referindo?”. Assim, a classificação deixa de ser uma lista abstrata e passa a depender do sentido que a forma constrói.
Essa intervenção também ajuda a turma a notar que duas palavras podem aparecer juntas sem ter a mesma função: em “Esses livros são meus”, “esses” é demonstrativo e “meus” é possessivo. Se o estudante escolhe “meus”, não concluo automaticamente que desconhece todos os pronomes. Pode estar confundindo função ou atendendo à ideia geral de relação com o substantivo. Peço que sublinhe as duas palavras e explique o que cada uma acrescenta. Retomo o conceito necessário apenas quando a justificativa mostra essa lacuna. Essa resposta mais específica evita repetir uma aula inteira de pronomes para quem já reconhece a maioria das classes.
Confundir proximidade, distância e retomada
Na questão 1, o distrator A traduz uma troca entre perto e longe: “that” se refere a um livro distante da pessoa que fala. Em português, a questão 3 contrapõe “aquela” e “essa”, enquanto a questão 7 evidencia o uso de “esse” para retomar um aviso já mencionado. O aluno pode conhecer as formas, mas aplicá-las como se fossem intercambiáveis. Para intervir, separo dois eixos: onde está o referente e onde ele aparece no discurso. Faço os alunos apontarem objetos próximos e distantes e, em seguida, retomarem uma informação dita antes.
É importante não apresentar uma correspondência mecânica que apague o contexto. A questão 7 pede a retomada de um aviso já citado e espera “esse”; a resposta do aluno deve considerar tanto a relação textual como a concordância com “aviso”. Se ele escolhe “isso”, pode ter percebido que existe retomada, mas não observou que a pergunta se refere a um substantivo masculino singular. Se escolhe “aquele” para qualquer item do mural, generalizou distância. Pergunto: “A palavra está apontando para algo visível, retomando algo já dito ou anunciando algo que virá?”. Essa pergunta explicita o critério que faltou.
Ignorar concordância e escolher pela semelhança sonora
Na questão 5, o texto pede o demonstrativo que retoma a prática de aproveitar a chuva: “prática essa essencial”. A alternativa “esse” é o distrator mais provável, apesar de a referência ser feminina singular. O erro pode indicar que o estudante acompanhou o sentido geral, mas não conferiu a concordância com “prática”. Proponho uma rotina simples: localizar a palavra retomada, identificar gênero e número e só então conferir a forma do demonstrativo. Peço que o aluno marque o referente com uma seta, em vez de escolher pela proximidade imediata entre as palavras.
Essa rotina não deve virar uma caça a terminações sem compreensão. Em textos, a referência pode retomar uma expressão inteira ou uma ideia, como o ato de aproveitar a chuva. Nesse caso, ajudo a turma a nomear a ideia retomada: “essa” se liga à prática descrita, não a “reservatórios” apenas por estar perto. Se o estudante escolhe “esses”, verifico se ele se prendeu ao substantivo plural mais próximo; se escolhe “esse”, observo se identificou o referente, mas esqueceu o feminino. Cada alternativa errada oferece uma hipótese diferente. A conversa sobre o caminho de resolução transforma o distrator em dado de diagnóstico.
Como ensinar pronomes demonstrativos passo a passo?
Eu organizo o ensino em uma sequência que começa pela percepção e termina na retomada textual. Primeiro, exploro perto e longe com objetos, imagens ou gestos e apresento exemplos em português e inglês, como “este livro” e “that book”. Depois, peço que a turma identifique demonstrativos em frases curtas e os diferencie de substantivos, adjetivos, verbos e possessivos. Na etapa seguinte, trabalho gênero e número com pares como “essa prática” e “esses avisos”. Por fim, leio pequenos textos e peço que cada aluno trace uma seta entre o pronome e a informação retomada. As dicas das fichas convergem para três procedimentos: observar distância e singularidade, identificar o pronome na frase e localizar a ideia anterior antes de conferir concordância.
Na primeira aula, não começo com uma tabela extensa. Aponto para um objeto próximo e outro afastado, verbalizo o contraste e peço que os alunos expliquem o que mudou na escolha. Para o 6º ano em inglês, mantenho a situação concreta do objeto distante e levo a turma a interpretar “that” considerando singularidade e distância. Em seguida, faço uma atividade de classificação em que cada palavra precisa ser justificada por sua função. Os exemplos podem ser curtos, como nas questões de abertura, para que a leitura não esconda a dificuldade gramatical. Se a maioria ainda confunde demonstrativo e possessivo, permaneço nessa etapa; avançar para retomadas complexas antes de firmar essa distinção costuma produzir erros que parecem de interpretação, mas vêm de uma base não consolidada.
Na aula seguinte, introduzo frases contextualizadas e a pergunta “a que isso se refere?”. Modelo o processo em voz alta: leio o texto, localizo a expressão demonstrativa, volto ao trecho anterior e verifico gênero e número. Depois, os alunos fazem o mesmo em duplas, primeiro com um texto curto sobre um assunto cotidiano e depois com um parágrafo informativo. A questão do rio poluído permite mostrar “essa situação” como retomada de uma informação anterior; o texto sobre água permite observar “prática essa”. Não peço apenas para localizar a palavra. Peço que a turma explique o vínculo e sublinhe o referente. A correção fica mais produtiva quando o estudante precisa justificar por que uma alternativa serve e outra não.
Fecho a sequência com uma saída rápida individual: cada aluno recebe duas frases, identifica o demonstrativo e escreve uma seta ou uma explicação curta sobre o que ele aponta. Recolho as respostas e separo os erros em três grupos: classe gramatical, relação espacial e retomada/concordância. A aula de revisão seguinte responde a esses grupos, em vez de repetir todo o conteúdo igualmente para todos. Nas turmas em que a base está segura, proponho que reescrevam um pequeno texto evitando repetição excessiva de um substantivo, mas sem perder clareza. Assim, a retomada referencial deixa de ser somente uma questão de prova e passa a cumprir sua função na produção e compreensão de textos.
Como avaliar o conceito e escolher questões para cada momento?
As questões de identificação direta têm leitura baixa, resolução curta e funcionam bem como abertura, avaliação rápida, atividade ou lição de casa. Nas fichas, várias têm poder de discriminação médio; a questão 6 aparece com poder alto, mas isso não transforma um item isolado em diagnóstico completo. Para diagnosticar, combino uma frase curta com uma tarefa de retomada em texto: assim descubro se o aluno reconhece a classe e se acompanha a referência. A questão 4 tem leitura e tempo médios e papel de progressão; a questão 7 também avança para uso discursivo. Questões contextualizadas podem entrar em prova e atividade. Itens indicados como não adequados a simulado não devem ser usados nesse formato por rotina; observo as fichas antes de montar cada instrumento.
Para uma sondagem inicial, escolho um item direto de identificação, como “Aquele carro é muito bonito”, e um item que contraste demonstrativo e possessivo, como “Esses livros são meus”. A primeira resposta informa se o estudante localiza a classe entre palavras de tipos diferentes; a segunda mostra se distingue indicação e posse. Como os itens diretos são curtos e de leitura baixa, posso usá-los numa avaliação rápida sem sobrecarregar a turma. Ainda assim, considero o resultado como pista, não como medida completa de domínio. Registro também se a criança justificou, porque acertar por reconhecimento visual não garante que saiba explicar a função ou transferir o conceito a outro contexto.
Para acompanhar o progresso, acrescento um item interpretativo que exija retornar ao texto. A questão 4, por exemplo, pede identificar “essa situação” como referência a um elemento já apresentado; a questão 7 solicita escolher “esse” para retomar um aviso. A leitura é média e o papel indicado é de progressão, portanto essas tarefas fazem sentido depois da identificação básica. Na prova, posso distribuir os níveis: abrir com uma frase curta, seguir com uma aplicação contextual e fechar com retomada. Se o objetivo for um diagnóstico, analiso os tipos de erro por separado. Para lição ou atividade, dou espaço para o aluno explicar e revisar. Para simulado, respeito a indicação específica de cada ficha, em vez de presumir que todo item serve para qualquer finalidade.
Também observo o tempo e a carga de leitura. As fichas não indicam cálculo para nenhuma questão; isso não significa que todos os itens exijam o mesmo esforço. Há tempos descritos como curtos, de dois a três minutos ou médios, e níveis de leitura baixos, simples ou médios. Uma questão curta pode avaliar reconhecimento sem medir leitura extensa; uma contextualizada permite ver a relação textual, mas também demanda mais acompanhamento do enunciado. Uso essa diferença para interpretar resultados com justiça. Se um aluno erra apenas no texto mais denso, verifico se o obstáculo foi o pronome ou a compreensão do trecho. Quando preparo instrumentos, posso organizar os itens no gerador de provas do GeraProva e adaptar a combinação ao objetivo e à série.
Para onde o estudo de pronome demonstrativo leva?
O passo seguinte explicitamente relacionado a este conteúdo é a retomada referencial: compreender como uma palavra recupera um termo ou uma ideia anterior sem repetir todo o enunciado. O aluno que percebe que “essa situação” aponta para o impacto ambiental descrito, ou que “essa prática” recupera o ato de aproveitar a chuva, começa a acompanhar os fios que ligam as frases. Essa habilidade sustenta a leitura de textos mais longos e a escrita de parágrafos claros. Para construir essa passagem, proponho localizar o pronome, marcar o referente e explicar se a retomada é de uma palavra, de um grupo nominal ou de uma ideia. Não apresento isso como um conteúdo apartado: é a ampliação natural de uma função demonstrativa que a turma já observou em frases simples.
Na produção escrita, a retomada referencial ajuda a evitar repetições mecânicas, mas exige clareza. Se o estudante escreve “A prefeitura analisou a proposta. Essa foi aprovada”, é preciso saber se “essa” tem um referente identificável. Trabalho revisão em pares com uma pergunta objetiva: “O leitor consegue dizer o que este pronome retoma sem adivinhar?”. Se há mais de uma interpretação possível, o aluno pode recuperar o substantivo ou reorganizar a frase. A leitura também se beneficia: ao encontrar “esse crescimento”, o leitor volta ao trecho anterior para identificar qual crescimento está em discussão. Dessa maneira, o estudo não termina quando a classe gramatical é nomeada; ele se conecta à construção de sentido e à progressão das ideias.
Como relacionar pronomes demonstrativos a outros temas?
As fichas oferecem contextos variados: biblioteca, livros, avisos, rio poluído e gestão da água. Há tema transversal de educação ambiental na questão sobre consumo de água, e aparecem habilidades socioemocionais como atenção, pensamento crítico e tomada de decisão em itens específicos. Posso aproveitar esses contextos sem transformar gramática em pretexto para uma conversa desconectada: o foco continua sendo perceber o que o demonstrativo indica ou retoma. Ao mesmo tempo, textos sobre problemas ambientais permitem perguntar como uma referência clara ajuda o leitor a acompanhar uma informação. Em atividades colaborativas, os alunos podem ouvir interpretações diferentes, justificar a própria escolha e revisar uma resposta quando encontram uma evidência textual. Esse trabalho fortalece atenção ao contexto e argumentação, sem afirmar que uma questão isolada mede sozinha uma competência socioemocional.
Na prática, levo para a aula pequenos avisos ou parágrafos informativos e peço que cada dupla selecione um demonstrativo, encontre o referente e explique a escolha. Uma dupla pode sustentar que “essa situação” retoma o problema do rio; outra pode apontar precisamente o trecho que comprova a interpretação. O cuidado está em manter o objetivo linguístico visível: o tema ambiental cria sentido para a leitura, mas não substitui o ensino de pronome, concordância ou referência. Em inglês, uma cena de biblioteca ajuda a interpretar a distância em “that book”; em português, um mural permite discutir como “esse aviso” retoma informação já citada. Essa variedade aproxima o conceito de usos reais da linguagem e ajuda o professor a avaliar transferência, não apenas repetição de exemplos.
Quais questões comentadas ajudam a diagnosticar pronomes demonstrativos?
As oito questões a seguir percorrem etapas diferentes: reconhecimento de uma palavra, distinção entre classes gramaticais, interpretação de distância e retomada de informação. Nas alternativas erradas, explico o equívoco que a escolha pode revelar, mas trato essa leitura como hipótese a confirmar com a justificativa do aluno. Um distrator indica um raciocínio possível, não prova sozinho o que a criança sabe ou deixou de aprender. As questões diretas tendem a ser adequadas para abertura e avaliação rápida; as contextualizadas ajudam a observar leitura e referência. Os marcadores no fim de cada item permitem que a ficha técnica correspondente seja incorporada pelo sistema, sem duplicar aqui os dados pedagógicos completos. Recomendo usar os comentários para planejar a conversa de correção, não apenas para projetar o gabarito.
1. Em uma biblioteca, uma aluna vê um livro longe da mesa em que está sentada e comenta: “That book looks interesting.” Considerando a situação, o que “that” expressa na frase?
- ❌ A) É um pronome demonstrativo usado para indicar algo singular que está perto de quem fala. Erro: percebe singularidade, mas inverte a distância. Revela que o aluno pode conhecer a oposição, porém não aplicou a situação descrita.
- ✅ B) É um pronome demonstrativo usado para indicar algo singular que está longe de quem fala. Correta: relaciona “that” ao livro distante e singular.
- ❌ C) É uma palavra usada para mostrar posse da aluna sobre o livro mencionado. Erro: confunde indicação espacial com pertencimento; precisa contrastar demonstrativo e possessivo.
- ❌ D) É uma palavra que funciona como artigo definido antes de um substantivo específico. Erro: reconhece que a palavra acompanha “book”, mas troca sua função pela de artigo.
- ❌ E) É um pronome demonstrativo usado para indicar qualquer objeto, sem diferença entre perto e longe. Erro: apaga a oposição de distância, justamente o aspecto central do contexto.
Gabarito: B. A pista decisiva é a descrição explícita de que o livro está longe da mesa da aluna. Peço ao estudante que mostre quais elementos do enunciado sustentam sua escolha, para diferenciar compreensão da situação e simples memorização de “that”.
2. Na frase “Esses livros são meus”, qual é o pronome demonstrativo?
- ❌ A) livros. Erro: escolhe o substantivo que nomeia os objetos; revela dificuldade em distinguir nome e palavra que os aponta.
- ✅ B) esses. Correta: “esses” é o demonstrativo que identifica quais livros estão em questão.
- ❌ C) são. Erro: seleciona o verbo da frase; indica que ainda não separa ação ou estado de referência.
- ❌ D) meus. Erro: confunde posse com demonstração. A palavra informa a quem pertencem os livros, não quais livros são apontados.
- ❌ E) quais. Erro: escolhe um pronome interrogativo que nem aparece na frase; pode estar respondendo pela categoria geral “pronome”, não pela função pedida.
Gabarito: B. A frase é útil para perguntar o que “esses” acrescenta e o que “meus” acrescenta. Se o aluno escolhe D, comparo as perguntas “quais livros?” e “de quem são?”.
3. Identifique o pronome demonstrativo na frase: “Aquela casa é bonita.”
- ✅ A) Aquela. Correta: o demonstrativo aponta para a casa e pode expressar afastamento.
- ❌ B) Casa. Erro: escolhe o substantivo, confundindo o objeto nomeado com a palavra que o identifica.
- ❌ C) É. Erro: escolhe o verbo; revela dificuldade em reconhecer classes gramaticais básicas.
- ❌ D) Bonita. Erro: escolhe o adjetivo que caracteriza a casa, não o demonstrativo.
- ❌ E) Essa. Erro: reconhece uma forma demonstrativa, mas escolhe uma palavra que não está na frase. Pode saber exemplos da categoria, sem localizar a ocorrência concreta.
Gabarito: A. O distrator E é particularmente informativo: o aluno pode ter reconhecido corretamente uma palavra demonstrativa, mas não respondeu ao pedido de identificar a palavra efetivamente presente. Peço que aponte a frase antes de classificar.
4. João pergunta sobre um relatório do rio poluído. Maria diz que leu o documento e comenta que “essa situação” prejudica os peixes. No texto, qual expressão exemplifica o uso de pronome demonstrativo para referenciar elemento já citado?
- ❌ A) o relatório. Erro: escolhe um grupo nominal com artigo definido; pode confundir referência a algo conhecido com a classe pronome demonstrativo.
- ❌ B) o documento. Erro: identifica uma expressão que pode se relacionar ao relatório, mas não contém o demonstrativo pedido. Revela atenção ao sentido geral sem análise da forma.
- ❌ C) o cheiro forte. Erro: escolhe uma expressão nominal do texto; precisa distinguir artigo e pronome demonstrativo.
- ✅ D) essa situação. Correta: “essa” retoma o impacto ambiental mencionado anteriormente.
- ❌ E) os moradores. Erro: escolhe um substantivo plural com artigo, em vez da expressão que contém o demonstrativo.
Gabarito: D. O item exige leitura do trecho e identificação da retomada, não apenas reconhecimento de uma palavra isolada. Peço que o aluno trace uma seta de “essa situação” até a informação que ela recupera.
5. Dados ilustrativos: cerca de 62% dos municípios brasileiros registraram aumento no consumo de água potável em 2023. O texto menciona práticas eficientes na agricultura, irrigação por gotejamento e reservatórios subterrâneos para aproveitar a chuva, “prática essa essencial” em regiões de precipitações irregulares. Qual pronome demonstrativo retoma a ideia de aproveitar a chuva?
- ❌ A) esta. Erro: escolhe um demonstrativo possível em outros contextos, mas não a forma empregada no texto; pode responder por familiaridade, sem localizar a ocorrência.
- ❌ B) aquilo. Erro: seleciona um demonstrativo neutro, sem conferir qual forma retoma a prática no enunciado.
- ❌ C) esses. Erro: escolhe masculino plural; revela possível dificuldade em observar gênero e número do referente.
- ❌ D) esse. Erro: aproxima-se da resposta pelo sentido de retomada, mas não concorda com “prática”, feminino singular.
- ✅ E) essa. Correta: retoma a prática de aproveitar a chuva, apresentada como essencial.
Gabarito: E. A estratégia é localizar primeiro a ideia retomada e depois verificar a forma que aparece no texto e sua concordância. Se o aluno escolhe D, pergunto se identificou a referência, mas não conferiu o gênero.
6. Na frase “Aquele carro é muito bonito”, qual é o pronome demonstrativo?
- ❌ A) carro. Erro: marca o substantivo, confundindo o nome do objeto com o termo que o aponta.
- ✅ B) Aquele. Correta: identifica o demonstrativo que acompanha “carro” e indica distância.
- ❌ C) bonito. Erro: escolhe o adjetivo, possivelmente por se concentrar na característica descrita.
- ❌ D) é. Erro: escolhe o verbo; indica dificuldade em diferenciar classes gramaticais.
- ❌ E) muito. Erro: seleciona o advérbio que modifica “bonito”, não o demonstrativo.
Gabarito: B. É uma frase curta para verificar reconhecimento de classe gramatical com distratores de funções diferentes. Para aprofundar o diagnóstico, peço que o aluno explique por que “carro” e “bonito” não respondem ao comando.
7. No mural, a turma leu três avisos: o primeiro falava da festa, o segundo do esporte e o terceiro da leitura. Se a professora quiser retomar o aviso já mencionado, qual pronome demonstrativo deve usar?
- ❌ A) Aquele, pois aponta para qualquer aviso no mural. Erro: generaliza a forma e não considera que a pergunta trata de retomar algo citado.
- ❌ B) Isto, pois substitui o conteúdo dos três avisos. Erro: não seleciona a referência específica ao aviso já mencionado; confunde apresentação ou indicação com retomada.
- ❌ C) Isso, pois nomeia de novo o primeiro aviso. Erro: percebe a possibilidade de retomada, mas não observa a concordância com o substantivo masculino singular “aviso” nem a forma solicitada.
- ❌ D) Este, pois indica o aviso que será apresentado em seguida. Erro: confunde anúncio do que virá com retomada do que já foi dito.
- ✅ E) Esse, pois retoma um aviso que já foi mencionado anteriormente. Correta: recupera a informação já apresentada e concorda com “aviso”.
Gabarito: E. O item avalia a relação discursiva e a forma adequada ao referente. A alternativa C pode revelar uma percepção parcial de retomada; converso com o aluno sobre por que “isso” não concorda com o substantivo “aviso” neste enunciado.
8. Leia a frase: “Estas flores são muito bonitas”. Qual é o pronome demonstrativo?
- ❌ A) flores. Erro: escolhe o substantivo que nomeia aquilo de que se fala, não a palavra que o aponta.
- ❌ B) são. Erro: seleciona o verbo; indica necessidade de revisar classes gramaticais.
- ❌ C) bonitas. Erro: marca o adjetivo que caracteriza as flores, não o demonstrativo.
- ✅ D) estas. Correta: identifica o demonstrativo associado às flores.
- ❌ E) muito. Erro: escolhe o advérbio que intensifica a característica; pode estar atendendo à ideia de palavra que modifica outra, sem localizar a classe pedida.
Gabarito: D. A frase curta funciona para fixação e observação rápida. Posso pedir que a turma explique oralmente a relação entre “estas” e “flores” e depois crie outro exemplo com um demonstrativo no plural.
Quais dúvidas os professores costumam ter sobre pronomes demonstrativos?
Na prática, as dúvidas mais frequentes aparecem quando precisamos decidir se o aluno está pronto para trabalhar retomada textual, como diferenciar um erro de classificação de um erro de leitura e de que maneira selecionar questões adequadas à série. Não existe uma única atividade que responda a tudo. Uma frase direta mostra reconhecimento, enquanto um texto permite observar referência e concordância em contexto. Também é importante considerar que as fichas contemplam do 3º ao 9º ano e duas línguas, portanto o nível de explicação e a complexidade dos exemplos devem mudar. A seguir, respondo a perguntas que ajudam a transformar esses dados em decisões de planejamento, sem tratar a regra como uma lista descontextualizada ou supor que um acerto isolado represente domínio completo.
Como saber se o aluno entendeu ou apenas decorou a lista de demonstrativos?
Peça que identifique uma forma em uma frase nova, explique o que ela aponta e localize seu referente. Se só repete “este, esse, aquele”, mas marca substantivos ou não explica a retomada, o reconhecimento ainda não se converteu em compreensão funcional.
Devo ensinar primeiro distância ou retomada textual?
Comece com situações concretas de proximidade e afastamento e identificação em frases curtas. Quando a turma já consegue reconhecer o demonstrativo e distingui-lo de outras classes, amplie para retomadas de termos e ideias em textos. A sequência pode ser retomada conforme os resultados da sondagem.
O que faço quando o aluno identifica o pronome, mas escolhe a forma errada?
Peça que localize o referente e diga se está retomando algo já mencionado, apontando uma posição ou anunciando informação. Depois, verifique gênero e número. Essa conversa ajuda a separar um erro de concordância de uma confusão entre distância e referência discursiva.
Uma questão de múltipla escolha basta para diagnosticar a aprendizagem?
Não. Ela oferece indícios sobre o raciocínio, sobretudo quando os distratores representam confusões diferentes. Combine uma questão objetiva com uma explicação curta, uma seta até o referente ou uma produção própria. Assim, você não interpreta o acerto casual como domínio nem o erro como incapacidade geral.
Como adaptar o conteúdo entre Língua Portuguesa e Língua Inglesa?
Mantenha a pergunta central — o que a palavra aponta e em relação a quê? — e adapte as formas e exemplos à língua estudada. Em inglês, a questão apresentada trabalha “that” para algo singular e distante. Em português, explore também concordância e retomada textual, conforme o objetivo e a série.
Como usar os resultados para planejar a próxima aula?
Separe as respostas por tipo de erro: classe gramatical, posse, distância, retomada ou concordância. Se vários alunos confundirem substantivo e demonstrativo, retome a função na frase; se identificarem a palavra, mas não seu referente, trabalhe coesão com textos curtos. Para preparar avaliações e atividades, você pode fazer seu cadastro grátis.
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