GeraProva GeraProva Provas com IA para professores do Brasil
BNCC

Atividades sobre discursos, poder e ideologias com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, UEL, UNESP (EM13LGG202)

Atividades sobre discursos, poder e ideologias com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, UEL, UNESP (EM13LGG202)

Quando recebo a EM13LGG202 no planejamento, sei que não basta separar um texto e pedir interpretação. A habilidade exige que eu ajude a turma a perceber quem fala, de onde fala, quais interesses aparecem e quais visões de mundo ganham força em uma linguagem.

Na prática, isso cabe muito bem nas aulas de Língua Portuguesa, Arte, Educação Física e Inglês. O desafio é transformar uma formulação ampla da BNCC em leitura atenta, debate com evidências e avaliação que vá além de localizar informações.

O que a habilidade EM13LGG202 pede, de verdade?

A EM13LGG202 pede que o estudante analise criticamente discursos verbais, visuais, corporais e artísticos, identificando interesses, relações de poder e perspectivas de mundo. Em vez de perguntar apenas “qual é o tema?”, eu preciso levá-lo a perguntar: quem está sendo representado? Quem foi silenciado? Que grupo é valorizado ou inferiorizado? Que ideia parece natural, mas é construída socialmente? Isso vale para uma notícia, uma campanha publicitária, uma tira, uma letra, uma obra de arte, uma postagem, uma regra esportiva ou uma narrativa literária. O aluno precisa observar tanto o conteúdo quanto a forma de circulação: um discurso muda de alcance e efeito quando aparece em rede social, museu, livro didático, televisão ou conversa cotidiana. A meta é reconhecer que as linguagens produzem sentidos e também podem reproduzir ou questionar ideologias.

“Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e verbais), compreendendo criticamente o modo como circulam, constituem-se e (re)produzem significação e ideologias.”

É uma habilidade especialmente útil para preparar a turma para o ENEM e vestibulares, mas não precisa ficar presa ao modelo de prova. O cotidiano já oferece muito material para essa leitura crítica.

Como trabalhar EM13LGG202 em sala?

  1. Comparar manchetes sobre o mesmo fato. Levo duas ou três manchetes de veículos diferentes e peço que a turma marque escolhas de palavras, fontes ou imagens. Depois discutimos que perspectiva cada texto constrói.
  2. Ler tiras e memes com lupa. Uma tira de Mafalda ou um meme conhecido permite discutir estereótipos de gênero, classe e comportamento. O ponto não é “cancelar” o texto, mas justificar a leitura com elementos concretos.
  3. Mapear discursos no espaço escolar. A turma fotografa ou anota placas, murais, regras, campanhas e cartazes da escola. Em grupos, analisa quem é o público, que comportamento se deseja produzir e que vozes não aparecem.
  4. Usar arte e corpo como linguagem. Uma imagem, uma cena de dança, um jogo ou uma prática corporal pode revelar normas de gênero, pertencimento e exclusão. Peço que os estudantes descrevam primeiro e interpretem depois, evitando respostas soltas.
  5. Produzir uma resposta crítica. Após a leitura, proponho uma legenda alternativa, um pequeno manifesto, um cartaz ou um áudio que reposicione uma voz apagada. Assim, leitura e produção caminham juntas.

Para ampliar o repertório de atividades, vale consultar a consulta completa do código EM13LGG202, que reúne todas as questões disponíveis no acervo.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão desse código apresenta um discurso e pede que o aluno relacione recursos de linguagem a uma perspectiva, interesse ou relação de poder. Não basta cobrar o nome de uma figura de linguagem ou uma opinião genérica sobre preconceito. A resposta precisa nascer de evidências: uma escolha lexical, uma imagem, o enquadramento narrativo, o silêncio, a circulação do texto ou a oposição entre personagens.

Um erro comum é formular alternativas moralmente óbvias, sem ligação com o texto. Outro é confundir o ponto de vista do personagem com a posição da obra ou do autor. Também evito perguntas que dependam de repertório externo não apresentado no enunciado. Abaixo, selecionei seis exemplos do acervo do GeraProva; atualmente, são 190 questões alinhadas à habilidade.

Questões prontas de EM13LGG202 (com gabarito comentado)

1. Preservação digital de tradições culturais

Enunciado: In several Brazilian communities, traditional festivals have gained new visibility through digitized archives, virtual exhibitions, and social media campaigns. These initiatives help people outside the communities learn about the celebrations and may preserve photographs, songs, and historical accounts. Nevertheless, local organizers observe that online materials do not replace processions, shared meals, oral storytelling, or the participation of different generations. For older residents, the meaning of a festival depends partly on people gathering and performing rituals together. Therefore, some researchers defend a combined approach: digital tools should support, rather than substitute, community-led events and face-to-face participation.

Based on the text, which statement best expresses the author’s perspective on using digital resources to preserve traditional festivals?

  • ❌ A) Digital resources preserve traditional festivals effectively when online records and campaigns are used together. Isso ignora a necessidade de participação comunitária presencial.
  • ✅ B) Digital resources expand visibility and support preservation, but they cannot replace the communal practices that keep traditions alive. O texto defende a combinação entre recursos digitais e eventos conduzidos pela comunidade.
  • ❌ C) Digital resources increase public awareness and therefore replace the need for community-led festival events. Visibilidade não substitui rituais e encontros.
  • ❌ D) Older residents reject digital resources because traditional festivals depend exclusively on face-to-face participation. O texto não fala em rejeição nem em exclusividade.
  • ❌ E) Community gatherings preserve traditional festivals effectively even when digital resources are not used. Os recursos digitais também são reconhecidos como apoio importante.

2. Humor e violência na narrativa literária

Enunciado: Vanda vinha do interior de Minas Gerais e de dentro de um livro de Charles Dickens. Sem dinheiro para criá-la, sua mãe a dera, com seus sete anos, a uma conhecida. Ao recebê-la, a mulher perguntou o que a garotinha gostava de comer. Anotou tudo num papel. Mal a mãe virou as costas, no entanto, a fulana amassou a lista e, como uma vilã de folhetim, decretou: “A partir de hoje, você não vai mais nem sentir o cheiro dessas comidas!”.

Vanda trabalhou lá até os quinze anos, quando recebeu a carta de uma prima com uma nota de cem cruzeiros, saiu de casa com a roupa do corpo e fugiu num ônibus para São Paulo.

Todas as vezes que eu e minha irmã a importunávamos com nossas demandas de criança mimada, ela nos contava histórias da infância de gata-borralheira, fazia-nos apertar seu nariz quebrado por uma das filhas da “patroa” com um rolo de amassar pão e nos expulsava da cozinha: “Sai pra lá, peste, e me deixa acabar essa janta”.

PRATA, A. Nu de botas. São Paulo: Companhia das Letras, 2013 (adaptado).

No texto, a perspectiva do narrador produz um efeito expressivo sobre a trajetória de Vanda. Considerando o modo como os episódios de sofrimento são apresentados, esse efeito decorre da

  • ❌ A) idealização da inocência das crianças da época. A expressão “criança mimada” vai no sentido oposto.
  • ❌ B) citação de referências literárias tradicionais. As alusões existem, mas não explicam o efeito principal.
  • ❌ C) descrição detalhada dos costumes do interior mineiro. O trecho não desenvolve essa descrição.
  • ✅ D) representação anedótica de atos de violência. Abandono e agressão são narrados com humor, exagero e imagens insólitas.
  • ❌ E) questionamento da bondade nas relações humanas. Não há reflexão geral; o foco é o modo coloquial de narrar.

3. Segurança hídrica e interesses sociais

Enunciado: Em uma região brasileira que reúne agricultura familiar, produção em larga escala e atividades industriais, o planejamento dos recursos hídricos precisa conciliar diferentes necessidades. Para isso, a cobrança pelo uso da água e as autorizações para sua retirada e para o lançamento de efluentes devem assegurar operações eficientes e ambientalmente sustentáveis. Essas regras também precisam considerar as particularidades de cada atividade, inclusive a agricultura de subsistência.

Considerando o debate sobre segurança hídrica, a proposta apresentada no texto está pautada na

  • ✅ A) distribuição equitativa do abastecimento. A proposta concilia usuários e necessidades distintos, com sustentabilidade.
  • ❌ B) padronização integral das atividades agrícolas. O texto considera particularidades, não um modelo único.
  • ❌ C) ampliação uniforme do consumo hídrico. Regular acesso não significa aumentar consumo para todos.
  • ❌ D) separação completa entre uso e preservação. Uso eficiente e preservação aparecem articulados.
  • ❌ E) priorização exclusiva da produção industrial. Agricultura familiar e subsistência também são incluídas.

4. Estereótipos de gênero em Mafalda

Enunciado: Em uma tira de Quino, apresentada aqui em tradução, Susanita conversa com Mafalda sobre o que considera uma “mulher de verdade”. No primeiro quadro, Susanita afirma: “Uma mulher deve saber cuidar da casa, cozinhar e manter tudo em ordem”. Mafalda pergunta: “E as mulheres que não fazem essas coisas?”. Susanita responde: “Essas não têm mujerez”. A palavra inventada pela personagem combina mujer (“mulher”) com o sufixo -ez, empregado em espanhol para formar substantivos que indicam qualidade ou condição, como em niñez (“infância”). O humor da tira decorre da visão estereotipada de Susanita sobre os papéis femininos.

Considerando a situação apresentada na tira e o processo de formação da palavra “mujerez”, o sentido atribuído por Susanita ao vocábulo remete à

  • ❌ A) relevância social das mulheres que possuem empregados para realizar as tarefas domésticas. Empregados não são mencionados.
  • ✅ B) falta de feminilidade das mulheres que não se dedicam às tarefas domésticas. Susanita associa, de modo estereotipado, ser mulher a essas tarefas.
  • ❌ C) valorização das mulheres que realizam todas as tarefas domésticas. A fala também desqualifica quem não as realiza.
  • ❌ D) inferioridade das mulheres que praticam as tarefas domésticas. A relação foi invertida.
  • ❌ E) independência das mulheres que não se prendem apenas às tarefas domésticas. Essa seria uma crítica à fala, não a visão de Susanita.

5. Papéis de gênero e exploração territorial

Enunciado: Ao descrever Maria Santa, o narrador relaciona seus olhos verdes à origem “cruzada e decantada” de homens aventureiros e de mulheres que os acompanhavam pelas matas, expostas a doenças, animais e outros perigos. Enquanto os homens são apresentados como “enfebrados pela procura do ouro e do diamante”, as mulheres aparecem em busca de um lugar onde pudessem viver uma ilusória vida de família e de lar.

Considerando a distribuição de papéis entre homens e mulheres construída no texto, as correlações estabelecidas pelo narrador refletem a

  • ✅ A) subordinação das mulheres à lógica masculina de exploração territorial e econômica. Os projetos masculinos orientam o deslocamento, e elas aparecem como acompanhantes.
  • ❌ B) autonomia das mulheres na definição de projetos familiares e econômicos próprios. Essa autonomia não é apresentada.
  • ❌ C) participação equivalente das mulheres nas decisões de exploração territorial e econômica. A iniciativa é atribuída aos homens.
  • ❌ D) rejeição das mulheres aos projetos masculinos de exploração territorial e econômica. Não há oposição explícita no trecho.
  • ❌ E) aliança das mulheres com os homens na disputa por prestígio territorial e econômico. Os interesses descritos são diferentes.

6. Lirismo, violência e resistência em quadrinhos

Enunciado: Leia a descrição da sequência de quadrinhos, extraída e adaptada da obra Cumbe, de Marcelo D’Salete. Em uma noite, pessoas negras escravizadas caminham silenciosamente por uma área de mata. A lua ilumina parcialmente seus rostos e corpos. Em seguida, um homem é capturado e agredido por soldados armados. Apesar da violência, os demais não abandonam o caminho: trocam olhares, mantêm-se unidos e avançam em direção à mata fechada. Não há balões de fala; a alternância entre os quadros silenciosos, a luz da lua, a paisagem natural e as cenas de agressão constrói o sentido da sequência.

Considerando a organização visual e narrativa da sequência descrita, a conjugação entre lirismo e violência contribui para

  • ❌ A) expor os sujeitos alijados de sua ancestralidade pelo exílio. Não há exílio ou ruptura ancestral no texto-base.
  • ❌ B) revelar os corpos marcados pela brutalidade colonial. Há violência, mas a alternativa não explica a resistência coletiva.
  • ✅ C) acentuar a resistência identitária dos povos escravizados. A união e a continuidade do caminho enfrentam a repressão colonial.
  • ❌ D) sugerir a impossibilidade de manutenção dos afetos. Os olhares e a permanência do grupo contradizem essa ideia.
  • ❌ E) representar o abatimento diante da desumanidade vivida. A sequência mostra enfrentamento, não prostração.

Próximos passos

Eu começaria escolhendo um texto próximo da turma e formulando uma pergunta que exija evidência: “que visão de mundo essa linguagem torna aceitável?”. Depois, é possível montar uma avaliação equilibrada com textos verbais, visuais e artísticos. Para ganhar tempo no planejamento, use o gerador de provas do GeraProva e filtre as questões por habilidade.

Se você quer experimentar a plataforma e adaptar atividades ao perfil da sua turma, faça seu cadastro grátis. O GeraProva apoia seu planejamento; a mediação crítica continua sendo a parte mais potente do nosso trabalho docente.

Artigos relacionados

0 comentários

Ocorreu um erro inesperado. Recarregar X

Rejoining the server...

Rejoin failed... trying again in seconds.

Failed to rejoin.
Please retry or reload the page.

The session has been paused by the server.

Failed to resume the session.
Please retry or reload the page.