Atividades sobre Construção composicional e estilo Gêneros de divulgação científica com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69LP42)
Quando recebo a EF69LP42 no planejamento, eu sei que não basta pedir aos estudantes que leiam um texto sobre ciência e respondam perguntas de localização. O desafio é ajudá-los a perceber como esse texto foi montado para tornar um conhecimento compreensível: o título que chama, o subtítulo que organiza, a imagem que explica, o box que aprofunda, a citação que dá credibilidade.
Na prática, eu transformo essa habilidade em leitura atenta de textos que circulam de verdade na escola e fora dela. Uma reportagem científica, uma página de revista, um infográfico ou uma notícia de saúde já rendem boas conversas e avaliações. Abaixo, organizo caminhos possíveis para trabalhar o código sem complicar a rotina.
O que a habilidade EF69LP42 pede, de verdade?
Em linguagem de professor, a EF69LP42 pede que o estudante leia textos de divulgação científica enxergando mais do que o assunto: ele precisa compreender a função de cada parte da composição e as escolhas de linguagem feitas para explicar um tema ao público. Isso envolve analisar título, olho, introdução, subtítulos, fotos, gráficos, tabelas, mapas, diagramas, boxes, notas e links; perceber se o texto define, descreve, compara, enumera ou exemplifica; e reconhecer marcas como terceira pessoa, presente atemporal, citações e vocabulário técnico explicado no contexto. Também pede comparação com publicações que usam uma voz mais pessoal, como certos vídeos e podcasts. Eu traduzo isso para a turma assim: “vamos descobrir como o texto organiza as informações para ensinar algo e por que ele soa confiável”. Não é decorar nomes de elementos gráficos, mas relacionar forma, finalidade, leitor e produção de sentido.
“Analisar a construção composicional dos textos pertencentes a gêneros relacionados à divulgação de conhecimentos [...] e reconhecer traços da linguagem dos textos de divulgação científica, fazendo uso consciente das estratégias de impessoalização da linguagem [...], 3ª pessoa, presente atemporal, recurso à citação, uso de vocabulário técnico/especializado etc.”
O objeto de conhecimento é a construção composicional e o estilo dos gêneros de divulgação científica, dentro de Língua Portuguesa, do 6º ao 9º ano. Vale ajustar a complexidade: nos anos iniciais, eu começo pela identificação e pela função dos recursos; nos finais, avanço para comparação de publicações, análise de confiabilidade e produção de textos multimodais.
Como trabalhar EF69LP42 em sala?
1. Fazer uma “autópsia” de página. Levo uma reportagem impressa ou projetada e peço que a turma circule título, subtítulos, imagem, legenda, fonte, box e dado numérico. Depois, pergunto: “Se eu tirasse esta parte, o que o leitor perderia?”. É uma atividade simples que desloca o olhar da leitura apenas verbal para a composição da página.
2. Comparar duas formas de explicar o mesmo tema. Posso usar uma notícia científica e um vídeo curto de divulgação, ou uma página de enciclopédia e um episódio de podcast. A turma observa quem fala, se aparece primeira ou terceira pessoa, como são apresentadas as fontes e quais recursos ajudam a entender o conteúdo. Assim, a impessoalização deixa de ser uma lista gramatical solta.
3. Transformar dados em divulgação. Depois de uma pesquisa de opinião feita na própria turma — por exemplo, hábitos de leitura ou uso de telas — organizo os resultados em tabela ou gráfico. Em grupos, os estudantes escrevem título, introdução, subtítulos e um box com uma informação complementar. É uma ponte muito concreta entre dados, texto expositivo e escolhas de apresentação.
4. Montar um mural de fontes confiáveis. Eu proponho pequenos trechos sobre um tema estudado em Ciências e peço que os alunos identifiquem autor, instituição, data, citação e evidências apresentadas. Não se trata de transformar a aula em checagem profissional, mas de criar o hábito de perguntar de onde veio uma afirmação.
5. Reescrever para outro público. Escolhemos um parágrafo técnico e produzimos duas versões: uma para uma revista escolar e outra para um roteiro de podcast. Depois, discutimos o que mudou no vocabulário, na presença da voz do apresentador e na organização das informações.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF69LP42 precisa cobrar a relação entre um recurso composicional ou linguístico e seu efeito no texto. Em vez de perguntar somente “o que é um box?”, eu prefiro apresentar um box, uma legenda ou um gráfico e perguntar como ele complementa a explicação, orienta a leitura ou torna um dado compreensível. Também cabem questões que comparem objetividade, citação de fontes, linguagem especializada e finalidade de textos científicos, opinativos e literários.
Um erro comum é avaliar apenas nomenclatura: título, imagem, gráfico, nota de rodapé. Outro é tratar todo vocabulário técnico como defeito. Na divulgação científica, termos especializados podem aparecer; o ponto é verificar se são empregados de modo adequado e explicados para o público. Também evito usar textos sem fonte ou sem contexto, porque a habilidade trata justamente da circulação e da construção de credibilidade do conhecimento divulgado.
Para montar uma avaliação mais rápida, eu combino uma questão objetiva, uma questão de análise de página e uma produção curta, como a criação de título, subtítulo e box para um conjunto de dados. Na consulta completa do código EF69LP42, há mais itens alinhados à habilidade; o acervo do GeraProva reúne 114 questões para esse código.
Questões prontas de EF69LP42 (com gabarito comentado)
1. Leia o seguinte trecho de um texto científico: “Na medicina, a pesquisa é crucial para a inovação”. Qual a importância da pesquisa em textos de divulgação científica?
- ❌ A) Elaborar teorias sem comprovação. A pesquisa deve sempre ter base em dados e evidências.
- ✅ B) Justificar afirmações com dados. Dados são essenciais para dar credibilidade às afirmações.
- ❌ C) Evitar o uso de linguagem técnica. Linguagem técnica é comum, mas deve ser acessível.
- ❌ D) Reduzir a confiabilidade do texto. Pesquisa aumenta a confiabilidade, não a reduz.
- ❌ E) Promover desinformação. Pesquisa visa informar de forma correta.
2. Qual tipo de texto é mais adequado para apresentar os resultados de uma pesquisa de opinião?
- ❌ A) Narrativa. Narrativas não são adequadas para apresentar dados.
- ✅ B) Expositivo. Textos expositivos são claros para apresentar resultados.
- ❌ C) Poético. Textos poéticos não focam em dados.
- ❌ D) Argumentativo. Argumentativos são para defender uma ideia, não para apresentar dados.
- ❌ E) Descritivo. Descritivos não organizam dados de maneira clara.
3. Analise a importância dos boxes em textos de divulgação científica.
- ❌ A) Eliminam informações do texto. Boxes não eliminam, mas acrescentam informações.
- ✅ B) Oferecem dados adicionais importantes. Boxes destacam dados que complementam o texto.
- ❌ C) Desconsideram o público leitor. Boxes são feitos para auxiliar o leitor.
- ❌ D) Substituem o texto principal. Boxes são complementos, não substituições.
- ❌ E) Servem apenas para enfeitar o texto. Boxes têm função informativa, não decorativa.
4. Identifique as características de um texto de divulgação científica.
- ❌ A) Uso de jargões técnicos. A divulgação busca evitar jargões sem explicação, priorizando a acessibilidade.
- ✅ B) Clareza e objetividade. Essas características são fundamentais na divulgação.
- ❌ C) Escrita complexa e rebuscada. Textos de divulgação devem ser simples e diretos.
- ❌ D) Longos parágrafos e frases. Textos de divulgação tendem a organizar a leitura em partes mais acessíveis.
- ❌ E) Foco exclusivo em dados técnicos. Textos de divulgação incluem dados, mas são acessíveis.
5. Compare a estrutura de um texto científico com um artigo de opinião.
- ❌ A) Ambos são subjetivos. Artigos de opinião são subjetivos; textos científicos priorizam evidências e objetividade.
- ✅ B) Textos científicos são mais objetivos. Textos científicos priorizam a objetividade.
- ❌ C) Artigos de opinião não têm estrutura. Artigos têm estrutura, mas são subjetivos.
- ❌ D) Ambos usam jargões técnicos. Nem todos os textos científicos usam jargões.
- ❌ E) Textos científicos são sempre longos. Textos científicos variam em extensão.
6. Compare a estrutura de um texto científico e um texto literário, focando na apresentação de informações.
- ❌ A) Ambos usam linguagem formal. Textos literários podem usar linguagem informal.
- ❌ B) Textos científicos são mais subjetivos. Científicos priorizam a objetividade.
- ❌ C) Textos literários apresentam dados e estatísticas. Literários focam em narrativas e emoções.
- ✅ D) Textos científicos têm estrutura rígida. Científicos seguem formatos específicos para apresentação.
- ❌ E) Ambos usam notas de rodapé. Notas são mais comuns em textos científicos.
Próximos passos para a aula
Eu começaria escolhendo um texto curto e visualmente rico para uma leitura coletiva, antes de passar às questões. Depois, adaptaria os itens ao repertório da turma e usaria os resultados para decidir se é hora de retomar a função dos recursos ou avançar para uma produção multimodal. Para ganhar tempo no planejamento, vale experimentar o gerador de provas do GeraProva e organizar listas por habilidade, ano e nível de desafio.
Estas atividades são um ponto de partida: conheço minha turma e faço os ajustes necessários de linguagem, apoio e aprofundamento. Se você quiser montar avaliações alinhadas sem começar do zero, faça seu cadastro grátis no GeraProva.
