Atividades sobre gêneros literários com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, UEL, UNESP (EM13LP49)
Quando recebo a EM13LP49 no planejamento, sei que não basta separar uma crônica, um poema e um romance para leitura. O desafio é fazer a turma perceber que cada gênero organiza a experiência humana de um jeito — e que as escolhas de linguagem não estão ali por acaso.
Na prática, eu transformo esse código em comparação: o que muda quando o cotidiano vira crônica, quando o eu fala em poema ou quando uma canção mistura narrativa e descrição? Assim, a aula sai da lista de características decoradas e chega à leitura com argumento.
O que a habilidade EM13LP49 pede, de verdade?
A EM13LP49 pede que eu ajude os estudantes a reconhecer como forma, linguagem e ponto de vista produzem sentidos distintos nos gêneros literários. Não é só identificar “isto é poema” ou “isto é crônica”: é explicar como a crônica pode captar uma cena cotidiana de modo pessoal, como o poema dá espaço à subjetividade do eu lírico, como o romance comporta perspectivas diversas sobre a vida social e como a literatura marginal e periférica pode assumir dimensão política. Em uma questão ou conversa de sala, o aluno precisa ligar um recurso concreto — enumeração, imagens, ritmo, descrição, voz do enunciador, sequência textual — ao efeito que ele cria. Eu busco que a turma compare textos, sustente a leitura com marcas do trecho e entenda que literatura é também uma maneira de olhar para o indivíduo, o cotidiano e a sociedade.
“Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e social dos romances, a dimensão política e social de textos da literatura marginal e da periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura.”
Para consultar a redação oficial, as séries atendidas e o acervo disponível, uso a consulta completa do código EM13LP49.
Como trabalhar EM13LP49 em sala?
- Leitura em contraste: levo uma crônica curta, um poema e uma letra de canção sobre cidade ou cotidiano. Em grupos, os alunos marcam quem fala, o que é descrito, como o texto se organiza e qual efeito fica no leitor.
- Um fato, três gêneros: proponho uma situação comum — atraso do ônibus, jogo na quadra, chuva no recreio — e peço uma microcrônica, um poema e o início de uma narrativa. Depois, a turma explica as escolhas que diferenciam as versões.
- Caça às marcas textuais: no quadro, organizo colunas para enumeração, imagens sensoriais, repetição, verbos de ação e apelos ao interlocutor. O objetivo é mostrar que recurso linguístico e gênero caminham juntos.
- Roda de vozes: seleciono textos de autores periféricos, canções, slam ou poemas presentes no repertório local da turma. A pergunta não é “qual é a mensagem?”, mas “que voz aparece e como a forma torna essa perspectiva potente?”.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EM13LP49 apresenta um trecho suficiente e cobra a relação entre uma marca observável e um efeito de sentido ou traço de gênero. Em vez de perguntar apenas o nome de uma escola literária, eu posso pedir que o estudante identifique por que uma sequência de imagens cria subjetividade, por que uma enumeração se aproxima de inventário ou como descrição e narração se combinam numa canção.
Os erros mais comuns são transformar a avaliação em caça ao rótulo, usar alternativas vagas como “o texto emociona” e cobrar informação biográfica sem apoio no excerto. Também evito tratar gênero como caixa fechada: uma letra pode reunir sequências narrativas, descritivas e injuntivas. O gabarito precisa apontar a evidência textual, não só anunciar a resposta.
Questões prontas de EM13LP49 (com gabarito comentado)
1. ENEM 2022 — “Ser cronista”, de Clarice Lispector: ao refletir sobre a atividade de cronista, a autora questiona características do gênero crônica, como:
- ❌ Relação distanciada entre os interlocutores. A autora se aproxima do leitor e comenta essa comunicação direta.
- ❌ Articulação de vários núcleos narrativos. O foco está na reflexão sobre escrever para jornal, não em várias tramas.
- ✅ Brevidade no tratamento da temática. A autora questiona a expectativa de leveza e de uma leitura que “faça passar uns minutos”.
- ❌ Descrição minuciosa dos personagens. Essa não é uma característica discutida no trecho.
- ❌ Público leitor exclusivo. O jornal é apresentado justamente como algo aberto a muita gente.
2. ENEM 2022 — “Notas”, de Machado de Assis: o recurso linguístico que permite considerar o capítulo como inventário é a:
- ✅ Enumeração de objetos e fatos. A sucessão de elementos do funeral produz o efeito de listagem próprio de um inventário.
- ❌ Predominância de linguagem objetiva. Há descrição, mas esse traço isolado não explica o efeito de inventário.
- ❌ Ocorrência de período longo no trecho. O período contribui para o fluxo, porém não é o recurso decisivo.
- ❌ Combinação de verbos no presente e no pretérito. Os tempos verbais não constituem o princípio organizador da lista.
- ❌ Presença de léxico do campo semântico de funerais. O vocabulário situa a cena, mas é a enumeração que a inventaria.
3. ENEM 2020 — “Hino à Bandeira”: a descrição exalta o símbolo nacional na medida em que:
- ❌ Remete a um momento futuro. O futuro aparece, mas não é o efeito central da descrição.
- ❌ Promove a união dos cidadãos. Há sentimento coletivo, porém a pergunta focaliza a função descritiva.
- ✅ Valoriza os seus elementos. Céu, matas e Cruzeiro do Sul são apresentados de forma elogiosa para exaltar a bandeira.
- ❌ Emprega termos religiosos. O tom é reverente, mas não depende de vocabulário religioso explícito.
- ❌ Recorre à sua história. O texto descreve elementos do símbolo, sem narrar sua trajetória histórica.
4. ENEM 2020 — “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso: os tipos textuais que se destacam são:
- ❌ Descritivo e argumentativo. Não há defesa organizada de uma tese contra a violência urbana.
- ❌ Dissertativo e argumentativo. O eu lírico não desenvolve uma exposição de ideias sobre as notícias.
- ❌ Expositivo e injuntivo. Não explica um tema nem instrui alguém a agir.
- ✅ Narrativo e descritivo. O enunciador relata sua caminhada e, ao mesmo tempo, compõe imagens da cidade.
- ❌ Narrativo e injuntivo. Há deslocamento narrado, mas não orientação ao interlocutor.
5. ENEM 2019 — “Inverno! Inverno! Inverno!”, de Raul Pompeia: na prosa poética impressionista, observa-se:
- ❌ Imprecisão no sentido dos vocábulos. As imagens são expressivas, não simples falta de precisão.
- ❌ Dramaticidade como elemento expressivo. Ela existe, mas não define melhor o trabalho formal destacado no texto.
- ❌ Subjetividade em oposição à verossimilhança. A subjetividade importa, mas a alternativa não explica a construção sonora e imagética.
- ❌ Valorização da imagem com efeito persuasivo. A imagem é central, porém o objetivo não é principalmente persuadir.
- ✅ Plasticidade verbal vinculada à cadência melódica. Imagens intensas e ritmo da frase criam a experiência poética da prosa.
6. ENEM 2019 — “Blues da piedade”, de Cazuza: a letra aproxima-se da ladainha pela sequência textual:
- ❌ Expositiva. O texto não informa ou explica um assunto de modo desenvolvido.
- ❌ Narrativa. Não há cadeia de acontecimentos organizada no tempo.
- ✅ Injuntiva. A repetição de “Vamos pedir” convoca uma ação e reproduz o tom de invocação da ladainha.
- ❌ Descritiva. O trecho não se dedica a caracterizar detalhadamente uma personagem.
- ❌ Argumentativa. Há apelo, mas não uma tese sustentada por argumentos.
Próximos passos
Essas seis questões mostram um caminho seguro: partir do texto, localizar a marca linguística e chegar ao efeito ou à peculiaridade de gênero. Se eu quiser ampliar a lista ou montar versões diferentes para as turmas, encontro 107 questões alinhadas ao código no gerador de provas do GeraProva. Para salvar atividades e começar a organizar avaliações, vale fazer o cadastro grátis.
Use este material como ponto de partida e ajuste textos, mediações e critérios ao perfil da sua turma: a melhor leitura literária é aquela em que o estudante consegue mostrar, com o texto na mão, por que interpretou daquele jeito.
