Atividades sobre variação linguística com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, UEL, UNESP (EM13LP10)
Quando recebo a EM13LP10 no planejamento, sei que o desafio não é apenas listar tipos de variação linguística no quadro. Preciso transformar um texto longo da BNCC em situações de leitura, conversa e avaliação que façam sentido para a turma — sem reforçar a velha ideia de que há um único jeito legítimo de falar.
Na prática, eu parto do que os estudantes já escutam e dizem: o tu e o você, a linguagem de casa, os regionalismos, as escolhas de uma mensagem no celular e de uma redação. A seguir, reuni caminhos de aula e questões prontas para trabalhar o código com segurança.
O que a habilidade EM13LP10 pede, de verdade?
Em termos de sala de aula, a EM13LP10 pede que eu ajude os estudantes a perceber que a língua muda, circula e assume formas diferentes conforme a região, o tempo histórico, o grupo social, a idade, a profissão e a situação comunicativa. Não basta reconhecer uma gíria ou corrigir uma concordância: o aluno precisa analisar efeitos de sentido e entender por que uma variedade pode receber prestígio social enquanto outra é injustamente estigmatizada. Isso envolve observar sons, palavras, construções sintáticas, sentidos e modos de interação; comparar usos sem tratar a fala cotidiana como erro automático; e discutir adequação, isto é, qual escolha funciona melhor em determinado contexto. O objetivo maior é formar leitores atentos à diversidade linguística e capazes de combater o preconceito linguístico, sem negar que a norma-padrão tem usos importantes em contextos formais e escolares.
“Analisar o fenômeno da variação linguística, em seus diferentes níveis [...] e em suas diferentes dimensões [...] de forma a ampliar a compreensão sobre a natureza viva e dinâmica da língua [...] e a fundamentar o respeito às variedades linguísticas e o combate a preconceitos linguísticos.”
Para consultar a redação completa e o acervo disponível, acesso a consulta completa do código EM13LP10. O GeraProva reúne 211 questões alinhadas a essa habilidade.
Como trabalhar EM13LP10 em sala?
- Mapa linguístico da turma. Peço que cada estudante registre palavras ou expressões que ouve em casa, no bairro, em jogos ou com parentes de outras cidades. Depois, classificamos hipóteses de origem e discutimos: em que contexto essa forma aparece? Ela é regional, geracional, ocupacional ou situacional?
- Reescrita com propósito. Levo um aviso de escola, uma conversa por mensagem e uma notícia curta. Em grupos, a turma adapta o mesmo conteúdo para um bilhete à família, um post de rede social e um requerimento formal. O foco não é “falar bonito”, mas justificar escolhas de registro.
- Duelo de pronomes, sem julgamento. Uso exemplos de tu, você, senhor e formas locais. Os alunos observam usos reais em letras, entrevistas e conversas, reconhecendo variação regional, histórica e de tratamento.
- Caça ao preconceito linguístico. Trago frases como “quem fala assim não sabe português”. A turma identifica o preconceito embutido, explica por que ele é problemático e produz uma resposta respeitosa, distinguindo variedade linguística de adequação a situações formais.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EM13LP10 apresenta uma forma linguística dentro de um texto e exige que o estudante relacione essa escolha ao contexto, aos interlocutores, à região, ao período ou aos efeitos de sentido. Eu evito itens que simplesmente peçam a “forma correta” sem situação comunicativa, porque isso reduz a habilidade à gramática normativa. Também tomo cuidado para não tratar fala popular, regionalismo ou oralidade como deficiência.
Entre os erros mais comuns estão confundir informalidade com incapacidade linguística, afirmar que toda variação depende da região e supor que a norma-padrão é inadequada em qualquer circunstância. A avaliação deve mostrar que há diferentes variedades e que a adequação depende da finalidade e da situação.
Questões prontas de EM13LP10 (com gabarito comentado)
1. Na canção “Sinhá”, de Chico Buarque e João Bosco, aparecem formas como “vosmecê”, “vassuncê” e “iorubá”. Considerando a situação de punição narrada, qual interpretação melhor explica sua relevância no patrimônio linguístico e identitário brasileiro?
- ❌ A) Celebram a incorporação de vocábulos africanos à música popular brasileira. Reduz o texto a uma celebração lexical, ignorando a violência narrada.
- ❌ B) Representam um conflito amoroso entre pessoas de posições sociais diferentes. Não há romance; há acusação, submissão e punição.
- ❌ C) Destacam integração harmoniosa entre crenças africanas e cristãs. As referências religiosas surgem em contexto de sofrimento, não de harmonia.
- ❌ D) Descrevem costumes coloniais sem avaliar relações de poder. Tronco, mutilação e cegueira evidenciam a crueldade dessa relação.
- ✅ E) Evidenciam marcas de violência e resistência na experiência de pessoas escravizadas. As marcas linguísticas e culturais se articulam à memória da escravização e à violência simbólica e física.
2. ENEM 2013 — No texto sobre Afonsinho, qual trecho apresenta uma marca de informalidade?
- ❌ A) “o Atleta do Século acertou.” É uma referência respeitosa, sem marca informal.
- ❌ B) “O Rei respondeu sem titubear”. A construção mantém tom mais formal.
- ❌ C) “E provavelmente acertaria novamente hoje.” O trecho é neutro.
- ✅ D) “Pelé estava se aposentando pra valer pela primeira vez”. “Pra”, no lugar de “para”, marca a informalidade.
- ❌ E) “Pela admiração por um de seus colegas de clube”. A construção não sinaliza coloquialidade.
3. Em texto de Eduardo Galeano, “mi tierra”, “mi sangre”, “mi pana” e “mi llave” nomeiam amigo em comunidades distintas. A variação ocorre em função de quê?
- ❌ A) Mudanças de sentido provocadas por metáforas. Há metáforas, mas o foco é a distribuição regional das formas.
- ❌ B) Relações de proximidade entre interlocutores. O texto não organiza as expressões por grau de intimidade.
- ❌ C) Circunstâncias históricas dos personagens. Elas explicam a narrativa das chaves, não as variedades apresentadas.
- ✅ D) Características regionais e culturais das comunidades de fala. Havana, Caracas e Buenos Aires usam formas próprias para a mesma relação.
- ❌ E) Níveis de formalidade das situações. Não há contraste entre situação formal e informal.
4. ENEM 2022 — Em “Papos”, de Luis Fernando Verissimo, por que a defesa rígida da norma-padrão se torna inadequada?
- ❌ A) Falta de compreensão entre gerações. A conversa é compreensível; o problema é a inadequação ao uso.
- ✅ B) Contexto de comunicação em que a conversa se dá. Num diálogo cotidiano, a correção obsessiva cria efeito de pedantismo.
- ❌ C) Grau de polidez distinto entre os interlocutores. Polidez não é o centro da crítica.
- ❌ D) Diferença de escolaridade entre falantes. O texto não informa isso.
- ❌ E) Nível social dos participantes. A questão trata de contexto comunicativo, não de classe social.
5. ENEM 2021 — Na letra “Falso moralista”, de Nelson Sargento, quais expressões são marcas informais?
- ✅ A) “falação” e “pros bailes”. A formação coloquial e a contração de “para os” marcam a informalidade.
- ❌ B) “você” e “teatro de revista”. Não constituem, juntos, marcas informais no trecho.
- ❌ C) “perfeito” e “Carnaval”. São formas correntes sem esse traço específico.
- ❌ D) “bebe bem” e “oculista”. “Oculista” é termo técnico, não marca de coloquialidade.
- ❌ E) “curar” e “falso moralista”. Não são exemplos de marcas informais.
6. ENEM 2021 — O uso de “tu” e “você” mudou no tempo e varia entre regiões brasileiras. O que esse processo revela?
- ❌ A) A escolha depende apenas da idade. Região e contexto também interferem.
- ✅ B) A possibilidade de usar “tu” e “você” caracteriza a diversidade da língua. A coexistência das formas evidencia variação linguística.
- ❌ C) “Tu” é informal em todo o país. O texto mostra usos regionais diversos.
- ❌ D) Não há distinção de formalidade. A coexistência não elimina diferenças de uso.
- ❌ E) A língua tende a ficar inalterada. O texto evidencia justamente mudança histórica e diversidade atual.
Próximos passos
Eu usaria essas questões depois de uma conversa inicial com exemplos da própria turma, pedindo sempre justificativas baseadas no contexto. Para montar uma lista, um simulado ou uma avaliação com níveis diferentes de dificuldade, vale explorar o gerador de provas do GeraProva e fazer o cadastro grátis.
As questões são um ponto de partida: adapte os textos, a mediação e o grau de complexidade à sua turma. O mais importante é ensinar que diversidade linguística não é motivo de julgamento, mas objeto de análise e respeito.
